terça-feira, 10 de maio de 2016

Preparando o Pentecostes

Invocação ao Espírito Santo


Vem, Espírito Criador, e infunde em nós a força e o alento de Jesus. Sem o teu impulso e a tua graça, não conseguiremos acreditar Nele; não nos atreveremos a seguir os Seus passos; a Igreja não se renovará; a nossa esperança apagar-se-á. Vem, e contagia-nos, ó alento vital de Jesus!
Vem, Espírito Santo, e recorda-nos as palavras boas que dizia Jesus. Sem a Tua luz e o Teu testemunho sobre Ele, iremos esquecendo o rosto bom de Deus; o Evangelho irá converter-se em letra morta; a Igreja não poderá anunciar nenhuma notícia boa. Vem, e ensina-nos a escutar só a Jesus!
Vem, Espírito da Verdade, e faz-nos caminhar na verdade de Jesus. Sem a Tua luz e a Tua guia, nunca nos libertaremos dos nossos erros e mentiras; nada de novo e verdadeiro nascerá entre nós; seremos como cegos que pretendem guiar outros cegos. Vem, e converte-nos em discípulos e testemunhas de Jesus!
Vem, Espírito do Pai, e ensina-nos a gritar a Deus «Abba», como o fazia Jesus. Sem o Teu calor e a Tua alegria, viveremos como órfãos que perderam o pai; invocaremos a Deus com os lábios, mas não com o coração; e as nossas orações serão palavras vazias. Vem, e ensina-nos a orar com as palavras e o coração de Jesus!
Vem, Espírito Bom, e converte-nos ao projeto do «reino de Deus» inaugurado por Jesus. Sem a Tua força renovadora, ninguém converterá o nosso coração cansado; não teremos audácia para construir um mundo mais humano, segundo os desejos de Deus; na Tua Igreja os últimos nunca serão os primeiros; e nós seguiremos adormecidos na nossa religião burguesa. Vem, e faz-nos colaboradores do projeto de Jesus!
Vem, Espírito de Amor, e ensina-nos a amar-nos uns aos outros com o amor com que Jesus amava. Sem a Tua presença viva entre nós, a comunhão da Igreja se fenderá; a hierarquia e o povo se distanciarão sempre mais; crescerão as divisões, apagar-se-á o diálogo e aumentará a intolerância. Vem, e aviva no nosso coração e nas nossas mãos o amor fraterno que nos faz parecer-nos com Jesus!
Vem, Espírito Libertador, e recorda-nos que para sermos livres nos libertou Cristo, e não para nos deixarmos oprimir de novo pela escravidão. Sem a Tua força e a Tua verdade, o seguimento alegre de Jesus converter-se-á em moral de escravos; não conheceremos o amor que dá vida, apenas os nosso egoísmos que a mata; apagar-se-á em nós a liberdade que faz crescer os filhos e filhas de Deus e seremos, uma e outra vez, vítimas de medos, covardias e fanatismos. Vem, Espírito Santo, e contagia-nos com a liberdade de Jesus!
José Antonio Pagola

sexta-feira, 6 de maio de 2016

Dia das Mães

Por um rosto menos incompleto da mãe!

Domingo é Dia das Mães. A oportunidade de celebrá-lo deveria nascer no coração de cada filho ou filha, como fruto natural do amor. Mas a urgência de divulgá-lo como elemento integrante da modernidade líquida, atropela o amadurecimento necessário que precede a convicção do seu valor. No espaço em que, como diz o filósofo, saem do palco os referenciais morais da modernidade sólida, para dar lugar à lógica do agora, do consumo, da artificialidade, o Dia das Mães pode ter um rosto incompleto.

Incompleto é o rosto maquiado, a roupa elegante e cara, o sorriso descolado, o mais moderno smartphone na mão, a aparência jovem demais para a idade dos filhos, a agenda lotada de compromissos de trabalho que garantem independência financeira e de atividades sociais que levam à dependência do whatsapp para a comunicação com a prole.

Para que o rosto se complete é necessário um profundo mergulho na realidade: aquela das mães de todos os dias e de todos os lugares, que carecem de tempo para si mesmas, de adornos sem dúvida merecidos, de adereços tecnológicos que sequer conhecem.

Para que o rosto se complete é necessário enxergar além das aparências e divisar nele a soma das esperanças no futuro do filho e das dores decorrentes do seu presente; a lágrima que poderia ser de emoção pela chegada do bebê esperado, mas que acaba sendo de preocupação pela entrada de mais uma boca na família que já tem tantas.

Para que o rosto se complete é necessário olhar através dos olhos das mães que esperam nas filas pela vacina, nas escolas mais próximas por uma vaga, na porta dos presídios para visitar os filhos desencaminhados, na calada da noite pelos jovens que talvez não retornem porque foram conquistados pelas promessas de uma vida que elas não lhes podem dar...

Para que o rosto se complete é necessário olhar para a Mãe de semblante surpreso pela notícia da chegada do Messias, de olhar preocupado com a ausência constante do Mestre, de coração traspassado pelo que haviam feito ao Fruto do seu ventre. Porque Ela é capaz de tornar feliz o Dia de todas as mães que com ela se identifiquem nessa tarefa que é de hoje e é de sempre, da qual o Criador não prescinde para poder realizar Seu sonho de amor pela humanidade.


Maria Elisa Zanelatto

quinta-feira, 5 de maio de 2016

O evangelho dominical: 08.05.2016

CRESCIMENTO E CRIATIVIDADE

Os evangelhos oferecem-nos diversas chaves para entender como as primeiras comunidades cristãs iniciaram o seu percurso histórico, sem a presença de Jesus à frente dos Seus seguidores. Talvez, não tenha sido tão simples como por vezes imaginamos. Como entenderam e viveram a sua relação com Ele, uma vez desaparecido da terra?
Mateus não diz uma palavra sobre Sua ascensão ao Céu. Termina o seu evangelho com um episódio de despedida numa montanha da Galileia, quando Jesus lhes faz esta promessa solene: «Sabei que Eu estou convosco todos os dias até ao fim do mundo». Os discípulos não hão de sentir a Sua ausência. Jesus estará sempre com eles. Mas, como?
Lucas oferece uma visão diferente. No episódio final do seu evangelho, Jesus «separa-se deles subindo até ao Céu». Os discípulos têm que aceitar com todo o realismo a separação: Jesus vive já no mistério de Deus. Mas sobe ao Pai «bendizendo» os Seus. Os Seus seguidores começam o seu percurso protegidos por aquela bênção com que Jesus curava os doentes, perdoava os pecadores e acariciava os pequenos.
O evangelista João coloca na boca de Jesus umas palavras que propõem outra chave. Ao despedir-se dos Seus, Jesus diz-lhes: «Eu vou para o Pai e vós estais tristes… No entanto, convém-vos que Eu vá para que recebais o Espírito Santo». A tristeza dos discípulos é explicável. Desejam a segurança que lhes dá terem Jesus sempre junto a eles. É a tentação de viver de forma infantil debaixo da proteção do Mestre.
A resposta de Jesus mostra uma sábia pedagogia. A Sua ausência fará acreditar na maturidade dos seus seguidores. Deixa-lhes a marca do Seu Espírito. Será Ele quem, na Sua ausência, promoverá o crescimento responsável e adulto dos Seus. É bom recordá-lo nuns tempos em que parece crescer entre nós o medo à criatividade, a tentação do imobilismo ou a nostalgia por um cristianismo pensado para outros tempos e outra cultura.
Os cristãos, temos caído mais de uma vez ao longo da história na tentação de viver o seguimento a Jesus de forma infantil. A festa da Ascensão do Senhor recorda-nos que, terminada a presença histórica de Jesus, vivemos «o tempo do Espírito», tempo de criatividade e de crescimento responsável. O Espírito não proporciona aos seguidores de Jesus «receitas eternas». Dá-nos luz e alento para procurar caminhos novos, que possam reproduzir hoje a sua atuação. Assim conduz-nos para a verdade completa de Jesus.
José Antonio Pagola

ANO C – SOLENIDADE DA ASCENSAO DO SENHOR – 08.05.2016

Somos testemunhas da exaltação de um humilhado.

São muitas e diversas as tentações que ameaçam limitar ou eliminar a força revolucionária da nossa fé em Jesus Cristo. Uma das principais é considerar a encarnação e a humilhação do Filho de Deus como algo transitório, como uma etapa pouco importante da sua vida, como uma espécie de parêntesis superado pela ressurreição e pela ascensão ao céu. A ascensão seria sua fuga definitiva das contradições do mundo, onde teria vindo apenas para nos falar das coisas de Deus. A glorificação e o poder que o caracterizam hoje seriam o prêmio pelos sofrimentos suportados e teriam apagado completamente os sinais de uma vida de filho da humanidade, de homem pobre, trabalhador e sonhador.
Desde cedo, os primeiros cristãos fizeram questão de evitar essa tentação e sublinhar que a humanidade do Filho de Deus, inclusive a rejeição e o assassinato dos quais foi vítima, não foram uma espécie acidente de percurso ou um descuido de Deus, mas a realização das Escrituras. Em Jesus se realizou plenamente o essencial daquilo que as leis, os profetas e os salmos intuíram e anunciaram. Mas isso não nos autoriza concluir que Deus Pai teria desejado o sofrimento e a morte do próprio Filho. O que a igreja apostólica sublinha é que as Escrituras apontam para a encarnação e a humanização de Deus.
Sabemos que o dinamismo da encarnação não conhece paradas nem limites. A glória de Deus brilha no ser humano livre, humilde e servidor. Aquilo que começou no seio anônimo de Maria e se manifestou aos pastores na estrebaria, continuou na carpintaria de Nazaré, se prolongou nas cidades e aldeias da Galileia e culminou no calvário, fora dos muros da cidade. Quando os cristãos resumem as Escrituras com a expressão ‘o Messias sofrerá’, estão afirmando que o Enviado de Deus se caracteriza mais pela vulnerabilidade compartilhada com os seres humanos que pelo poder e pela glória.
Este movimento de abaixamento e esvaziamento de Deus é libertador e emancipador, uma vez que é guiado e sustentado pelo amor e continua nos cristãos pelo Espírito que nos é concedido. Assumindo solidariamente a humanidade humilhada, Jesus Cristo assina o decreto de reconhecimento público e universal da sua dignidade e, ao mesmo tempo, concede-lhe seu Divino Sopro, o respiro que lhe permite reinventar sempre de novo a sociedade em parâmetros de justiça e de comunhão. Este movimento de esvaziamento expressa a verdadeira glória e a admirável grandeza de Deus e do ser humano.
É muito redutivo pensar a ressurreição de Jesus Cristo como a passagem de uma fase transitória e limitada para uma etapa definitiva e potente, como um prêmio que se segue a uma submissão obediente e desonrosa.  E é um perigoso desvio teológico imaginar a ascensão de Jesus ao céu como uma superação da sua condição humana e servidora.  A ascensão deve ser compreendida no quadro da sua crucifixão, da demonstração cabal da sua identificação solidária com o ser humano oprimido. Proclamar a ascensão de Jesus ao céu significa mudar e aprofundar o nosso modo de ver o mistério do seu esvaziamento.
Ressurreição, ascensão, glorificação e acolhida à direita de Deus são imagens e conceitos que, de forma complementar, procuram dar conta deste dinamismo e afirmar que Deus se manifesta exatamente no amor que assume a carne humana, serve e dá a vida. É este Filho de Deus humanado e esvaziado que está acima de todos os poderes e forças, de todos os senhores e autoridades. Tudo o mais está sob seus pés! Só o amor merece crédito, submissão e reverência! É disso que somos constituídos testemunhas: de um Deus que assume a posição de Cordeiro e Servo, que mostra sua grandeza fazendo-se pequeno.
Jesus Cristo é a cabeça do corpo composto pelos homens e mulheres que acreditam nele. Como cabeça, Ele não é refém da Igreja e, menos ainda, da hierarquia. A comunidade eclesial é convocada a assumir a forma de vida de Cristo, sua cabeça. E isso significa não buscar outra glória que não seja aquela de servir, outra honra que não seja esta de partilhar o destino dos deserdados da terra. Assim, podemos dizer que a ascensão de Jesus é a maturidade missionária dos discípulos. “Recebereis o poder do Espírito Santo que virá sobre vós, para serdes minhas testemunhas.”  Que ninguém fique extático, olhando para o céu!
Jesus de Nazaré, Cordeiro ferido e Servo exaltado! Não nos deixe cair na tristeza, na inércia e na resignação. Torna-nos alegremente abertos ao teu Espírito, vibrantes no louvor, generosos no amor. Guia-nos na descoberta e na realização da nossa missão de testemunhar o amor que se faz carne, que nos aproxima dos últimos, que nos faz servidores de todos. Faz que sejamos profetas da alegria, discípulos agradecidos por termos descoberto que tua ascensão é teu mergulho definitivo no coração do mundo, honrados por continuar tua missão de tirar o pecado do mundo. Assim seja! Amém!

Itacir Brassiani msf
(Atos dos Apóstolos 1,1-11 * Salmo 46 (64) * Carta aos Efésios 1,17-23 * Evangelho de São Lucas 24,46-53)

quarta-feira, 4 de maio de 2016

Solenidade da Ascensão de Jesus: 08.05.2016

Afastou-se deles e foi levado ao céu.

Chegamos ao último trecho do Evangelho de Lucas. Quase todo este capítulo é encontrado somente em Lucas, e revela bem o seu pensamento. Podemos dizer que o Evangelho todo culmina na postura dos discípulos, descrita no versículo 52: “Eles o adoraram”. Esta é a primeira e única vez que Lucas diz que os discípulos adoraram Jesus. Aqui há uma aproximação entre a cristologia de Lucas e a de João.
O trecho abre com uma frase que faz lembrar os dois discípulos na estrada de Emaús: “Jesus abriu a mente deles para entenderem as Escrituras.” (v. 45).  Vale a pena salientar que ele fez que eles “entendessem” as Escrituras, não que as “conhecessem”, pois estavam bem a par de tudo que as Escrituras falavam!  O problema deles, como dos dois de Emaús, era de entender como as Escrituras podiam iluminar a sua caminhada, na sua situação concreta.
Lucas frisa que o anúncio do Evangelho incluirá a grande Boa Nova do perdão dos pecados. Essa Boa Notícia “será anunciada a todas as nações, começando por Jerusalém” (v.47).  Aqui explica como a salvação chegará aos outros povos: através da pregação e testemunho das comunidades cristãs. Por isso devemos entender a frase “E vocês são testemunhas disso” (v.48) como referente não só aos Onze, mas a todos os discípulos e discípulas de Jesus! 
Podemos lembrar-nos também de Lc 24,9.33, onde enfatiza que além dos Onze, estavam também presentes “os outros”. Isso é importante para que não caiamos na cilada de achar que a missão de testemunhar os valores do Reino seja algo reservado aos ministros ordenados. O Documento de Aparecida insiste muito que não é possível ser discípulo/a de Jesus sem ser missionário/a. Essa incumbência, e privilégio, vêm do nosso batismo! 
As comunidades poderão contar com um poderoso ajudante nesta missão gostosa, mas árdua: o Espírito Santo, prometido pelo Pai: “Agora eu lhes enviarei aquele que meu Pai prometeu” (v.49).  O comprimento dessa promessa será graficamente descrito na continuação da obra de Lucas, nos primeiros dois capítulos dos Atos dos Apóstolos.
O último parágrafo contém numerosas referências a Lc 1,5 - 2,25. O texto grego usa o verbo que no Antigo Testamento é usado para descrever o Êxodo, quando diz: “Jesus levou os discípulos para fora da cidade” (v.50). Para Lucas, Jesus está prestes a completar o seu Êxodo ao Pai.  Mas antes, “Ergueu as mãos e os abençoava” (v. 50b).  É a única vez que no Evangelho de Lucas se diz que Jesus abençoou alguém.  No fim da liturgia da sua vida, Jesus dá a sua bênção final aos que vão continuar a sua missão! 
Os discípulos sentem grande alegria, um tema destacado no início da vida de Jesus, no seu nascimento em Belém, quando os anjos trouxeram notícias de grande alegria! A alegria prometida no início está presente no fim! Por isso, os discípulos se encontram no Templo, onde Jesus foi apresentado e onde Simeão louvou a Deus. O Evangelho de Lucas conclui afirmando que eles também “Estavam sempre no Templo, bendizendo a Deus.” (v. 53).
O autor termina enfatizando a resposta que os seus leitores devem dar, na medida em que aceitam que em Jesus chegou a nossa salvação, através da ação gratuita do Deus misericordioso! Esta resposta de bendizer a Deus não é somente com os lábios, mas com uma vida dedicada e missionária, no seguimento de Jesus de Nazaré e comprometida com a construção de comunidades e sociedades alternativas, baseadas na partilha e na solidariedade.  Esse é um dos grandes temas da segunda parte do Evangelho de Lucas, que nós conhecemos como “Atos dos Apóstolos”, um dos livros bíblicos preferidos no estudo bíblico nas comunidades de hoje.
Pe. Thomas Hughes svd

quinta-feira, 28 de abril de 2016

O Evangelho dominical: 01.05.2016

A PAZ NA IGREJA

No evangelho de João podemos ler um conjunto de discursos em que Jesus se vai despedindo dos Seus discípulos. Os comentadores chamam-lhe «o Discurso de despedida». Nele se respira uma atmosfera muito especial: os discípulos têm medo de ficar sem o seu Mestre; Jesus, pela Sua parte, insiste em lhes dizer, que apesar da Sua partida, nunca sentirão a Sua ausência.
Jesus repete cinco vezes que seus discípulos poderão contar com «o Espírito Santo». Ele os defenderá, pois os manterá fieis à Sua mensagem e ao Seu projeto. Por isso lhe chama «Espírito da verdade». Num momento determinado, Jesus explica-lhes melhor o que terão de fazer: «O Defensor, o Espírito Santo… será quem os ensinará tudo e os vá recordando tudo o que vos disse». Este Espírito será a memória viva de Jesus.
O horizonte que Jesus oferece aos Seus discípulos é grandioso. De Jesus nascerá um grande movimento espiritual de discípulos e discípulas que o seguirão defendidos pelo Espírito Santo. Irão manter-se na Sua verdade, pois esse Espírito irá ensinar-lhes tudo o que Jesus lhes comunicou pelos caminhos da Galileia. No futuro, Ele os defenderá da perturbação e da covardia.
Jesus deseja que seus discípulos captem bem o que significará para eles o Espírito da verdade e Defensor da sua comunidade: «Deixo-vos a paz; dou-vos a paz». Não só lhes deseja a paz. Oferece-lhes a Sua paz. Se vivem guiados pelo Espírito, recordando e guardando as Suas palavras, conhecerão a paz.
Não é uma paz qualquer. É a Sua paz. Por isso lhes diz: «Não vos dou Eu como a dá o mundo». A paz de Jesus não se constrói com estratégias inspiradas na mentira ou na injustiça, mas sim atuando com o Espírito da verdade. Hão de reafirmar-se Nele: «Que não trema o vosso coração nem se acovarde».
Nestes tempos difíceis de desprestígio e perturbação que estamos a sofrer na Igreja, seria um grave erro pretender defender a nossa credibilidade e autoridade moral atuando sem o Espírito da verdade prometido por Jesus. O medo continuará a penetrar no cristianismo se procuramos assegurar a nossa segurança e a nossa paz afastando-nos do caminho traçado por Ele.
Quando na Igreja se perde a paz, não é possível recupera-la de qualquer maneira, nem serve qualquer estratégia. Com o coração cheio de ressentimento e cegueira não é possível introduzir a paz de Jesus. É necessário converter-nos humildemente à Sua verdade, mobilizar todas as nossas forças para deixar caminhos errados, e deixar-nos guiar pelo Espírito que animou a vida inteira de Jesus.
José Antonio Pagola

ANO C – SEXTO DOMINGO DA PASCOA – 01.05.2016

Uma Igreja Casa-de-Deus terá as portas sempre abertas.

Todas as religiões se apresentam aos seus adeptos como caminhos – às vezes como os únicos caminhos! – que levam à divindade e à felicidade. E esta oferta se ajusta como luva à insaciável sede de plenitude que habita e move o ser humano. Os caminhos oferecidos se dividem em dois grupos: os que propõem a saída e o esquecimento de si mesmo para encontrar a plenitude nas realidades externas e transcendentes; os que propõem e ensinam o mergulho em si mesmo e o esquecimento das realidades externas, inclusive dos demais seres humanos.
Mas existe uma terceira possibilidade, que está discretamente presente em algumas religiões e é proposta por Jesus Cristo (mas não necessariamente pelo cristianismo que nasceu dele): Deus mesmo vem saciar nossa sede de plenitude, eliminando a distância que nos assusta, assumindo e aperfeiçoando as realidades humanas e as construções sociais. Jesus Cristo é sacramento de um Deus humanizado e encarnado, servidor e libertador, próximo e presente no ser humano que ama e sofre. “Se alguém me ama, guardará a minha Palavra; meu Pai o amará, e nós viremos e faremos nele a nossa morada.”
O amor autenticamente humano, fraterno e solidário, é o êxodo do ser humano em direção a Deus e o advento de Deus na carne humana. O que nos faz semelhantes a Deus e nos aproxima dele não é o muito saber, o grande poder ou a ausência de sofrimento, mas o dinamismo de um amor que nos faz loucos, apaixonados, pobres e servidores. As igrejas cristãs são chamadas a ser assembleias de homens e mulheres que vivem esta intensa e única paixão por Deus e pela humanidade, evitando a tentação de se identificar com o próprio Deus, de assumir a função de administradoras delegadas de Deus, de enrijecer o sistema de proibições e coerções e de usurpar o poder que só a Deus pertence.
Quando Jesus fala das diversas moradas que existem na casa do Pai e que ele vai para preparar-nos um lugar, está se referindo à sua missão de afirmar nossa condição de filhos e herdeiros de Deus (cf. Jo 14,2). No evangelho de hoje, Jesus inverte o movimento e diz que é Deus quem vem às comunidades que se organizam em seu nome para fazer delas sua casa. Para que isso se realize, as comunidades precisam cultivar o amor, o diálogo, o serviço e a abertura às necessidades do mundo. Uma Igreja que queira ser fiel a Jesus Cristo e aos tempos atuais, morada de Deus, deve ser uma Igreja aberta e missionária.
A dificuldade enfrentada por Paulo e Barnabé diante de um grupo de cristãos liderados por Tiago e Pedro teve origem numa atitude de fechamento institucional e cultural que os levou a identificar alguns costumes com o próprio Evangelho. Mas, graças à liberdade de Paulo e de Barnabé, “que arriscaram a vida pelo nome de Nosso Senhor Jesus Cristo”, Tiago e Pedro reconhecem e acolhem os “irmãos vindos do paganismo” e não lhes impõem os costumes judeus. Isso nos encoraja a sonhar com uma Igreja que não tenha medo de dialogar com os diferentes grupos e movimentos sociais e culturais.
A este propósito, é bela a visão que João nos apresenta da cidade santa, imagem da Igreja. Ela está cercada por uma muralha que a protege das violentas perseguições, mas tem portas e saídas por todos os lados, e tem como alicerce o testemunho dos apóstolos. O esplendor que a envolve não vem do saber ou do poder, mas da glória de Deus, ou seja: do amor vivido até às últimas consequências. Seu brilho não lhe pertence, nem lhe é dado pelos poderosos, mas vem Cordeiro humilhado e martirizado e a ele pertence. Esta cidade dispensa templos e ritos: basta-lhe a força da divina Compaixão.
No cálido e não menos tenso ambiente da Ceia de despedida, Jesus diz que só o amor pode manifestar claramente o que Deus é e o que Deus faz. Sabedor dos limites que acompanhariam os discípulos e discípulas de todos os tempos, Jesus promete que não nos deixa órfãos e indefesos: ele envia o Espírito Santo, Consolador, Defensor e Mestre, que nos conduz ao seguimento fiel e consequente dos seus passos. O Espírito é o amor, a fidelidade e a glória à qual podemos aspirar. O amor praticado é mandamento de Jesus. O amor proclamado é Evangelho. O amor visível pelo testemunho é esplendor e glória de Deus.
Jesus de Nazaré, profeta corajoso e irmão amado! O Espírito que prometes e que nós necessitamos nos ajude a entender e atualizar tua ação libertadora e tua Palavra vivificadora; a reinventar tua ação em mil ações que resgatam a dignidade e promovem a plena vida das pessoas; a anunciar que estás presente e solidário naqueles a quem não te envergonhas de chamar irmãos. Não deixes que a tua Igreja dê as costas ao Espírito e se erga como muro defensivo, trono que manda e sepultura que conserva restos mortais. Renova tua amada Igreja, abrindo portas que convidam à acolhida e à saída. Assim seja! Amém!

Itacir Brassiani msf
(Atos dos Apóstolos 15,1-2.22-29 * Salmo 66 (67) * Apocalipse 21.10-14.22-23 * Evangelho de João 14,23-29)

sexta-feira, 22 de abril de 2016

Golpe parlamentar no Brasil

TRISTE ESPETÁCULO

Interrompo a série de reflexões que pretendia fazer sobre a Amoris Laetitia, exortação do Papa Francisco após o sínodo da Família. Retomarei na semana que vem, se Deus quiser. Mas, francamente, nesta semana não é possível pensar, discutir ou falar sobre nada mais além do tristíssimo espetáculo da votação na Câmara sobre o impeachment da presidente Dilma Rousseff.
Durante todo o processo que desembocou naquela patética sessão, procurei eximir-me de entrar em discussões e debates acalorados, seja pessoalmente, por telefone, nas redes sociais, enfim, em todas as instâncias. Ajudou-me o fato de estar fora do país a trabalho. Porém, após assistir a sessão de tantas horas, julgando algo tão sério como o impedimento da presidente da República, e constatando o nível baixo do comportamento, das atitudes e das palavras daqueles que são representantes do povo, por ele eleitos, não posso deixar de fazê-lo.
Meu sentimento é de vergonha dos deputados do meu país, com raras exceções. Seus depoimentos ao microfone, em lugar de serem discretos e objetivos, invocavam a mãe, o pai, os filhos, netos, bisnetos e o que mais houvesse de parentes e familiares. Outros invocavam categorias mais abstratas: o futuro, o país, o amanhã etc. Deus também teve seu Santo Nome várias vezes pronunciado em vão. Como é possível tamanha falta de foco, tamanha negligência e falta de respeito pela seriedade da decisão que ali se tomava? Como é possível, isso sim, tamanha falta de compostura e decoro?
Minha sensação era a de estar assistindo a um programa de auditório, como os da televisão brasileira da minha juventude - o do Chacrinha, por exemplo - que hoje se reeditam em vídeo cacetadas etc. Com a diferença que não tinha a menor graça. Era lastimável de assistir. Um coletivo que deve agir com dignidade e nobreza gritando ensandecido, chegando inclusive a agressões verbais e físicas.
Tudo isso seria tolerável, porém, se não houvesse um clímax de absurdo e falta de sentido que reduziu tudo o mais a menor importância. Refiro-me ao voto do deputado Jair Bolsonaro. Além de fazer abertamente a analogia do impeachment de Dilma Rousseff ao golpe de 1964: “Perderam em 64, perderam em 2016”, pronunciou-se em favor da ditadura militar. Foi um insulto a todas as pessoas que viveram aqueles anos de chumbo – entre as quais me incluo – e que viram o país ser reprimido e censurado, um período de medo e terror.
Na universidade havia espiões que não era possível identificar. Misturados aos alunos, eles ficavam atentos ao que era dito para depois delatar implacavelmente os “subversivos”, como classificavam os que se opunham ao governo militar e passavam a ser perseguidos e deviam esconder-se para não cair sob as garras do terrível DOI-CODI e passar pela tortura ou serem mortos. Os jovens se escondiam sem que as famílias soubessem seu paradeiro. As prisões eram arbitrárias e o medo reinava e fazia o ar pesado e opaco. Tudo isso vivemos, deputado. E o senhor tem a coragem de, em um momento tão grave como o atual, fazer uma homenagem àqueles tempos terríveis de nossa história recente?
Mas não parou por aí a atitude inexplicável do deputado Bolsonaro. Resolveu personificar sua homenagem à ditadura militar na sinistra figura do coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, ligando-o explicitamente a Dilma Rousseff, que por ele foi torturada. Não foi apenas a presidente que passou pelas mãos nefastas de Ustra. Muitas outras a seguiram, Sonia, Dora, Iara, Inês...tantas...tantas...Algumas morreram na tortura. Outras escaparam e foram trocadas por diplomatas sequestrados pelos movimentos de esquerda. Todas levarão até o tumulo as marcas de Ustra e sua sanha sádica e perversa. Entre elas figura uma grande amiga minha, de infância, querida e amada. Penso nela e no coronel Ustra e o nojo se mistura à indignação.
E o deputado Bolsonaro homenageia este torturador. Onde estamos? Onde está o respeito pelas vítimas de Ustra, essas mulheres, agredidas e humilhadas pelo torturador? Onde está a dignidade cívica do deputado? Não sabe que defender a tortura é crime? Fazê-lo em plena sessão do Congresso Nacional, além de crime é de um mau gosto macabro e a toda prova.
O dia seguinte a esse triste espetáculo foi de tristeza e profundo desânimo. E percebi não serem apenas sentimentos meus. Gente que se engajou de corpo e alma na batalha da democracia, de um lado ou de outro, estava muda, calada. Não houve comemorações. A vitória de alguns não teve o sabor inebriante que esperavam. A derrota de outros não chegou a produzir raiva e sim cansaço.
Na verdade, é de se perguntar: terá havido vencedores? Parece-me que o triste espetáculo que resultou na abertura ao processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff ostenta apenas vencidos. Vencidos estamos todos, brasileiros que olhamos para a frente e não vemos futuro. Vencidos todos obrigados a presenciar a mediocridade e a falta de qualidade ética e humana da maioria dos que nos representam na Câmara dos Deputados. Vencidos todos os que sofremos e lutamos com uma sangrenta ditadura militar e vemos um deputado eleito democraticamente homenagear um de seus mais cruéis protagonistas.
Que Deus volte seu rosto misericordioso para nosso país. Antes de qualquer reforma – política, fiscal, econômica – será preciso reformar nossos mais profundos sentimentos. Não podemos legar às novas gerações a depressão que agora ameaça tomar-nos o coração e roubar-nos a esperança.

Maria Clara Bingemer

quinta-feira, 21 de abril de 2016

O evangelho dominical: 24.04.2016

NÃO PERDER A IDENTIDADE
Jesus está a despedir-se dos Seus discípulos. Dentro em breve, já não o terão entre eles. Jesus fala-lhes com ternura especial: «Meus filhos resta-Me pouco tempo entre vós». A comunidade é pequena e frágil. Acaba de nascer. Os discípulos são como crianças pequenas. Que será deles se ficam sem o Mestre?
Jesus faz-lhes uma oferta: «Dou-vos um mandato novo: que vos ameis uns aos outros como Eu vos amei». Querem-se mutuamente com o amor com que Jesus os quis, não deixarão de senti-Lo vivo no meio deles. O amor que receberam de Jesus continuará a difundir-se entre os Seus.
Por isso, Jesus acrescenta: «O sinal pelo que vos conhecerão todos como Meus discípulos será que vos ameis uns aos outros». O que permitirá descobrir que uma comunidade que se diz cristã é realmente de Jesus, não será a confissão de uma doutrina, nem a observância de uns ritos, nem o cumprimento de uma disciplina, mas o amor vivido com o espírito de Jesus. Nesse amor está a Sua identidade.
Vivemos numa sociedade onde se foi impondo a «cultura dos intercâmbios». As pessoas intercambiam objetos, serviços e prestações. Com frequência, intercambiam também sentimentos, corpos e até amizade. Eric Fromm chegou a dizer que «o amor é um fenômeno marginal na sociedade contemporânea». As pessoas capazes de amar são uma exceção.
Provavelmente será uma análise excessivamente pessimista, mas o certo é que, para viver hoje o amor cristão, é necessário resistir à atmosfera que envolve a sociedade atual. Não é possível viver um amor inspirado por Jesus sem distanciar-se do estilo de relações e intercâmbios interessados que predomina com frequência entre nós.
Se a Igreja está se diluindo no meio da sociedade contemporânea não é só pela crise profunda das instituições religiosas. No caso do cristianismo é, também porque muitas vezes não é fácil ver nas nossas comunidades discípulos e discípulas de Jesus que se distingam pela sua capacidade de amar como amava Ele. Falta-nos o distintivo cristão.
Os cristãos, temos falado muito do amor. No entanto, não sempre temos acertado ou nos temos atrevido a dar-lhe o seu verdadeiro conteúdo a partir do espírito e das atitudes concretas de Jesus. Falta-nos aprender que Ele viveu o amor como um comportamento ativo e criador que O levava a uma atitude de serviço e de luta contra tudo o que desumaniza e faz sofrer o ser humano.
José Antonio Pagola

ANO C – QUINTO DOMINGO DA PASCOA – 24.04.2016

O amor fraterno é a fonte, a meta e o método da missão.

No entardecer da vida seremos julgados pelo amor que tivermos vivido concretamente, afirma o místico poeta. Mas no alvorecer e no meio-dia da nossa existência, o verbo amar há de ser conjugado em todos os tempos e modos, inclusive no imperativo, mas especialmente no presente e no gerúndio. O testamento que Jesus nos deixa na Ceia e o testemunho corajoso das primeiras comunidades cristãs, nascidas da experiência da presença de Jesus ressuscitado e do amor espiritual, humano e político dos apóstolos, estão aí, vivos e eloquentes, para que não esqueçamos disso.
A meta que dá sentido à nossa vida e missão no mundo é o Reino de Deus. Os cristãos não podemos passar pelo mundo caminhando na ponta dos pés, como se tivéssemos medo de tocar nele ou de nos contaminar. Também não podemos voltar o olhar a uma ilusória interioridade, como se não tivéssemos outra tarefa que a de salvar a própria alma. Não foi isso que Jesus Cristo fez, e não foi nisso que seus melhores discípulos e discípulas fizeram ao longo dos vinte séculos de história do cristianismo. A esperança de novos céus e nova terra nos comprometem na transfiguração desta terra!
E nem mesmo as dificuldades que enfrentamos um pouco em todas as latitudes podem nos levar a desistir da grande Utopia que nos faz caminhar. O terremoto da perseguição que se abatia sobre os cristãos no final no primeiro século não impediu que João e sua comunidade visualizassem novos céus e uma nova terra: uma cidade-sociedade santa, bela como noiva enfeitada para o casamento; a tenda da morada definitiva de Deus no coração da humanidade, que vem para enxugar nossas lágrimas; a terra sem males, espaço do bem-viver, como sonham ensinam nossos povos originários.
Os cristãos precisamos pôr nossa inteligência em funcionamento para dar a esta imagem poética contornos e traços históricos e atuais: um mundo sem barreiras para os migrantes e no qual haja lugar para todos os seres humanos; um sistema econômico que respeite e preserve a criação; uma política que não se limite a assegurar os privilégios de uma pequena elite e atentar contra a democracia; uma cultura amante da humanidade, da criatividade, da liberdade e da beleza; uma Igreja viva e regida pela igualdade, pela liberdade e pela comunhão...
No clima de lembrança do essencial deixado como testamento, demonstrando plena consciência do desfecho da própria vida e pensando no martírio que coroaria o amor intenso que marcou toda sua vida, Jesus declara que Deus o glorificará sem demora. Para ele, a cruz não é absurdo e ignomínia, mas a radicalização da solidariedade de Deus com a humanidade e a suprema doação da humanidade a Deus. Por isso, é glorificação de Deus e revelação do ser humano. É nesta mesma linha que, um século mais tarde Santo Irineu afirma que a glória de Deus é a vida do ser humano.
Para os cristãos, amar não é uma opção condicionada, mas um imperativo absoluto. E, a partir da morte e ressurreição de Jesus, a medida do amor não somos mais nós mesmos. “Eu vos dou um novo mandamento. Amai-vos uns aos outros. Como eu vos amei, assim também vós deveis amar-vos uns aos outros.” Mesmo sabendo que não estamos preparados para tal amor, Jesus faz questão de sublinhar que este seu mandamento é novo, e que a medida que verifica o amor também é nova. A partir dele, amar significa lutar para que todos tenham vida, dando da própria vida e arriscando a própria vida.
Prosseguindo o diálogo amistoso e mistagógico com seus discípulos, Jesus diz: “Quem crê em mim fará as obras que eu faço, e fará ainda maiores do que estas... Se alguém me ama, guardará a minha palavra; meu Pai o amará, e nós viremos e faremos nele a nossa morada” (Jo 14,12.23). A comunidade dos que amam verdadeiramente se torna a morada de Deus no mundo visualizada por João no seu Apocalipse. E então o amor ao próximo e ao distante se torna o estatuto e a identidade da comunidade cristã. “Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros.”
Jesus de Nazaré, Cordeiro de Deus e missionário do Pai, expressão viva e inequívoca do verbo amar. Lavando os pés dos discípulos, inclusive de Pedro e de Judas, tu nos perguntas se entendemos o que estás fazendo. Na verdade, ainda não entendemos tudo e profundamente. Por isso nos aproximamos de novo da mesa da Palavra e do Pão. Queremos contemplar teu gesto e aprender tua lição. E queremos vivê-la nos caminhos do mundo e nos cenáculos da vida, fazendo-nos tudo para todos, vivendo e testemunhando tua Boa Notícia que anima os pobres, levanta os caídos e abre os olhos aos cegos. Assim seja! Amém!

Itacir Brassiani msf
(Atos dos Apóstolos 14,21-27 * Salmo 144 (145) * Apocalipse de S. Joao 21,1-5 * Evangelho de João 13,31-35)