quarta-feira, 17 de dezembro de 2025

José de Deus

A justiça de José consiste no amor acolhedor

931 | 18 de dezembro de 2025 | Mateus 1,18-24

O trecho do evangelho de ontem nos convocava a acolher Jesus como filho e irmão da humanidade. Como ele, somos acolhidos pelo Pai e por ele enviados para levar todos os homens e mulheres a formar a grande família de Deus, sem nenhuma exclusão. Hoje, o evangelho de Mateus, que prossegue o texto de ontem, nos mostra José como ouvinte atento e fiel cumpridor da Palavra que Deus pronuncia misturada nos acontecimentos.

No verso 16 do capítulo 1, Mateus diz que “Jacó gerou José, o esposo de Maria, da qual nasceu Jesus, que é chamado o Cristo”. Os versos de hoje parecem querer demonstrar como isso aconteceu. Mateus parte da figura de José, que ocupa um lugar importante na cena. Mas, como vimos já ontem, o evangelista toma distância dos estreitos limites do patriarcalismo. O homem José não tem nenhum papel relevante na concepção de Jesus no seio de Maria. Tudo ocorre à margem da sua intervenção, e ele é chamado apenas a compreender e aceitar.

A figura de José que aparece aqui está distante do modelo de homem e pai que vigorava no patriarcalismo oriental e no mundo judeu. Apresentando-o como homem “justo”, Mateus o coloca em paralelo com a figura de Abraão e dá a José as características do discípulo do Reino de Deus, a quem se pede que cumpra a justiça por inteiro, que seja perfeito como o Pai do céu é perfeito. A justiça de José não consiste no cumprimento da lei, cujos representantes dirigem o templo, mas na escuta e obediência a Deus, consiste na misericórdia.

José é uma pessoa justa porque deixa de exercer o direito de denunciar Maria por sua gravidez misteriosa. Ele decide deixá-la em segredo, optando pela compaixão e pela misericórdia. Ele procura entender o que Deus estava lhe dizendo pela gravidez da sua amada Maria. E Deus lhe fala de modo sutil, durante o sono, através de seu mensageiro. E ele se deixa guiar pela Palavra.

A resposta de Deus a José complicou maravilhosamente sua vida. Obedecendo à Palavra de Deus, acolhendo Maria como esposa e assumindo a tutela do filho que não gerara, José decide por uma existência difícil, contra a corrente. Dando ao filho de Maria o nome de Jesus, José se compromete a educá-lo para acolher e perdoar os pecadores com terna compaixão, distante do rigorismo farisaico, e a confrontar-se com o imperador, que se apresentava como salvador.

 

Sugestões para a meditação

§  Releia atentamente este trecho do Evangelho, prestando atenção ao modo como José procura entender os acontecimentos

§  Observe também a acolhida generosa e o cumprimento atento de uma Palavra que complicaria sua vida e a de Jesus

§  José entende que seu lugar na história da salvação da humanidade não é de protagonista, mas de coadjuvante, de auxiliar

§  José discerniu a Palavra e o Querer de Deus através dos sonhos: onde e de que modo Deus me fala e me chama hoje?

§  Como nos sentimos quando temos que reconhecer que algo muito importante foi feito dispensando a nossa participação especial?

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