quarta-feira, 2 de junho de 2021

Roteiro de Leitura Orante do Evangelho 407

Roteiro de Leitura Orante do Evangelho 407

Dia 03/06/2021 | Solenidade de Corpus Christi

Evangelho segundo Marcos (14,12-26)

(1)     Coloque-se em atitude de oração  

·        Escolha um momento adequado e tranquilo/a para a meditação

·        Escolha o lugar no qual você se sinta bem e não seja interrompido

·        Busque uma posição corporal que lhe ajude a concentrar-se

·        Acenda uma vela, e tome a bíblia em suas mãos

·        Tome consciência de si mesmo/a e do momento que vivemos

·        Faça silêncio interior e ative o desejo de ouvir a Palavra de Deus

·        Prepare-se cantando o mantra: “se calarem a voz dos profetas...” (Acessível aqui: https://www.youtube.com/watch?v=t24vkBOM-o0)

 

(2)   Leia o texto da Palavra de Deus

·      Leia com toda a atenção o texto de Marcos 14,12-26

·      Leia o texto em voz alta (se achar necessário e for possível)

·      Para iluminar a solenidade de Corpus Christi, neste ano nos é oferecido o texto do evangelho segundo são Marcos

·      A ceia de Jesus com seus discípulos traz presentes as muitas ceias que ele compartilhou com pessoas excluídas na galileia e na subida a Jerusalém

·      Ao mesmo tempo, a partilha do pão e do vinho são uma antecipação simbólica da entrega de si mesmo na sua paixão, logo em seguida

·      O clima que perpassa a cena da ceia de Jesus é de tensão e comoção, pois Judas decidiu traí-lo, e vários pensavam em deixa-lo

·      Jesus tem consciência daquilo que está sendo tramado, fala disso, lamenta, mas não se afasta do aminho que o Pai lhe havia traçado

·      O que a Palavra de Deus diz em si mesma?

 

(3)   Medite a Palavra de Deus

·      Procure perceber: O que a Palavra de Deus diz a você hoje?

·      Situe-se no interior da cena, com Jesus e seus discípulos, e perceba o clima difícil que envolve a todos

·      Com que disposição você participa da Eucaristia, que repropõe a ceia de Jesus e nos convida a repetir sua doação em memória dele?

·      Seria possível participar da mesa da eucaristia e, ao mesmo tempo, mostrar-se indiferente ás necessidades dos irmãos e irmãs?

·      Como se expressa hoje o risco de participar da Eucaristia mas não viver a proposta de Jesus, e até trair a confiança que ele deposita em nós?

 

(4)   Reze com o texto lido e meditado

·    Tome consciência de que este texto é Palavra de Deus

·    Depois de escutar atentamente, agora é sua vez de falar

·    Não mude de assunto, pois sua palavra é sua resposta a Deus

·    Permita que o próprio Deus dirija a sua oração, a sua resposta

·    Não se preocupe com raciocínios e frases bem articuladas

·    Procure perceber o que a Palavra de Deus lhe faz dizer a Deus?

·    Reze repetindo estas palavras: “Jesus, onde e como quereres que preparemos e celebremos a tua e nossa ceia pascal?”

 

(5)    Contemple a vida à luz da Palavra

·    Procure contemplar a realidade do mundo com o olhar de Deus

·    Busque meios para colocar em prática o que Deus lhe fala

·    Perceba o que você precisa mudar a partir dessa meditação

·    Responda: O que Deus está pedindo que eu mude ou faça?

·    O que podemos fazer para tornar a participação na mesa do Senhor um ponto alto e forte da nossa fé e da nossa espiritualidade?

·    Como passar da comunhão sacramental com Jesus à comunhão com as pessoas, com as demais Igrejas, com os pobres e com todas as criaturas?

 

(6)   Retorne à vida cotidiana

·    Recite o Pai Nosso e a Ave Maria

·    Recite ou cante a invocação: Jesus, Maria e José: acolhei-nos, iluminai-nos e congregai-nos!

·    Assuma um compromisso pessoal de conversão e mudança

·    Medite e reze com o cântico de Maria: “Pão dos anjos” (Aqui: https://www.youtube.com/watch?v=nT1whz83z8k)

·    Apague a vela e termina seu momento de oração

Pistas sobre Marcos 14,12-26

Uma escuta atenta de Marcos ajuda-nos a entender que Jesus e seus discípulos não celebraram a páscoa conforme as prescrições do judaísmo. Ao invés de descrever os pormenores da ceia pascal, Marcos descreve o clima de tristeza e apreensão frente às traições que se insinuavam entre os discípulos mais próximos de Jesus.

Jesus cumpre o tradicional gesto doméstico e amistoso de tomar o alimento e a bebida, de proferir a oração de bênção e de agradecimento e servi-los aos comensais, mas introduz aspectos que divergem das prescrições rituais do judaísmo: não serve o cordeiro; não relaciona o pão e o vinho com o evento do êxodo. Jesus vincula o gesto de repartir o pão e o vinho com sua história pessoal, com a caminhada percorrida e com os passos que estava para dar.

Repartindo o pão, ele diz “isto é o meu corpo”, e, passando o cálice de vinho, anuncia “este é o meu sangue da nova Aliança”. Fica muito claro que ele não vincula a ceia pascal com Moisés e com a Aliança feita no passado, mas consigo mesmo e com uma Aliança nova. E silencia em relação ao cordeiro. Este cordeiro é o próprio Jesus!

Há ainda três outros aspectos interessantes. O primeiro, é que a comunidade dos/as discípulos/as se parece discreta, escondendo-se para evitar riscos. O segundo, é a senha que Jesus dá para que os/as discípulos/as encontrem um lugar seguro para celebrar a páscoa: um homem carregando uma bilha de água. Quem habitualmente carregava água eram as mulheres, o que pode estar acenando para uma comunidade na qual a presença de mulheres era determinante.

O terceiro aspecto é fundamental para a compreensão da Eucaristia: a ceia não termina em festa, mas em jejum! Jesus diz que não beberá mais vinho até que chegue o vinho novo do reino de Deus. Há um vínculo indissociável entre Eucaristia e futuro, entre História e a Utopia. A Eucaristia é profecia e antecipação simbólica do futuro, do Reino de Deus, de um novo mundo possível.

 (Itacir Brassiani msf)

Ensinamento do Papa Francisco

“Para nós cristãos, o manancial de dignidade humana e fraternidade está no Evangelho de Jesus Cristo. Dele brota, para o pensamento cristão e para a ação da Igreja, o primado reservado à relação, ao encontro com o mistério sagrado do outro, à comunhão universal com a humanidade inteira, como vocação de todos". (Fratelli Tutti, § 277)

Leitura Orante do Evangelho

A Leitura Orante da Palavra de Deus é um exercício para iluminar e para fecundar nossa vida cotidiana com a Palavra de Deus. Pode ser feita individualmente ou em família, em grupo ou em comunidade.

O Papa Bento XVI diz que “ouvir juntos a Palavra de Deus, praticar a Lectio Divina, deixar-se surpreender pela novidade do Evangelho, superar a surdez àquilo que não está de acordo com nossas opiniões ou preconceitos, é um caminho para alcançar a unidade da fé, como resposta à escuta da Palavra”.

Em tempos nos quais o amor ao próximo e a precaução com a saúde impõem restrições à convivência e à movimentação social, a Leitura Orante é um modo de ir além da simples assistência de celebrações virtuais e uma forma evitar que este seja um tempo pesado e estéril.

Os textos propostos aqui são aqueles indicados pela Igreja para a liturgia diária. Pessoas e grupos que desejarem, podem escolher outros textos, desde que tenham uma sequência, seja preparado um roteiro e se evite escolher apenas os textos que agradam mais.

Que a Palavra de Deus encontre em cada um/a de nós um terreno fecundo, e, mesmo nesses tempos inesperadamente difíceis, produza bons e abundantes frutos para a vida do mundo.

 Missionários da Sagrada Família

https://misafala.org/ | Passo Fundo/RS

(http://itacir-brassiani.blogspot.com/)

Comunhão, Memória e Utopia: A solenidade de Corpus Christi (Pagola)

FAZER MEMÓRIA DE JESUS

Jesus cria um clima especial na ceia de despedida que partilha com os Seus na véspera da Sua execução. Sabe que é a última. Já não voltará a sentar-se à mesa com eles até à festa final junto ao Pai. Quer deixar bem gravado na memória deles o que sempre foi a Sua vida: paixão por Deus e entrega total a todos.

Nessa noite ele vive tudo com tanta intensidade que, ao distribuir-lhes o pão e o vinho, diz estas palavras memoráveis: “Assim sou Eu. Dou-vos a minha vida inteira. Olhai: este pão é o meu corpo partido por vós; este vinho é o meu sangue derramado por vós. Não me esqueçais nunca. Fazei isto em memória de Mim. Recordai-Me assim: totalmente entregue a vós. Isto alimentará as vossas vidas”.

Para Jesus, este é o momento da verdade. Neste jantar, reafirma-se na Sua decisão de ir até ao fim na Sua fidelidade ao projeto de Deus. Continuará sempre do lado dos fracos, morrerá enfrentando a quem deseja outra religião e outro Deus esquecido do sofrimento do povo. Dará a sua vida sem pensar em si mesmo. Confia no Pai, e deixa tudo nas suas mãos dele.

Celebrar a Eucaristia é recordar este Jesus, gravando dentro de nós como viveu até ao fim. Reafirmarmo-nos na nossa escolha de viver seguindo os seus passos, de tomar a vida nas nossas mãos e tentar vivê-la até às últimas consequências.

Celebrar a Eucaristia é, acima de tudo, dizer como Ele: “Esta minha vida não quero guardá-la exclusivamente para mim. Não quero guardá-la só para o meu próprio bem-estar. Quero passar por esta terra reproduzindo em mim algo do que Ele viveu, sem encerrar-me no meu egoísmo, contribuindo desde a minha local e da minha pequenez para fazer um mundo mais humano”.

É fácil fazer da Eucaristia algo muito diferente do que é. Basta ir à missa para cumprir uma obrigação, esquecendo o que Jesus viveu na última ceia. Basta comungar pensando só no nosso bem-estar interior. Basta sair da igreja sem nunca decidir viver de forma mais generosa e solidária.

José Antonio Pagola

Tradução de Antonio Manuel Álvarez Perez

ANO B | TEMPO COMUM | SOLENIDADE DE CORPUS CHRISTI | 03.06.2021

Deus tem um corpo, e ele é a comunhão no pão repartido!

A Eucaristia faz a Igreja, e é um mistério que ocupa um lugar central na sua prática de fé e na sua espiritualidade. Mas é a Igreja que, partindo do evento Jesus Cristo, definiu o sentido teológico, estabeleceu regras e barreiras, colocou a Eucaristia sob o controle dos ministros ordenados. Celebrando Corpus Christi, não esqueçamos que a Eucaristia é um sacramento, e como tal, nos remete a Jesus Cristo, mediador da Aliança entre Deus e a Humanidade, horizonte no qual se realiza totalmente nossa vocação à liberdade e à comunhão fraterna.

Uma escuta atenta de Marcos nos ajudará a entender que Jesus e seus discípulos não celebraram a páscoa conforme as prescrições do judaísmo: não aparece o cordeiro, símbolo absolutamente central na ceia pascal judaica, não se diz que ele fora sacrificado no templo, e, ao invés de descrever os pormenores da ceia pascal, Marcos descreve (nos versículos 17-21, omitidos na leitura oferecida pela Igreja) o clima de tristeza e apreensão frente às traições que se insinuavam entre os discípulos mais próximos de Jesus.

É verdade que Jesus cumpre o tradicional gesto doméstico e amistoso de tomar o alimento e a bebida, de proferir a oração de bênção e de agradecimento e servi-los aos comensais. Mas Jesus introduz duas novidades que divergem das prescrições rituais do judaísmo: não serve o cordeiro (que, ao que parece, não está presente na ceia) e não relaciona o pão e o vinho com o evento do êxodo. Antes, vincula o gesto de repartir o pão e o vinho com sua história pessoal, com a caminhada percorrida e com os passos que estava para dar.

Sabemos de cor as palavras e gestos que Jesus realizou durante sua ceia derradeira. Repartindo o pão, ele diz “isto é o meu corpo”, e, passando o cálice de vinho, anuncia “este é o meu sangue da nova Aliança”. Fica muito claro que Jesus não vincula a ceia pascal com Moisés e com o uma Aliança feita no passado, mas consigo mesmo e com uma Aliança nova. E resta ainda seu surpreendente silêncio em relação ao indispensável cordeiro. Marcos dá a entender que este cordeiro é o próprio Jesus!

Há ainda três outros detalhes, talvez mais que simples detalhes. O primeiro é que a comunidade dos/as discípulos/as se move discretamente, escondendo-se para evitar riscos. O segundo é a senha que Jesus dá para que os/as discípulos/as encontrem um lugar seguro para celebrar a páscoa: um homem carregando uma bilha de água. Ora, quem habitualmente carregava água eram as mulheres, o que pode estar acenando para uma comunidade na qual a presença de mulheres era determinante.

O terceiro detalhe é mais importante e fundamental para a compreensão da Eucaristia: a ceia de Jesus com os discípulos não termina em festa, mas em jejum! Jesus diz que não beberá mais vinho até que chegue o vinho novo do reino de Deus. Aqui aparece o vínculo indissociável e essencial entre Eucaristia e futuro, entre a ceia presente e o advento do reino de Deus, entre a História e a Utopia. Mais que memorial ligado ao passado, a Eucaristia é profecia e antecipação simbólica do futuro, do Reino de Deus, de um novo mundo possível.

A libertação efetiva e duradoura não é memória de um passado glorioso, mas vocação, tarefa empenhativa que engendra o futuro. É Aliança nova e irreversível mediante a qual Deus avaliza nossos mais profundos anelos de liberdade e de vida plena. É disso que a Eucaristia é sacramento! Jesus liberta a ceia pascal do seu belo mas insuficiente vínculo com o que foi e, mediante sua ceia, nos engaja na construção daquilo que será. Mesmo que isso exija que renunciemos ao aparente gozo e às atrações dos velhos vinhos.

Este futuro que nos é dado como tarefa é sonho que passa pelo corpo e o habita, o corpo de Cristo, o corpo eclesial, e o corpo dos irmãos e irmãs de Jesus Cristo. Uma alma que despreza e submete os corpos não engendra novidades. Um corpo que não vê outra coisa senão sua forma estética se torna estéril. Mas um corpo que tece e sustenta teias de comunhão, que se faz dom sem reservas e se arrisca nas lutas mais ousadas, torna-se eucarístico, cheio de graça e gerador de graça. Como foi E é o corpo de Jesus Cristo!

Jesus de Nazaré, filho de Deus e filho da Humanidade, corpo dinamizado pelo Espírito e Espírito feito carne, pão que alimenta e vinho que produz gozo: transforma nossa vida em Eucaristia, e dá-nos uma insaciável fome de comunhão. Nesta solenidade, no isolamento dos nossos lares, no acolhedor ambiente dos templos, no espaço aberto das ruas, dá-nos um coração grande para amar e forte para lutar. Não deixe tua ceia ser proposta como simples memória e o pão em amuleto. E não nos deixes cair na tentação de fugir do eucarístico compromisso de celebrar a ceia com os olhos fixos no Reino que ainda está vindo. Assem seja! Amém!

Itacir Brassiani msf

Livro do Êxodo 24,3-8 | Salmo 115 (116/B) | Carta de Paulo aos Hebreus 9,11-15 | Evangelho segundo Marcos 14,12-26

Roteiro de Leitura Orante do Evangelho 406

 Roteiro de Leitura Orante do Evangelho 406

Dia 02/06/2021 | 9ª Semana Comum | Quarta-feira

Evangelho segundo Marcos (12,18-27)

 

(1)     Coloque-se em atitude de oração  

·        Escolha um momento adequado e tranquilo/a para a meditação

·        Escolha o lugar no qual você se sinta bem e não seja interrompido

·        Busque uma posição corporal que lhe ajude a concentrar-se

·        Acenda uma vela, e tome a bíblia em suas mãos

·        Tome consciência de si mesmo/a e do momento que vivemos

·        Faça silêncio interior e ative o desejo de ouvir a Palavra de Deus

·        Prepare-se cantando o mantra: “Quando a Bíblia e a Vida se encontram...” (Acessível aqui: https://www.youtube.com/watch?v=oIV6JMcliXU)

 

(2)   Leia o texto da Palavra de Deus

·      Leia com toda a atenção o texto de Marcos 12,18-27

·      Leia o texto em voz alta (se achar necessário e for possível)

·      Este texto está situado literariamente no contexto da tensão entre Jesus e as autoridades do judaísmo, especialmente os fariseus e os saduceus

·      Os saduceus não estão interessados em debater a ressurreição dos mortos, mas em enredar Jesus numa discussão sem sentido

·      Esta cena e a palavra de Jesus estão focados na superação das relações patriarcais e de garantia de herança

·      Jesus faz uma advertência àqueles/as que patrocinam leituras e interpretações ideológicas das escrituras para manter as estruturas de dominação e exclusão

·      O que a Palavra de Deus diz em si mesma?

 

(3)   Medite a Palavra de Deus

·      Procure perceber: O que a Palavra de Deus diz a você hoje?

·      Situe-se no interior da cena, diante de Jesus e em meio aos saduceus e seus mal disfarçados interesses

·      Você consegue perceber hoje, por detrás dos discursos que defendem a família tradicional, interesses ideológicos e projetos de violência?

·      Estaríamos nós sendo tentados a uma identificação cômoda do Evangelho com o patriarcalismo e com o capitalismo?

 

(4)   Reze com o texto lido e meditado

·    Tome consciência de que este texto é Palavra de Deus

·    Depois de escutar atentamente, agora é sua vez de falar

·    Não mude de assunto, pois sua palavra é sua resposta a Deus

·    Permita que o próprio Deus dirija a sua oração, a sua resposta

·    Não se preocupe com raciocínios e frases bem articuladas

·    Procure perceber o que a Palavra de Deus lhe faz dizer a Deus?

·    Deixe brotar do seu íntimo palavras que formulem um pedido sincero de ajuda do Espírito Santo para viver e anunciar o Evangelho de Jesus

 

(5)    Contemple a vida à luz da Palavra

·    Procure contemplar a realidade do mundo com o olhar de Deus

·    Busque meios para colocar em prática o que Deus lhe fala

·    Perceba o que você precisa mudar a partir dessa meditação

·    Responda: O que Deus está pedindo que eu mude ou faça?

·    Quais são as atitudes e práticas que revelam a conivência de setores e Igrejas cristãs com projetos de dominação e acúmulo?

·    Como a Palavra e a ação de Jesus podem nos inspirar, guiar e sustentar numa prática de valorização e respeito às mulheres, mesmo em tempos de distanciamento social e de uma espécie de “luta de deuses”?

 

(6)   Retorne à vida cotidiana

·    Recite o Pai Nosso e a Ave Maria

·    Recite ou cante a invocação: Jesus, Maria e José: acolhei-nos, iluminai-nos e congregai-nos!

·    Assuma um compromisso pessoal de conversão e mudança

·    Medite e reze com o cântico de Maria: “Peregrino nas estradas de um mundo desigual” (Aqui: https://www.youtube.com/watch?v=jzzbQWQs61M)

·    Apague a vela e termina seu momento de oração

Pistas sobre Marcos 12,18-27

Depois da armadilha apresentada a Jesus pelos fariseus e herodianos, são os saduceus que pegam em armas. Trata-se de um grupo social composto pela aristocracia sacerdotal e leiga, gente que detém o poder econômico, político e religioso, e que divulga uma ideologia conservadora e pragmática. Em geral, são aliados dos invasores romanos.

Atenção, porque podemos nos enganar pensando que os saduceus estão interessados em discutir com Jesus a ressurreição dos mortos, que eles negavam. Na verdade, o grupo dos saduceus está interessado na manutenção da posse dos bens (mediante a descendência) e da família patriarcal. Na história ridícula que eles imaginam não transparece um pingo de preocupação com a figura da mulher, ferida pela esterilidade, que eles consideravam uma maldição. O problema deles não é moral ou teológico, mas econômico.

Chama a atenção a repetida afirmação de Jesus de que eles estão enganados, que não sabem ler nem interpretar as escrituras. E isso obviamente não se refere apenas ao tema específico da ressurreição dos mortos, mas também à leitura ideológica e interesseira das escrituras para defender o patriarcalismo e o patrimonialismo. Para Jesus, a ressurreição, que eles negam, é uma afirmação de novas e possíveis relações igualitárias. Deus se recusa a perpetuar as relações desiguais do patriarcado!

Neste debate, Jesus recoloca a libertação e do respeito à dignidade das pessoas no centro da revelação. Deus é o Deus dos vivos, dos humanos, dos iguais, do homem e da mulher que se unem e formam uma só carne, sem predomínio de um sobre o outro. E tanto o homem como a mulher são chamados a colaborar com a obra criadora e libertadora de Deus, cuidando da criação e das gerações humanas, deixando em segundo plano as questões menores que são a propriedade e a herança. No projeto de Deus não há espaço para o patriarcalismo nem para o patrimonialismo. Aquilo que sempre foi não será, precisa ser mudado, transformado.

 (Itacir Brassiani msf)

Ensinamento do Papa Francisco

“Só da verdade histórica dos fatos poderá nascer o esforço perseverante e duradouro para se compreenderem mutuamente e tentar uma nova síntese para o bem de todos. O processo de paz é um empenho que se prolonga no tempo. É um trabalho paciente de busca da verdade e da justiça, que honra a memória das vítimas e abre, passo a passo, para uma esperança comum, mais forte que a vingança". (Fratelli Tutti, § 226)

Leitura Orante do Evangelho

A Leitura Orante da Palavra de Deus é um exercício para iluminar e para fecundar nossa vida cotidiana com a Palavra de Deus. Pode ser feita individualmente ou em família, em grupo ou em comunidade.

O Papa Bento XVI diz que “ouvir juntos a Palavra de Deus, praticar a Lectio Divina, deixar-se surpreender pela novidade do Evangelho, superar a surdez àquilo que não está de acordo com nossas opiniões ou preconceitos, é um caminho para alcançar a unidade da fé, como resposta à escuta da Palavra”.

Em tempos nos quais o amor ao próximo e a precaução com a saúde impõem restrições à convivência e à movimentação social, a Leitura Orante é um modo de ir além da simples assistência de celebrações virtuais e uma forma evitar que este seja um tempo pesado e estéril.

Os textos propostos aqui são aqueles indicados pela Igreja para a liturgia diária. Pessoas e grupos que desejarem, podem escolher outros textos, desde que tenham uma sequência, seja preparado um roteiro e se evite escolher apenas os textos que agradam mais.

Que a Palavra de Deus encontre em cada um/a de nós um terreno fecundo, e, mesmo nesses tempos inesperadamente difíceis, produza bons e abundantes frutos para a vida do mundo.

 Missionários da Sagrada Família

https://misafala.org/ | Passo Fundo/RS

(http://itacir-brassiani.blogspot.com/)