Que a Palavra de Deus se faça verdade em nós
933 | 20 de dezembro de 2025 | Lucas 1,26-38
Mais do que uma crônica histórica no estilo contemporâneo, este texto evangélico é uma reflexão
pós-pascal sobre a pessoa e o percurso de vida
de Jesus Cristo. É mais um relato de cristologia que
de história. A menção ao sexto mês da gravidez de Isabel lembra o sexto dia da
criação, o dia da criação do homem e da mulher. É como se agora começasse a
formação do novo Adão. Por isto, sem esquecer o horizonte do advento, faz-se
necessário compreender o que Lucas que dizer aos seus leitores.
Maria, a moça fiel, representa o contrário do povo infiel de Israel,
frequentemente comparado a uma prostituta. Há em Maria uma ruptura com o antigo Israel
(sem a participação de homem, a descendência de Davi é
interrompida) e uma novidade (Deus se dirige a uma mulher, e faz isso fora do
espaço do templo). Assim, Maria
é a imagem do novo povo que se forma na fé e na fidelidade.
Maria é a total novidade que vem da periferia, onde Deus realiza seu plano nas
pessoas de fé.
Lucas mostra que em Jesus os
planos de Deus se realizam. O que aconteceu no Antigo Testamento foi apenas
preparação e promessa. Jesus é a revelação máxima de Deus. Tudo o que veio
antes é “aperitivo” daquilo que se realizará na pessoa de Jesus. De certo modo,
nos relatos da infância de Jesus, visualiza-o início da plenitude dos tempos
que se realizam na pessoa de Jesus e superam os tempos antigos.
A saudação do anjo é uma
retomada da profecia: “Alegra-te, Maria, eleita, cheia de graça...” Subjacente
à cena e às palavras que são ditas, está o anúncio da divindade de Jesus, pois,
no Antigo Testamento o adjetivo “grande” só se refere a Deus. Jesus é concebido
pelo Espírito (‘sombra” ou “nuvem”) de Deus, o mesmo que acompanhou o êxodo
como sombra protetora e como nuvem luminosa. Portanto, nele Deus está presente
na história, em meio à humanidade peregrina da esperança.
Jesus vem ao mundo não mais pelas leis
humanas (como a linhagem paterna e os meios potentes, tão valorizadas pelo
judaísmo), mas pela fé e por uma mulher. O próprio Jesus afirmará: “Minha mãe,
meus irmãos, minhas irmãs, são aqueles que ouvem as minhas palavras”. Nisto
Maria é modelo. Sua grandeza consiste em, mais do que ser mãe biológica de
Jesus, em ser alguém que ouviu e acolheu a palavra. Aprendamos dela a bem
preparar o Natal que se aproxima.
Sugestões para a
meditação
§ Releia
atentamente este trecho do Evangelho, prestando atenção ao diálogo entre Maria
de Nazaré e o mensageiro de Deus
§ Observe o diálogo
e o questionamento ativo e maduro de Maria à proposta recebida através do anjo
§ Perceba a atitude
de abertura, acolhida e cooperação de Maria de Nazaré com a vontade e a Palavra
de Deus
§ Quais são os
frutos que seu exercício de escuta e meditação da Palavra de Deus tem produzido
em você neste ano de 2025?
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