O olhar puro vê Deus presente nos pequeno sinais
944 | 30 de dezembro de 2025 | Lucas 2,36-40
O texto do
evangelho de hoje á parte de um relato natalino mais amplo. Ontem meditamos o
texto que antecede o trecho de hoje, e vimos como Jesus, nascido num ambiente
familiar e educado nas tradições religiosas e culturais do seu povo, não fica
refém desses círculos, nem mesmo do povo de Israel. Simeão proclama solenemente
que ele é luz benfazeja de Deus para todas as nações. Inicialmente, José e
Maria não conseguem entender isto, mas o farão lentamente. E é assim também
para todos os discípulos e discípulas do Reino.
Hoje, é-nos oferecida à meditação a
bela cena do encontro da Família de Nazaré (ainda no templo, onde fora
apresentar Jesus e inseri-lo no povo de Deus) com uma mulher idosa e profetiza
chamada Ana. Ela é uma viúva e piedosa, dedicada a Deus e à conservação e
anúncio das suas promessas. O testemunho de Ana completa e confirma o
testemunho do velho Simeão: ela proclama que Jesus representa a redenção do
povo de Deus. Não é uma conclusão lógica diante de um menino, mas uma visão
profética suscitada pelo Espírito.
Ana é a única profetiza nomeada como
tal no Novo Testamento. No Antigo Testamento aparecem apenas duas profetizas:
Hulda e uma profetiza anônima, apresentada como a mulher de Isaías. Notemos
também que, nas tradições do povo de Israel, a vida longa de uma pessoa era
considerada sinal de maturidade e de sabedoria. E Ana havia alcançado 84 anos
de vida, a maioria deles dedicados à oração e ao jejum, expressões típicas da
piedade sincera e exemplar. Portanto, Ana é um personagem importante e
referencial para os primeiros cristãos.
Em Ana aparece o perfil da viúva
cristã. Sua comunhão com Deus desenvolve a sensibilidade e o discernimento que
a fazem capaz de identificar a realização das mais nobres promessas de Deus
naquele bebê frágil, filho de um casal de galileus, olhados com suspeita pelos
judeus que viviam em Jerusalém e falavam em nome do templo. Sua convicção e sua
fé a movem a louvar a Deus pelo cumprimento de suas promessas de um modo tão
inesperado.
Simeão e Ana,
cada um a seu modo e com palavras diversas, nos convidam a ver um novo sentido
por trás dos ritos tradicionais e uma força inaudita nas criaturas mais
frágeis. A pertença a Israel e ao templo, assim como a adesão fiel aos seus
ritos, não asseguram a presença salvadora de Deus. Em Jesus, a salvação de Deus
chega a todos os povos e passa pela concretude dos gestos de amor e compaixão e
pela vida frágil e sofredora. Com ele, precisamos “descer a Nazaré” e crescer
em todos os sentidos. O templo, com suas leis e ritos, não é espaço propício de
crescimento...
Sugestões para a
meditação
§ Releia o texto
lentamente, detendo-se nos personagens, nos gestos, nas atitudes e nas palavras
deles
§ Perceba nas
palavras e atitudes de Ana sinais da vida e da missão do Jesus adulto e dos
cristãos
§ Com que palavras,
atitudes e sentimentos falamos do nosso encontro com Jesus aos homens e
mulheres de hoje?
Nenhum comentário:
Postar um comentário