sexta-feira, 26 de dezembro de 2025

O Evangelista João

Os sinais acendem a fé que brilha no testemunho

941 | 27 de dezembro de 2025 | João 20,2-8

Segundo o evangelista João, o primeiro indício da ressurreição de Jesus ocorre na visita de Maria Madalena à sepultura. Vendo a pedra afastada, Maria vai avisar os discípulos. O amigo de Jesus, que identificamos com o apóstolo e evangelista João, é o primeiro a chegar. Vê a sepultura vazia e as vestes, mas não entra. Pedro chega depois, entra na sepultura e vê o sudário dobrado, em separado, “à parte”. Hoje, dada a celebração da festa do Apóstolo João, o texto sublinha o papel de João nesta cena da manhã da ressurreição.

A tumba vazia não é o fundamento da fé na ressurreição, mas é seu primeiro sinal. Parece que João conhecia a liturgia do templo, e, por isso resiste a entrar na sepultura. Para ele, os panos “enrolados” e colocados no “lugar” à parte são a Lei de Moisés, e a Palavra que se fez carne em Jesus de Nazaré substitui o Templo. Mas a tumba vazia é um indicativo insuficiente para sustentar a fé na ressurreição de Jesus. Na verdade, a base desta “cláusula pétrea” de nossa fé é a experiência pessoal que discípulo faz do encontro com Jesus ressuscitado.

Mais tarde, Madalena veremos Maria Madalena chorando diante da sepultura e “se inclinando” para olhar. Verá anjos que a interrogam sobre sua dor, e só reconhecerá Jesus quando ele a chama pelo nome. Depois de tê-lo desejado, buscado, conhecido e amado em vida, Maria precisará se inclinar para dentro de si mesma, na profundidade do seu desejo, para reconhecê-lo e amá-lo sem retê-lo. É ao voltar-nos para nossa interioridade que encontraremos o ressuscitado que nos ama, chama e envia.

O texto que descreve a cena de hoje termina com reticências, como que nos convocando a entrar na história como protagonistas, e a darmos um final adequado àquela manhã misteriosa. João, discípulo, apóstolo e escritor, cuja festa hoje celebramos, viu e acreditou. Inicialmente, voltou para casa. Mas, depois, nos deixou seu testemunho inscrito na vida e registrado no quarto evangelho. Aquilo que ele viu, experimentou e toucou, isso ele testemunhou.

E nós, acreditaremos e viveremos em nome de Jesus e do seu Evangelho? Estaremos dispostos a ser sementes que, caindo na terra e morrendo, não ficam só, e se multiplicam incrivelmente? É isso que queremos e decidimos? Daremos essa boa notícia a toda a humanidade? Será que entendemos e seremos capazes de testemunhar o mistério do Natal, dinamismo de proximidade, de pobreza e de concretude de um amor divino e sem limites?

 

Sugestões para a meditação

§  Observe a teimosa inconformidade de Maria Madalena, suas buscas, suas intuições, mas também sua dependência do passado

§  Esta cena deixa o desfecho em aberto, como que nos convidando a assumir o protagonismo e dar-lhe um final adequado

§  Acreditaremos num fato ocorrido apenas no passado, ou daremos crédito à vida e à proposta de Jesus, fazendo-a nossa?

§  O que o testemunho de João sobre a ressurreição de Jesus significa para as famílias envolvidas nas guerras e doenças, ou enlutadas pelas mortes?


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