segunda-feira, 29 de dezembro de 2025

O testemunho de Ana

O olhar puro vê Deus presente nos pequeno sinais

944 | 30 de dezembro de 2025 | Lucas 2,36-40

O texto do evangelho de hoje á parte de um relato natalino mais amplo. Ontem meditamos o texto que antecede o trecho de hoje, e vimos como Jesus, nascido num ambiente familiar e educado nas tradições religiosas e culturais do seu povo, não fica refém desses círculos, nem mesmo do povo de Israel. Simeão proclama solenemente que ele é luz benfazeja de Deus para todas as nações. Inicialmente, José e Maria não conseguem entender isto, mas o farão lentamente. E é assim também para todos os discípulos e discípulas do Reino.

Hoje, é-nos oferecida à meditação a bela cena do encontro da Família de Nazaré (ainda no templo, onde fora apresentar Jesus e inseri-lo no povo de Deus) com uma mulher idosa e profetiza chamada Ana. Ela é uma viúva e piedosa, dedicada a Deus e à conservação e anúncio das suas promessas. O testemunho de Ana completa e confirma o testemunho do velho Simeão: ela proclama que Jesus representa a redenção do povo de Deus. Não é uma conclusão lógica diante de um menino, mas uma visão profética suscitada pelo Espírito.

Ana é a única profetiza nomeada como tal no Novo Testamento. No Antigo Testamento aparecem apenas duas profetizas: Hulda e uma profetiza anônima, apresentada como a mulher de Isaías. Notemos também que, nas tradições do povo de Israel, a vida longa de uma pessoa era considerada sinal de maturidade e de sabedoria. E Ana havia alcançado 84 anos de vida, a maioria deles dedicados à oração e ao jejum, expressões típicas da piedade sincera e exemplar. Portanto, Ana é um personagem importante e referencial para os primeiros cristãos.

Em Ana aparece o perfil da viúva cristã. Sua comunhão com Deus desenvolve a sensibilidade e o discernimento que a fazem capaz de identificar a realização das mais nobres promessas de Deus naquele bebê frágil, filho de um casal de galileus, olhados com suspeita pelos judeus que viviam em Jerusalém e falavam em nome do templo. Sua convicção e sua fé a movem a louvar a Deus pelo cumprimento de suas promessas de um modo tão inesperado.

Simeão e Ana, cada um a seu modo e com palavras diversas, nos convidam a ver um novo sentido por trás dos ritos tradicionais e uma força inaudita nas criaturas mais frágeis. A pertença a Israel e ao templo, assim como a adesão fiel aos seus ritos, não asseguram a presença salvadora de Deus. Em Jesus, a salvação de Deus chega a todos os povos e passa pela concretude dos gestos de amor e compaixão e pela vida frágil e sofredora. Com ele, precisamos “descer a Nazaré” e crescer em todos os sentidos. O templo, com suas leis e ritos, não é espaço propício de crescimento...

 

Sugestões para a meditação

§   Releia o texto lentamente, detendo-se nos personagens, nos gestos, nas atitudes e nas palavras deles

§   Perceba nas palavras e atitudes de Ana sinais da vida e da missão do Jesus adulto e dos cristãos

§   Com que palavras, atitudes e sentimentos falamos do nosso encontro com Jesus aos homens e mulheres de hoje?


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