quarta-feira, 30 de dezembro de 2020

Como fazer com que o ano seja novo? (Pagola) - 31.12.2020

VIVER SEM ACOLHER A LUZ

Todos vamos cometendo erros e desacertos ao longo da vida. Calculamos mal as coisas. Não medimos bem as consequências das nossas ações. Deixamo-nos levar pela paixão ou pela insensatez. Somos assim. No entanto, não são esses os erros mais graves. O pior é ter a vida organizada de forma errada. Vejamos um exemplo.

Todos sabemos que a vida é uma dádiva. Não fui eu que decidi nascer. Não me escolhi a mim mesmo. Não escolhi os meus pais nem o meu povo. Tudo me foi dado. Viver é já, desde a sua origem, receber. A única maneira de viver sensatamente é receber de forma responsável o que me é dado.

No entanto, nem sempre pensamos assim. Acreditamos que a vida é algo que nos é devido. Sentimo-nos donos de nós mesmos. Achamos que a maneira mais acertada de viver é organizar tudo em função de nós mesmos. Eu sou a única coisa importante! Que importam os outros?

Alguns não sabem viver sem exigir. Exigem e exigem sempre mais. Têm a impressão de nunca receber o que lhes é devido. São como crianças insaciáveis, que nunca estão contentes com o que têm. Não fazem mais do que pedir, reclamar, lamentar-se. Sem se darem conta que se convertem pouco a pouco no centro de tudo. São a fonte e a norma. Tudo deve ser subordinado ao seu ego. Tudo deve ser instrumentalizado para o seu proveito.

Então, a vida da pessoa fecha-se sobre ela mesma. Já não se acolhe o presente de cada dia. Desaparece o reconhecimento e gratidão. Não é possível viver com um coração dilatado. Continua-se a falar de amor, mas «amar» significa agora possuir, desejar o outro, colocá-lo ao meu serviço.

Esta forma de enfocar a vida leva a viver fechados a Deus. A pessoa torna-se incapaz de acolher. Não acredita na graça, não se abre a nada de novo, não escuta nenhuma voz, não percebe nenhuma presença ou graça na sua vida. É o indivíduo que preenche tudo. É por isso é tão grave a advertência do Evangelho de João: «A Palavra era luz verdadeira que ilumina cada homem. Veio ao mundo, e o mundo não a conheceu. Veio a sua casa, e os seus não a receberam». O nosso grande pecado é viver sem acolher a Luz.

José Antonio Pagola

Tradução de Antonio Manuel Álvarez Perez

terça-feira, 29 de dezembro de 2020

ANO B | TEMPO DO NATAL | MARIA, MÃE DE DEUS (ANO NOVO) | 01.01.2021

A cultura do cuidado é uma via importante para construir a paz!

Na celebração cristã do Novo Ano se entrelaçam três questões: o começo de um novo ano civil; a maternidade de Maria; e a Jornada Mundial pela Paz. Hoje, Paulo nos recorda que Deus nos enviou seu Filho quando o tempo se cumpriu e chegou à maturidade. Nascendo de Maria, o Filho de Deus desceu e se igualou ao ser humano comum. Mas também nos resgatou do domínio escravizador das leis e instituições, e nos deu a adoção filial e a liberdade. Desde então, vivemos na liberdade dos filhos e filhas, e o Espírito derramado em nossos corações nos deu a possibilidade de clamar a Deus como os filhos se dirigem ao pai e à mãe.

Não somos mais escravos, mas filhos e herdeiros! Acolhido por nós e no meio de nós, Jesus de Nazaré pacifica o mundo estabelecendo relações novas, baseadas na justiça e na fraternidade. E ele cumpre a promessa de Deus e realiza a esperança da humanidade através dos homens e mulheres de boa vontade, dos/as líderes autênticos/as e das organizações que não se resignam à paz aparente, à paz baseada no equilíbrio de forças ou no terrorismo estatal. “Deus te abençoe e te guarde! Deus mostre seu rosto brilhante e tenha piedade de ti! Deus mostre seu rosto e te dê a paz!” Falando assim, seremos princípios e príncipes da Paz.

Hoje contemplamos a chegada dos pastores à gruta Belém. Eles encontram Jesus no seio de uma família pobre e migrante. Ficam vivamente impressionados com o que veem, e comparam com tudo aquilo que tinham ouvido da boca do mensageiro de Deus. E compreendem o mistério de um Deus a quem não apraz a força dos cavalos ou dos tanques, dos cortejos de acólitos, das doutrinas e dos códigos de direito. Deus se alegra com o despojamento solidário de quem se faz peregrino e próximo e dos deslocados e sem-lugar e, por isso, como os pastores, volta louvando e glorificando a Deus por tudo o que vê e ouve.

Jesus é nossa Paz! Perdoados e pacificados por ele, tornamo-nos agentes do perdão e operadores da paz. Na sua mensagem para o dia de hoje, o Papa Francisco observa com perspicácia que a crise sanitária da Covid-19 “se transformou num fenômeno plurissetorial e global, agravando fortemente outras crises inter-relacionadas como a climática, alimentar, econômica e migratória, e provocando grandes sofrimentos e incómodos”. Por isso, não adiante “esperar desesperadamente” uma vacina que resolva tudo.

Não podemos desconhecer que, diz ainda o Papa, “ao lado de numerosos testemunhos de caridade e solidariedade, infelizmente ganham novo impulso várias formas de nacionalismo, racismo, xenofobia e também guerras e conflitos que semeiam morte e destruição”. E isso se mostra inclusive na corrida pela posse prioritária das vacinas que começam a aparecer. O que vemos nos faz lembrar Santo Ambrósio, que afirmava que “a natureza concedeu todas as coisas aos homens para uso comum. Portanto, a natureza produziu um direito comum para todos, mas a ganância tornou-o um direito de poucos”.

Na referida mensagem o Papa Francisco enfatiza que, para que haja paz, precisamos aprender a “gramática do cuidado: a promoção da dignidade de toda a pessoa humana, a solidariedade com os pobres e indefesos, a solicitude pelo bem comum e a salvaguarda da criação”. Ele nos propõe estes princípios como uma espécie de bússola que pode suscitar e guiar os esforços coletivos da humanidade para dar um novo rumo à globalização: que não seja apenas um projeto econômico ou a globalização da indiferença e da exploração, mas a globalização da equidade e da solidariedade, condições para uma paz substancial e duradoura.

E conclui o Papa: “cultura do cuidado – enquanto compromisso comum, solidário e participativo para proteger e promover a dignidade e o bem de todos; enquanto disposição a interessar-se, a prestar atenção; disposição à compaixão, à reconciliação e à cura, ao respeito mútuo e ao acolhimento recíproco – se constitui numa via privilegiada para a construção da paz. Fazem falta percursos de paz que cicatrizem feridas, artesãos de paz prontos a gerar, com criatividade e ousadia, processos de cura e de um novo encontro”.

Deus querido, Pai e Mãe! Iniciando este ano que desejamos que seja Novo, te pedimos: faz que sejamos construtores de Paz. Ensina-nos a contemplar e compreender o anseio de Paz e de comunhão que pulsa no coração do mundo e move a imensa caravana de voluntários e operadores da saúde. Ajuda-nos a cultivar e consolidar uma cultura do cuidado e do encontro com os diferentes. Suscita em nós o canto que brota da nossa indestrutível dignidade de filhos e filhas, e dá-nos experimentar, como a Maria e aos pastores, a alegria de reconhecer tua grandeza na pequenez e na fragilidade humana. Assim seja! Amém!

Itacir Brassiani msf

Livro dos Números 6,22-27 | Salmo 66 (67) | Carta de Paulo aos Gálatas 4,4-7 | Evangelho  de São Lucas 2,16-21

Roteiro de Leitura Orante do Evangelho 252

 Roteiro de Leitura Orante do Evangelho 252

Dia 30/12/2020 | Quarta-feira | Oitava do Natal

Evangelho segundo Lucas (2,36-40)

 

(1)    Coloque-se em atitude de oração

·      Escolha um momento adequado e tranquilo/a para a oração

·      Escolha o lugar no qual você se sinta bem

·      Busque uma posição corporal que lhe ajude a concentrar-se

·      Acenda uma vela e tome a bíblia em suas mãos

·      Tome consciência de si mesmo/a e do momento que vivemos

·      Faça silêncio interior e ative o desejo de ouvir a Palavra de Deus

·      Prepare-se ouvindo a canção Quando chegar o Natal e um sonho bom iluminar toda cidade feliz, do Pe. Zezinho (Clique aqui: https://www.youtube.com/watch?v=A7Bhr2LHeww)

 

(2)    Leia o texto da Palavra de Deus

·      Leia com toda a atenção o texto de Lucas 2,36-40

·      Leia o texto em voz alta (se possível)

·      Este texto faz parte dos “evangelhos da infância”, que antecipam aquilo que será a vida adulta de Jesus e dos cristãos

·      Para Lucas, tudo começa e termina em Jerusalém, e o foco central da cena de hoje é o testemunho da profetiza Ana

·      O nascimento de Jesus põe fim aos ritos do templo e a relativiza a pertença ao povo de Israel, pois a salvação é para todos os povos

·      O crescimento de Jesus aos olhos de Deus e da humanidade acontece em Nazaré, na periferia social e religiosa, e não no templo

·      O que este trecho da Palavra de Deus diz em si mesmo?

 

(3)    Medite a Palavra de Deus

·      Procure perceber: O que a Palavra de Deus diz a você hoje?

·      Releia o texto lentamente, detendo-se nos personagens, nos gestos, nas atitudes e nas palavras deles

·      Perceba nas palavras e atitudes de Ana sinais da vida e da missão do Jesus adulto e dos cristãos

·      Com que palavras, atitudes e sentimentos falamos do nosso encontro com Jesus aos homens e mulheres de hoje?

·      Se puder, leia as notas sobre o texto (na página seguinte)

·      Saboreie interiormente aquilo que mais ressoa ou atrai você

 

(4)    Reze com o texto lido e meditado

·    Tome consciência de que este texto é Palavra de Deus

·    Depois de escutar atentamente, agora é sua vez de falar

·    Não mude de assunto, pois sua palavra é sua resposta a Deus

·    Permita que o próprio Deus dirija a sua oração, a sua resposta

·    Não se preocupe com raciocínios e frases bem articuladas

·    Procure perceber o que a Palavra de Deus lhe faz dizer a Deus?

·    Louve a Deus por tudo o que você e sua família tem descoberto sobre Jesus mediante outras pessoas, especialmente no ano que termina

 

(5)    Contemple a vida à luz da Palavra

·    Procure contemplar a realidade do mundo com o olhar de Deus

·    Busque meios para colocar em prática o que Deus lhe fala

·    Perceba o que você precisa mudar a partir dessa meditação

·    Responda: O que Deus está pedindo que eu mude ou faça?

·    Assuma um compromisso pessoal de conversão e mudança

 

(6)    Retorne à vida cotidiana

·    Se considerar conveniente, leia, na página seguinte, o subsídio proposto para ajudar na compreensão do texto lido

·    Recite o Pai Nosso e a Ave Maria, ou faça uma oração pessoal que resuma a experiência de oração desse dia.

·    Recite ou cante a invocação: Jesus, Maria e José: acolhei-nos, iluminai-nos e congregai-nos!

·    Medite a canção “Chegou a hora de sonhar de novo” (Acessível aqui: https://www.youtube.com/watch?v=btmd4w8JSq0)

·    Apague a vela e termina seu momento de oração

 

Algumas ideias sobre Lucas 2,36-40

O texto de hoje á parte do relato natalino mais amplo que meditamos no último domingo. Ontem vimos que o breve e belo cântico de Simeão é uma síntese do credo dos primeiros cristãos: Jesus é Boa Notícia e caminho de libertação para todos os povos. É também o paradigma da responsabilidade missionária da Igreja: sair do estreito âmbito dos seus interesses e sua cultura para ser presença consoladora e libertadora para todas as pessoas e povos.

Hoje, é-nos oferecido o encontro da Família de Nazaré (ainda no templo, onde foram apresentar Jesus e inseri-lo no povo de Deus) com uma mulher idosa chamada Ana. Ela é viúva e piedosa, dedicada a Deus e suas promessas. O testemunho dela completa e confirma o de Simeão: ela proclama que Jesus representa a redenção do povo de Deus.

Ana é a única profetiza nomeada como tal no Novo Testamento. No Antigo Testamento aparecem apenas Hulda e a mulher de Isaías. Nas tradições do povo de Israel, a vida longa era vista como sinal de maturidade e sabedoria. E Ana havia alcançado 84 anos de vida, a maioria deles dedicados à oração e ao jejum, expressões típicas da piedade sincera.

Em Ana aparece o perfil da viúva cristã. Sua comunhão e sintonia com Deus desenvolve a sensibilidade e o discernimento que a fazem capaz de identificar a realização das mais nobres promessas de Deus naquele bebê frágil, filho de um casal de galileus, olhados suspeita pelos judeus que viviam em Jerusalém e falavam em nome do templo. Sua convicção e sua fé a movem a louvar a Deus pelo cumprimento de suas promessas de modo tão inesperado.

Simeão e Ana nos convidam a ver um novo sentido por trás dos ritos tradicionais. A pertença a Israel, o templo e seus ritos estão caducos, não asseguram mais a presença salvadora de Deus. Em Jesus, a salvação de Deus é para todos os povos.Com Jesus e como Jesus, precisamos “descer a Nazaré” e crescer em humanidade e comunhão com Deus.

(Itacir Brassiani msf)

 

Uma frase para pensar...

O individualismo não nos torna mais livres, mais iguais, mais irmãos. A mera soma dos interesses individuais não é capaz de gerar um mundo melhor para toda a humanidade. Nem pode sequer preservar-nos de tantos males, que se tornam cada vez mais globais. Mas o individualismo radical é o vírus mais difícil de vencer. Ilude. Faz-nos crer que tudo se reduz a deixar à rédea solta as próprias ambições, como se, acumulando ambições e seguranças individuais, pudéssemos construir o bem comum”.  (Papa Francisco, Fratelli Tutti, 105)

 

Sobre a Leitura Orante do Evangelho...

A Leitura Orante da Palavra de Deus é um exercício para iluminar e fecundar nossa vida cotidiana com a Palavra de Deus. Pode ser feita individualmente ou em família, em grupo ou em comunidade.

“Ouvir juntos a Palavra de Deus, praticar a lectio divina, deixar-se surpreender pela novidade dela, superar a surdez àquilo que não está de acordo com nossas opiniões ou preconceitos, é um caminho para alcançar a unidade da fé, como resposta à escuta da Palavra” (Bento XVI, Verbum Domini, 46).

Em tempos de restrições à convivência e à movimentação social, a leitura orante é um modo de ir além da simples assistência de celebrações virtuais e uma forma evitar que este seja um tempo pesado e estéril.

Os textos propostos são aqueles indicados pela Igreja para a liturgia diária. Os grupos podem escolher outros textos, desde que tenham uma sequência, preparem um roteiro e evitem escolher apenas os textos que agradam mais.

Que a Palavra de Deus encontre em cada um/a de nós um terreno fecundo, e, mesmo nesses tempos inesperadamente difíceis, produza bons e abundantes frutos.

 Missionários da Sagrada Família

https://misafala.org/ | Passo Fundo/RS

Roteiro de Leitura Orante do Evangelho 251

Roteiro de Leitura Orante do Evangelho 251

Dia 29/12/2020 | Terça-feira | Oitava do Natal

Evangelho segundo Lucas

 

(1)    Coloque-se em atitude de oração

·      Escolha um momento adequado e tranquilo/a para a oração

·      Escolha o lugar no qual você se sinta bem

·      Busque uma posição corporal que lhe ajude a concentrar-se

·      Acenda uma vela e tome a bíblia em suas mãos

·      Tome consciência de si mesmo/a e do momento que vivemos

·      Faça silêncio interior e ative o desejo de ouvir a Palavra de Deus

·      Prepare-se ouvindo a canção Quando chegar o Natal e um sonho bom iluminar toda cidade feliz, do Pe. Zezinho (Clique aqui: https://www.youtube.com/watch?v=A7Bhr2LHeww)

 

(2)    Leia o texto da Palavra de Deus

·      Leia com toda a atenção o texto de Lucas 2,22-35

·      Leia o texto em voz alta (se possível)

·      Este texto faz parte dos “evangelhos da infância”, que são cenas que antecipam aquilo que foi a vida adulta de Jesus

·      Para Lucas, tudo começa e termina em Jerusalém, e o foco central da cena de hoje são as palavras de Simeão e Ana

·      O “Doce Menino” não veio para alimentar fantasias românticas, mas para “incomodar” alguns: ele será sinal de contradição

·      Tanto Maria como os futuros discípulos/as de Jesus participarão da sua missão e do seu destino

·      O que este trecho da Palavra de Deus diz em si mesmo?

 

(3)    Medite a Palavra de Deus

·      Procure perceber: O que a Palavra de Deus diz a você hoje?

·      Releia o texto lentamente, detendo-se nos personagens, nos gestos, nas atitudes e nas palavras deles

·      Procure perceber como, nas palavras de Simeão e de Ana, transparece a vida e a missão do Jesus adulto e dos cristãos

·      Com que palavras e atitudes precisamos hoje apresentar Jesus às pessoas? Em que medida nossa adesão a ele é consequente?

·      Saboreie interiormente aquilo que mais ressoa ou atrai você

 

(4)    Reze com o texto lido e meditado

·    Tome consciência de que este texto é Palavra de Deus

·    Depois de escutar atentamente, agora é sua vez de falar

·    Não mude de assunto, pois sua palavra é sua resposta a Deus

·    Permita que o próprio Deus dirija a sua oração, a sua resposta

·    Não se preocupe com raciocínios e frases bem articuladas

·    Procure perceber o que a Palavra de Deus lhe faz dizer a Deus?

·    Reze com suas palavras e a partir de sua experiência a bela oração de Simeão (v. 29-31)

 

(5)    Contemple a vida à luz da Palavra

·    Procure contemplar a realidade do mundo com o olhar de Deus

·    Busque meios para colocar em prática o que Deus lhe fala

·    Perceba o que você precisa mudar a partir dessa meditação

·    Responda: O que Deus está pedindo que eu mude ou faça?

·    Como podemos apresentar e testemunhar lucidamente Jesus e seu Evangelho nos dias de hoje?

·    Assuma um compromisso pessoal de conversão e mudança

 

(6)    Retorne à vida cotidiana

·    Se considerar conveniente, leia, na página seguinte, o subsídio proposto para ajudar na compreensão do texto lido

·    Recite o Pai Nosso e a Ave Maria, ou faça uma oração pessoal que resuma a experiência de oração desse dia.

·    Recite ou cante a invocação: Jesus, Maria e José: acolhei-nos, iluminai-nos e congregai-nos!

·    Apague a vela e termina seu momento de oração

 

Elementos complementares sobre Lucas 2,22-35

O momento alto e revelador não desta cena não é o cumprimento das leis por Maria e José, mas o encontro, à margem dos dirigentes do templo, com Simeão e Ana, assim como o que eles anunciam. Na cena “pintada” por Lucas, tudo chama a atenção para o significado do filho que Maria e José apresentam ao povo e ao templo.

Simeão toma o Menino nos braços e, com seu olhar penetrante, é capaz de discernir a presença libertadora de Deus na fragilidade humana. É uma salvação que desborda as fronteiras étnicas e religiosas de Israel: ela se destina a todos os povos, é luz que ilumina. E Ana também fala do Menino a todas as pessoas que viviam de esperança. Como os pastores representavam a acolhida de Jesus pelos excluídos, Simeão e Ana expressam a acolhida pelo resto piedoso e fiel.

Ali, naquele suntuoso templo, Maria e José observam a alegria consoladora do quem esperou longamente, e experimentam um certo brilho. Poucas coisas estão claras, mas cresce a percepção de que o filho que lhes foi confiado é especial para todos os povos. Mas este entusiasmo logo é ofuscado pelas palavras misteriosas que Simeão dirige a Maria. Jesus vai incomodar, pois veio para desmascarar o colocar pedras no caminho dos exploradores.

José e Maria precisam avançar e crescer no escuro da fé. Como Abraão, eles se lançam na estrada sem saber onde chegarão. Ousam acreditar, e isso lhes é creditado como justiça. Abrem-se, pouco a pouco, à novidade que Deus manifestava através do nascimento daquele inesperado filho. Eis o caminho dos/as discípulos/as missionários/as.

O breve cântico de Simeão é uma síntese do credo dos primeiros cristãos: Jesus é Boa Notícia e caminho de libertação para todos os povos: ele é também o paradigma da responsabilidade missionária da Igreja: sair do estreito âmbito dos seus interesses e sua cultura para ser presença consoladora e libertadora para todas as pessoas e povos.

(Itacir Brassiani msf)

 

Uma frase para pensar...

Não se alcança a igualdade definindo, abstratamente, que «todos os seres humanos são iguais». A igualdade é resultado do cultivo consciente e pedagógico da fraternidade. As pessoas que são capazes apenas de ser sócias, criam mundos fechados. Em semelhante esquema, que sentido pode ter a pessoa que não pertence ao círculo dos sócios e chega sonhando com uma vida melhor para si e sua família? (Papa Francisco, Fratelli Tutti, 104)

 

Sobre a Leitura Orante do Evangelho...

A Leitura Orante da Palavra de Deus é um exercício para iluminar e fecundar nossa vida cotidiana com a Palavra de Deus. Pode ser feita individualmente ou em família, em grupo ou em comunidade.

“Ouvir juntos a Palavra de Deus, praticar a lectio divina, deixar-se surpreender pela novidade dela, superar a surdez àquilo que não está de acordo com nossas opiniões ou preconceitos, é um caminho para alcançar a unidade da fé, como resposta à escuta da Palavra” (Bento XVI, Verbum Domini, 46).

Em tempos de restrições à convivência e à movimentação social, a leitura orante é um modo de ir além da simples assistência de celebrações virtuais e uma forma evitar que este seja um tempo pesado e estéril.

Os textos propostos são aqueles indicados pela Igreja para a liturgia diária. Os grupos podem escolher outros textos, desde que tenham uma sequência, preparem um roteiro e evitem escolher apenas os textos que agradam mais.

Que a Palavra de Deus encontre em cada um/a de nós um terreno fecundo, e, mesmo nesses tempos inesperadamente difíceis, produza bons e abundantes frutos.

 Missionários da Sagrada Família

https://misafala.org/ | Passo Fundo/RS