A justiça de José consiste no amor acolhedor
931 | 18 de dezembro de 2025 | Mateus 1,18-24
O
trecho do evangelho de ontem nos convocava a acolher Jesus como filho e irmão
da humanidade. Como ele, somos acolhidos pelo Pai e por ele enviados para levar
todos os homens e mulheres a formar a grande família de Deus, sem nenhuma
exclusão. Hoje, o evangelho de Mateus, que prossegue o texto de ontem, nos
mostra José como ouvinte atento e fiel cumpridor da Palavra que Deus pronuncia
misturada nos acontecimentos.
No verso 16
do capítulo 1, Mateus diz que “Jacó gerou José, o esposo de Maria, da
qual nasceu Jesus, que é chamado o Cristo”. Os versos de hoje parecem
querer demonstrar como isso aconteceu. Mateus parte da figura de José, que ocupa
um lugar importante na cena. Mas, como vimos já ontem, o evangelista toma
distância dos estreitos limites do patriarcalismo. O homem José não tem nenhum
papel relevante na concepção de Jesus no seio de Maria. Tudo ocorre à margem da
sua intervenção, e ele é chamado apenas a compreender e aceitar.
A figura de
José que aparece aqui está distante do modelo de homem e pai que vigorava no
patriarcalismo oriental e no mundo judeu. Apresentando-o como homem “justo”,
Mateus o coloca em paralelo com a figura de Abraão e dá a José as
características do discípulo do Reino de Deus, a quem se pede que cumpra a
justiça por inteiro, que seja perfeito como o Pai do céu é perfeito. A justiça
de José não consiste no cumprimento da lei, cujos representantes dirigem o
templo, mas na escuta e obediência a Deus, consiste na misericórdia.
José é uma
pessoa justa porque deixa de exercer o direito de denunciar Maria por sua
gravidez misteriosa. Ele decide deixá-la em segredo, optando pela compaixão e
pela misericórdia. Ele procura entender o que Deus estava lhe dizendo pela
gravidez da sua amada Maria. E Deus lhe fala de modo sutil, durante o sono,
através de seu mensageiro. E ele se deixa guiar pela Palavra.
A resposta de Deus a José complicou
maravilhosamente sua vida. Obedecendo à Palavra de Deus, acolhendo Maria como
esposa e assumindo a tutela do filho que não gerara, José decide por uma
existência difícil, contra a corrente. Dando ao filho de Maria o nome de Jesus,
José se compromete a educá-lo para acolher e perdoar os pecadores com terna
compaixão, distante do rigorismo farisaico, e a confrontar-se com o imperador,
que se apresentava como salvador.
Sugestões para a
meditação
§ Releia
atentamente este trecho do Evangelho, prestando atenção ao modo como José
procura entender os acontecimentos
§ Observe também a
acolhida generosa e o cumprimento atento de uma Palavra que complicaria sua
vida e a de Jesus
§ José entende que
seu lugar na história da salvação da humanidade não é de protagonista, mas de
coadjuvante, de auxiliar
§ José discerniu a
Palavra e o Querer de Deus através dos sonhos: onde e de que modo Deus me fala
e me chama hoje?
§ Como nos sentimos
quando temos que reconhecer que algo muito importante foi feito dispensando a
nossa participação especial?
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