O grande sinal de Deus é uma frágil criancinha
938 | 24 de dezembro de 2025 | Lucas 2,1-14
O
nascimento de Jesus ocorre no mundo dos pobres, à margem dos poderes romanos e
judaicos, na periferia daquele mundo que dizia garantir a paz recorrendo à
dominação e ao medo. Os decretos oficiais do imperador César Augusto põem José
e Maria na estrada: garantem os impostos, mas mantém a Família de Nazaré na
pobreza e a torna família migrante e refugiada, como tantos migrantes
climáticos e refugiados políticos.
Aquela
humilde família percorre um longo caminho em direção às raízes das esperanças
populares e messiânicas: o lugar onde viveu a família na qual nasceu e cresceu
o pastor Davi. Em Belém, os proscritos pastores põem sua atenção nesta família
e nela identificam a esperança que os encoraja e alegra. Para os pastores,
ignoto abrigo para animais há mais luz que no brilho de Jerusalém.
Os
anjos, mensageiros de Deus, não se manifestam no Templo, mas junto àqueles que,
estando longe de tudo, vigiam os rebanhos. E anunciam aos pastores uma alegre e
boa notícia: o Salvador nasceu “no fim do mundo”. E indicam o sinal:
um bebê deitado numa manjedoura, envolto em pobres panos. O sinal da “grande
alegria para todo o povo” não são os anjos, nem a luz que os envolve, mas a
fragilidade de uma criança! Neste Menino brilha a certeza de que Deus não
esqueceu de ter misericórdia do seu povo.
Com
a ajuda do profeta Isaías, descobrimos que a encarnação do Filho de Deus
refulge como luz para quem caminha na escuridão, como a alegria da colheita
para os camponeses, como a vitória dos povos dominados sobre o medo e a
violência dos dominadores, como o nocaute das tropas imperiais, como a
reconstrução solidária depois das enchentes. O Natal é a passagem da opressão à
liberdade, do medo à confiança, da dependência à emancipação, da escuridão à
luz, da indiferença à fraternidade.
É verdade que o Natal é a festa da paz. Paz entre as
nações. Paz entre as Igrejas. Paz nas comunidades. Paz entre nas famílias. Paz
na relação entre os seres humanos e as demais criaturas. Paz entre o céu e a
terra. Paz onde há guerra e paz onde falta confiança. Que nesta noite santa reine
a paz na terra natal de Jesus, a paz entre os palestinos manipulados por grupos
extremistas e sitiados em sua própria terra e israelenses governados por um
tirano insano e violento.
Sugestões para a
meditação
§ Deixe-se envolver
pela surpresa que envolve Maria e José e pela alegria que contagia os humildes
e suspeitos pastores
§ Aproxime-se do
presépio, ou da bela narração de Lucas, e deixe-se envolver pela ternura e
despojamento de Deus no Menino Jesus
§ Ouça e acolha a
mensagem anunciada e cantada harmoniosamente pelos anjos: Glória a Deus e paz à
humanidade!
§ Reúna
imaginariamente ao redor do presépio as pessoas que lhe são queridas e que
estão hoje distantes
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