Os sinais acendem a fé que brilha no testemunho
941 | 27 de dezembro de 2025 | João 20,2-8
Segundo o
evangelista João, o primeiro indício da ressurreição de Jesus ocorre na visita
de Maria Madalena à sepultura. Vendo a pedra afastada, Maria vai avisar os
discípulos. O amigo de Jesus, que identificamos com o apóstolo e evangelista
João, é o primeiro a chegar. Vê a sepultura vazia e as vestes, mas não entra.
Pedro chega depois, entra na sepultura e vê o sudário dobrado, em separado, “à
parte”. Hoje, dada a celebração da festa do Apóstolo João, o texto sublinha o
papel de João nesta cena da manhã da ressurreição.
A tumba vazia não
é o fundamento da fé na ressurreição, mas é seu primeiro sinal. Parece que João
conhecia a liturgia do templo, e, por isso resiste a entrar na sepultura. Para
ele, os panos “enrolados” e colocados no “lugar” à parte são a Lei de Moisés, e
a Palavra que se fez carne em Jesus de Nazaré substitui o Templo. Mas a tumba
vazia é um indicativo insuficiente para sustentar a fé na ressurreição de
Jesus. Na verdade, a base desta “cláusula pétrea” de nossa fé é a experiência
pessoal que discípulo faz do encontro com Jesus ressuscitado.
Mais tarde,
Madalena veremos Maria Madalena chorando diante da sepultura e “se inclinando”
para olhar. Verá anjos que a interrogam sobre sua dor, e só reconhecerá Jesus
quando ele a chama pelo nome. Depois de tê-lo desejado, buscado, conhecido e
amado em vida, Maria precisará se inclinar para dentro de si mesma, na
profundidade do seu desejo, para reconhecê-lo e amá-lo sem retê-lo. É ao voltar-nos
para nossa interioridade que encontraremos o ressuscitado que nos ama, chama e
envia.
O texto que
descreve a cena de hoje termina com reticências, como que nos convocando a
entrar na história como protagonistas, e a darmos um final adequado àquela manhã
misteriosa. João, discípulo, apóstolo e escritor, cuja festa hoje celebramos,
viu e acreditou. Inicialmente, voltou para casa. Mas, depois, nos deixou seu
testemunho inscrito na vida e registrado no quarto evangelho. Aquilo que ele
viu, experimentou e toucou, isso ele testemunhou.
E
nós, acreditaremos e viveremos em nome de Jesus e do seu Evangelho? Estaremos
dispostos a ser sementes que, caindo na terra e morrendo, não ficam só, e se
multiplicam incrivelmente? É isso que queremos e decidimos? Daremos essa boa
notícia a toda a humanidade? Será que entendemos e seremos capazes de
testemunhar o mistério do Natal, dinamismo de proximidade, de pobreza e de
concretude de um amor divino e sem limites?
Sugestões para a
meditação
§ Observe
a teimosa inconformidade de Maria Madalena, suas buscas, suas intuições, mas
também sua dependência do passado
§ Esta
cena deixa o desfecho em aberto, como que nos convidando a assumir o
protagonismo e dar-lhe um final adequado
§ Acreditaremos
num fato ocorrido apenas no passado, ou daremos crédito à vida e à proposta de
Jesus, fazendo-a nossa?
§ O que
o testemunho de João sobre a ressurreição de Jesus significa para as famílias
envolvidas nas guerras e doenças, ou enlutadas pelas mortes?
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