sábado, 20 de dezembro de 2025

Um nome, uma missão

E DARÁS A ELE O NOME DE JESUS

Entre os hebreus, não se dava ao recém-nascido um nome qualquer, de forma arbitrária, pois o nome, como em quase todas as culturas antigas, indica o ser e a missão da pessoa, a sua verdadeira identidade, o que se espera dela.

Por isso, o evangelista Mateus tem tanto interesse em explicar desde o início aos seus leitores o significado profundo do nome daquele que será o protagonista do seu relato. O nome desse menino que ainda não nasceu é Jesus, que significa «Deus salva». Chamar-se-á assim porque «salvará o seu povo dos pecados».

No ano 70, Vespasiano, designado como novo imperador enquanto reprimia a rebelião judaica, marcha para Roma, onde é recebido e aclamado com dois nomes: «Salvador» e «Benfeitor». O evangelista Mateus quer deixar as coisas claras. O «salvador» que o mundo precisa não é Vespasiano, mas Jesus.

A salvação não nos virá de nenhum imperador nem de nenhuma vitória de um povo sobre outro. A humanidade precisa ser salva do mal, das injustiças e da violência; precisa ser perdoada e reorientada para uma vida mais digna do ser humano. Esta é a salvação que nos é oferecida em Jesus.

Mateus atribui-lhe ainda outro nome: «Emmanuel». Sabe que ninguém foi chamado assim ao longo da história. É um nome surpreendente, absolutamente novo, que significa «Deus conosco». Um nome que atribuímos a Jesus os que acreditamos que, nele e a partir dele, Deus nos acompanha, nos abençoa e nos salva.

As primeiras gerações cristãs levavam o nome de Jesus gravado no coração. Repetiam-no uma e outra vez. Batizavam-se em seu nome, reuniam-se para rezar em seu nome. Para Mateus, o nome de Jesus é uma síntese da sua fé. Para Paulo, nada há maior. Segundo um dos primeiros hinos cristãos, «diante do nome de Jesus se dobrará todo joelho» (Filipenses 2,10).

Depois de vinte séculos, os cristãos devemos aprender a pronunciar o nome de Jesus de forma nova: com carinho e amor, com fé renovada e em atitude de conversão. Com o seu nome nos lábios e no coração podemos viver e morrer com esperança.

José Antônio Pagola

Tradução de Antônio Manuel Álvarez Perez

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