terça-feira, 23 de dezembro de 2025

O sinal da manjedoura

ACOLHER DEUS NUM MENINO

O Natal é muito mais do que todo esse ambiente superficial e manipulado que se respira nesses dias nas nossas ruas. Uma festa muito mais profunda e jubilosa do que os artifícios da nossa sociedade de consumo. Os crentes temos de recuperar novamente o coração desta festa e descobrir, por trás de tanta superficialidade e distração, o mistério que dá origem à nossa alegria.

Não entenderemos o Natal se não soubermos fazer silêncio no nosso coração, abrir a nossa alma ao mistério de um Deus que se aproxima, acolher a vida que nos oferece e saborear a festa da chegada de um Deus Amigo.

No meio do nosso viver diário, às vezes tão aborrecido, apagado e triste, somos convidados à alegria. «Não pode haver tristeza quando nasce a vida». Não se trata de uma alegria insossa e superficial. A alegria de quem está alegre sem saber porquê. «Nós temos motivos para o júbilo radiante, para a alegria plena e para a festa solene: Deus fez-se homem, e veio habitar entre nós».

Há uma alegria que só pode ser desfrutada por quem se abre à proximidade de Deus e se deixa atrair pela sua ternura. Uma alegria que nos liberta de medos e desconfianças diante de Deus. Como temer um Deus que se aproxima como criança? Como fugir de quem se oferece como um pequeno frágil e indefeso? Deus não veio armado de poder para se impor aos homens. Aproximou-se na ternura de um menino que podemos fazer sorrir ou chorar.

Deus não é o Ser omnipotente e poderoso que às vezes imaginamos, encerrado na seriedade e no mistério do seu mundo inacessível. Deus é este menino entregue carinhosamente à humanidade, este pequeno que procura o nosso olhar para nos alegrar com o seu sorriso. O facto de Deus se ter feito criança diz muito mais sobre como é Deus do que todas as nossas reflexões e especulações sobre o seu mistério.

Se soubéssemos deter-nos em silêncio diante deste Menino e acolher, desde o fundo do nosso ser, toda a proximidade e ternura de Deus, talvez entenderíamos por que o coração de um crente deve estar transbordando de uma alegria diferente: simplesmente porque Deus está conosco.

José Antônio Pagola

Tradução de Antônio Manuel Álvarez Perez

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