quinta-feira, 30 de dezembro de 2021

ANO C | TEMPO DO NATAL | SOLENIDADE DA MÃE DE DEUS | 01.01.2022

Que a bênção do Deus da paz sempre nos preceda e acompanhe!

Na celebração do Novo Ano se entrelaçam três temas: o começo de um novo ano civil, a maternidade de Maria e a Jornada Mundial pela Paz. E por falar de paz, não esqueçamos que um ano novo, marcado pela Paz, não costuma chegar da noite para o dia. As novidades promissoras e duradouras são gestadas sempre muito lentamente no ventre profundo da história e das pessoas de boa vontade, daquelas que acolhem os dons e convites que vêm dos desertos, das periferias e das fronteiras.

Paulo recorda aos cristãos da Galácia e de todos os tempos que Deus nos enviou seu Filho quando o tempo chegou à sua maturidade. Nascendo de Maria, o Filho de Deus desceu e se igualou às criaturas marcadas pelas limitações. Mas também nos resgatou do domínio escravizador das leis e instituições e nos deu a adoção filial e a liberdade. Desde então, vivemos na liberdade dos filhos e filhas, e o Espírito derramado em nossos corações nos pacificou e nos deu a possibilidade de clamar a Deus como quem se dirige ao pai e à mãe. Não somos mais escravos, mas filhos e herdeiros/as!

Quando acolhido, Jesus de Nazaré pacifica o mundo e gera relações novas, baseadas na justiça e na fraternidade. E ele cumpre a promessa de Deus e a nossa esperança através de cada um/a de nós, das pessoas de boa vontade, dos/as líderes autênticos e das organizações que não se resignam à paz aparente, baseada no equilíbrio de forças ou no terrorismo estatal. “Deus te abençoe e te guarde! Deus mostre seu rosto brilhante e tenha piedade de ti! Deus mostre seu rosto e te dê a paz!”

Hoje contemplamos a chegada dos a Belém. Eles encontram Jesus no seio de uma família pobre e migrante. Ficam vivamente impressionados com o que veem, e comparam com tudo aquilo que tinham ouvido. Conseguem compreender este mistério de um Deus a quem não apraz a força dos cavalos ou dos tanques, dos cortejos de acólitos, das doutrinas e dos códigos de direito. Deus se alegra com o despojamento solidário de quem se faz próximo e peregrino com os deslocados e sem-lugar e, por isso, como os pastores, volta louvando e glorificando a Deus por tudo o que vê e ouve.

Jesus recebe o nome anunciado pelo Mensageiro de Deus a Maria. Ele se chama “boa notícia da salvação”: Deus salva seu povo do pecado. Estamos livres do pagamento do débito que temos conosco mesmos e com os outros por não conseguirmos realizar nossas aspirações mais profundas. Estamos livres da culpa de termos ficado aquém, ou errado o alvo. Deus não fica esperando que cheguemos heroicamente a ele. Ele mesmo vem decididamente ao nosso encontro. Ele é nossa Paz! E é claro que, sendo perdoados/as e pacificados/as, tornamo-nos agentes do perdão e operadores/as da paz.

Mas, mesmo que alguns torçam o nariz em protesto, o Papa Francisco nos lembra, em sua mensagem para o Ano Novo, que o diálogo, a educação e o trabalho são mediações imprescindíveis para a construção de uma paz verdadeira e duradoura. “Os grandes desafios sociais e os processos de pacificação não podem prescindir do diálogo entre os guardiões da memória (os idosos) e aqueles que fazem avançar a história (os jovens)”, escreve o Papa.

Mas é importante também, diz o Papa, elaborar “um novo paradigma cultural, através de um pacto educativo global para e com as gerações jovens, que empenhe as famílias, as comunidades, as escolas e universidades, as instituições, as religiões, os governantes, a humanidade inteira na formação de pessoas maduras. Um pacto que promova a educação para a ecologia integral, segundo um modelo cultural de paz, desenvolvimento e sustentabilidade, centrado na fraternidade e na aliança entre os seres humanos e o meio ambiente”.

Também o trabalho “é um fator indispensável para construir e preservar a paz, pois é expressão da pessoa e dos seus dotes, mas é também compromisso, esforço, colaboração com outros, porque se trabalha sempre com ou para alguém. Nesta perspectiva acentuadamente social, o trabalho é o lugar onde aprendemos a dar a nossa contribuição para um mundo mais habitável e belo”.

Jesus de Nazaré, Conselheiro Admirável, Senhor dos tempos futuros, Príncipe da Paz. Iniciamos um ano que será marcado pelas eleições presidenciais, e o acirramento de posições ideológicas já se fazem sentir. Ajuda-nos a manter o diálogo a qualquer custo, a assumir um pacto por uma educação humanizadora e assegurar o trabalho para todos, caminho da dignidade e da paz. Assim seja! Amém!

Itacir Brassiani msf

Livro dos Números 6,22-27 | Salmo 66 (67) | Carta de São Paulo aos Gálatas 4,4-7 | Evangelho segundo Lucas (2,16-21)

O Evangelho do Ano Novo (Pagola) - 01.01.2022

DEUS ENCARNADO

O Natal obriga-nos a rever ideias e imagens que costumamos ter de Deus, mas que nos impedem de nos aproximarmos do seu verdadeiro rosto. Deus não se deixa aprisionar nos nossos esquemas e padrões de pensamento. Ele não segue os caminhos que lhe definimos. Deus é imprevisível.

Imaginamos Deus forte e poderoso, majestoso e onipotente, mas ele oferece-se a nós na fragilidade de uma criança fraca, nascida na mais absoluta simplicidade e pobreza. Quase sempre o colocamos no extraordinário, no prodigioso e no surpreendente, mas ele apresenta-se no cotidiano, no normal e no ordinário. Nós o imaginamos grande e distante, e ele se faz pequeno e próximo de nós.

Este Deus encarnado no filho de Belém não é o que nós teríamos esperado. Não está à altura do que teríamos imaginado. Esse Deus pode nos decepcionar. No entanto, não é precisamente este Deus próximo que necessitamos junto de nós? Não é esta proximidade com o humano que melhor revela o verdadeiro mistério de Deus? Não se manifesta na fraqueza dessa criança, a sua verdadeira grandeza?

O Natal lembra-nos que a presença de Deus nem sempre responde às nossas expectativas, visto que nos é oferecida onde menos a esperamos. Certamente devemos procurá-lo na oração e no silêncio, na superação do egoísmo, na vida fiel e obediente à sua vontade, mas Deus pode se nos oferecer quando quer e como quer, mesmo naquilo que nos parece mais vulgar e comum da vida.

Agora sabemos que podemos encontrá-lo em qualquer ser indefeso e fraco que precise da nossa acolhida. Pode estar nas lágrimas de uma criança ou na solidão de um idoso. No rosto de qualquer irmão podemos descobrir a presença desse Deus que quis encarnar-se no humano.

Esta é a fé revolucionária do Natal, o maior escândalo do Cristianismo, expresso de forma lapidar por Paulo: “Cristo, apesar da sua condição divina, não se apegou à sua categoria de Deus; pelo contrário, despojou de sua posição e assumiu a condição de servo, tornando-se um entre muitos e apresentando-se como um simples homem” (Filipenses 2,6-7).

O Deus cristão não é um Deus desencarnado, distante e inacessível. É um Deus encarnado, próximo, vizinho. Um Deus que podemos tocar, de alguma forma, sempre que tocamos o humano.

José Antonio Pagola

Tradução de Antonio Manuel Álvarez Perez

O Evangelho do último dia do ano (Pagola) - 31.12.2021

O ROSTO HUMANO DE DEUS

O evangelho de João começa com um prólogo muito especial. É uma espécie de hino que, desde os primeiros séculos, ajudou decisivamente os cristãos a mergulhar no mistério revelado em Jesus. Se o escutarmos com fé simples, também hoje ele nos pode ajudar a acreditar mais profundamente em Jesus. Hoje só nos debruçamos em algumas declarações centrais.

“A Palavra de Deus se fez carne”. Deus não é mudo. Não permaneceu calado, encerrado para sempre no seu Mistério. Deus quis-se comunicar. Quis falar-nos, dizer-nos o seu amor, explicar-nos o seu projeto. Jesus é simplesmente o Projeto de Deus feito carne.

Mas Deus não comunicou conosco através de conceitos e doutrinas sublimes que só podem ser compreendidas pelos doutos. A sua Palavra encarnou-se na vida cativante de Jesus, para que o possam entender até os mais simples, os que sabem comover-se ante a bondade, o amor e a verdade que se encerra na sua vida.

Esta Palavra de Deus “acampou entre nós”. Desapareceram as distâncias. Deus fez-se “carne”, habita entre nós. Para encontramo-nos com ele não precisamos sair fora do mundo, mas aproximar-nos de Jesus. Para o conhecer não é preciso estudar teologia, mas sintonizar com Jesus, comungar com ele.

“Nunca ninguém viu Deus”. Os profetas, os sacerdotes, os mestres da lei falavam muito de Deus, mas ninguém tinha visto o Seu rosto. O mesmo acontece hoje entre nós: na Igreja falamos muito de Deus, mas nenhum de nós o viu. Apenas Jesus, “o Filho de Deus, que está no seio do Pai, foi quem o deu a conhecer”.

Não podemos esquecer isto: só Jesus nos contou como é Deus. Só ele é o caminho que nos aproxima do seu Mistério. Quantas ideias atrofiadas e pouco humanas de Deus temos de desaprender para nos deixarmos atrair e seduzir por esse Deus que se nos revela em Jesus!

Tudo muda quando finalmente entendemos que Jesus é a face humana de Deus. Tudo é mais simples e claro. Agora sabemos como nos olha Deus quando sofremos, como ele nos procura quando nos perdemos, como nos entende e nos perdoa quando o negamos. Nele se nos revela a graça e a verdade de Deus.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2021

Roteiro de Leitura Orante do Evangelho Nº 617

Ano C Roteiro de Leitura Orante do Evangelho Nº 617

Dia 30/12/2021 | Oitava do Natal | Quinta-feira

Evangelho segundo Lucas (2,36-40)

(1)    Coloque-se em atitude de oração  

·          Escolha um momento adequado e tranquilo/a para a meditação

·          Escolha o lugar no qual você se sinta bem e não seja interrompido/a

·          Busque uma posição corporal que lhe ajude a concentrar-se

·          Acenda uma vela, e tome a bíblia em suas mãos

·          Tome consciência de si mesmo/a e do tempo do Advento

·          Faça silêncio interior e ative o desejo de ouvir a Palavra de Deus

·          Prepare-se ouvindo a canção Quando chegar o Natal e um sonho bom iluminar toda cidade feliz, do Pe. Zezinho (Clique aqui: https://www.youtube.com/watch?v=A7Bhr2LHeww)

 

(2)  Leia o texto da Palavra de Deus

·          Leia com toda a atenção o texto de Lucas 2,36-40

·          Leia o texto em voz alta (se achar necessário e for possível)

·          Este texto faz parte dos “evangelhos da infância”, que antecipam aquilo que será a vida adulta de Jesus e dos cristãos

·          Para Lucas, tudo começa e termina em Jerusalém, e o foco central da cena de hoje é o testemunho da profetiza Ana

·          O nascimento de Jesus põe fim aos ritos do templo e a relativiza a pertença ao povo de Israel, pois a salvação é para todos os povos

·          O crescimento de Jesus aos olhos de Deus e da humanidade acontece em Nazaré, na periferia social e religiosa, e não no templo

·          O que a Palavra de Deus diz em si mesma?

(3)  Medite a Palavra de Deus

·          Procure perceber o que a Palavra de Deus lida e meditada diz a você hoje, nesse momento?

·          Releia o texto lentamente, detendo-se nos personagens, nos gestos, nas atitudes e nas palavras deles

·          Perceba nas palavras e atitudes de Ana sinais da vida e da missão do Jesus adulto e dos cristãos

·          Com que palavras, atitudes e sentimentos falamos do nosso encontro com Jesus aos homens e mulheres de hoje?

·          Se achar oportuno e for possível, leia as “pistas” (página 3)

 

(4)  Reze com o texto lido e meditado

·          Tome consciência de que este texto é Palavra de Deus

·          Depois de escutar atentamente, agora é sua vez de falar

·          Não mude de assunto, pois sua palavra é sua resposta a Deus

·          Permita que o próprio Deus dirija a sua oração, a sua resposta

·          Não se preocupe com raciocínios e frases bem articuladas

·          Louve a Deus por tudo o que você e sua família tem descoberto sobre Jesus mediante outras pessoas, especialmente no ano que termina

·          Procure perceber o que a Palavra de Deus lhe faz dizer a Deus?

 

(5)   Contemple a vida à luz da Palavra

·          Procure contemplar a realidade do mundo com o olhar de Deus

·          Busque meios para colocar em prática o que Deus lhe fala

·          Perceba o que você precisa mudar a partir dessa meditação

·          Que mudanças precisamos promover para que o núcleo do anúncio cristão volte a ser jesus, a Boa Notícia de Deus para a humanidade?

·          Responda: O que Deus está pedindo que eu mude ou faça?

 

(6)  Retorne à vida cotidiana

·          Recite o Pai Nosso e a Ave Maria

·          Recite ou cante a invocação: “Jesus, que vens ao nosso encontro com Maria e José, mantém nossa comunidade desperta e em pé!”

·          Assuma um compromisso pessoal de conversão e mudança

·          Medite a canção “Chegou a hora de sonhar de novo” (Acessível aqui: https://www.youtube.com/watch?v=btmd4w8JSq0)

·          Assuma um compromisso pessoal de conversão e mudança

·          Apague a vela e conclua seu momento de oração

 

Pistas sobre Lucas 2,36-40

O texto de hoje á parte do relato natalino mais amplo que meditamos no último domingo. Ontem vimos que o belo cântico de Simeão é uma síntese do credo dos primeiros cristãos: Jesus é Boa Notícia e caminho de libertação para todos os povos. É também o paradigma da missão da Igreja: sair do estreito âmbito dos seus interesses e sua cultura para ser presença consoladora e libertadora para todas as pessoas e povos.

Hoje, é-nos oferecido à meditação o encontro da Família de Nazaré (ainda no templo, onde foram apresentar Jesus e inseri-lo no povo de Deus) com uma mulher idosa chamada Ana. Ela é viúva e piedosa, dedicada a Deus e suas promessas. O testemunho dela completa e confirma o de Simeão: ela proclama que Jesus representa a redenção do povo de Deus.

Ana é a única profetiza nomeada como tal no Novo Testamento. No Antigo Testamento aparecem apenas Hulda e a mulher de Isaías. Notemos também que, nas tradições do povo de Israel, a vida longa era vista como sinal de maturidade e sabedoria. E Ana havia alcançado 84 anos de vida, a maioria deles dedicados à oração e ao jejum, expressões típicas da piedade sincera.

Em Ana aparece o perfil da viúva cristã. Sua comunhão com Deus desenvolve a sensibilidade e o discernimento que a fazem capaz de identificar a realização das mais nobres promessas de Deus naquele bebê frágil, filho de um casal de galileus, olhados suspeita pelos judeus que viviam em Jerusalém e falavam em nome do templo. Sua convicção e sua fé a movem a louvar a Deus pelo cumprimento de suas promessas de modo tão inesperado.

Simeão e Ana nos convidam a ver um novo sentido por trás dos ritos tradicionais. A pertença a Israel, o templo e seus ritos não asseguram mais a presença salvadora de Deus. Em Jesus, a salvação de Deus é para todos os povos. Com ele, precisamos “descer a Nazaré” e crescer em todos os sentidos.

 (Itacir Brassiani msf)

Reflexão do Papa Francisco

“O meio ambiente é um empréstimo que cada geração recebe e deve transmitir à geração seguinte. Por isso, devem ser apreciados e encorajados os jovens que se empenham por um mundo mais justo e atento à tutela da criação, confiada à nossa custódia. Fazem-no num misto de inquietude e entusiasmo, mas sobretudo com sentido de responsabilidade perante a urgente mudança de rumo que nos é imposta pelas dificuldades surgidas da atual crise ética e socioambiental”. (Mensagem para o Ano Novo 2022, nº 2)

Leitura Orante do Evangelho

A Leitura Orante da Palavra de Deus é um exercício para iluminar e para fecundar nossa vida cotidiana com a Palavra de Deus. Pode ser feita individualmente ou em família, em grupo ou em comunidade.

O Papa Bento XVI diz que “ouvir juntos a Palavra de Deus, praticar a Lectio Divina, deixar-se surpreender pela novidade do Evangelho, superar a surdez àquilo que não está de acordo com nossas opiniões ou preconceitos, é um caminho para alcançar a unidade da fé, como resposta à escuta da Palavra”.

Em tempos nos quais o amor ao próximo e a precaução com a saúde impõem restrições à convivência e à movimentação social, a Leitura Orante é um modo de ir além da simples assistência de celebrações virtuais e uma forma evitar que este seja um tempo pesado e estéril.

Os textos propostos aqui são aqueles indicados pela Igreja para a liturgia diária. Pessoas e grupos que desejarem, podem escolher outros textos, desde que tenham uma sequência, seja preparado um roteiro e se evite escolher apenas os textos que agradam mais.

Que a Palavra de Deus encontre em cada um/a de nós um terreno fecundo, e, mesmo nesses tempos inesperadamente difíceis, produza bons e abundantes frutos para a vida do mundo.

Missionários da Sagrada Família

https://misafala.org/ | Passo Fundo/RS

(http://itacir-brassiani.blogspot.com/)

terça-feira, 28 de dezembro de 2021

Roteiro de Leitura Orante do Evangelho Nº 616

Ano C Roteiro de Leitura Orante do Evangelho Nº 616

Dia 29/12/2021 | Oitava do Natal | Quarta-feira

Evangelho segundo Lucas (2,22-35)

(1)    Coloque-se em atitude de oração  

·          Escolha um momento adequado e tranquilo/a para a meditação

·          Escolha o lugar no qual você se sinta bem e não seja interrompido/a

·          Busque uma posição corporal que lhe ajude a concentrar-se

·          Acenda uma vela, e tome a bíblia em suas mãos

·          Tome consciência de si mesmo/a e do tempo do Advento

·          Faça silêncio interior e ative o desejo de ouvir a Palavra de Deus

·          Prepare-se ouvindo a canção Quando chegar o Natal e um sonho bom iluminar toda cidade feliz, do Pe. Zezinho (Clique aqui: https://www.youtube.com/watch?v=A7Bhr2LHeww)

 

(2)  Leia o texto da Palavra de Deus

·          Leia com toda a atenção o texto de Lucas 2,22-35

·          Leia o texto em voz alta (se achar necessário e for possível)

·          Este texto faz parte dos “evangelhos da infância”, que são cenas que antecipam aquilo que foi a vida adulta de Jesus

·          Para Lucas, tudo começa e termina em Jerusalém, e o foco central da cena de hoje são as palavras de Simeão e Ana

·          O “Doce Menino” não veio para alimentar fantasias românticas, mas para “incomodar” alguns: ele será sinal de contradição

·          Tanto Maria como os futuros discípulos/as de Jesus participarão da sua missão e do seu destino

·          O que a Palavra de Deus diz em si mesma?

(3)  Medite a Palavra de Deus

·          Procure perceber o que a Palavra de Deus lida e meditada diz a você hoje, nesse momento?

·          Releia o texto lentamente, detendo-se nos personagens, nos gestos, nas atitudes e nas palavras deles

·          Procure perceber como, nas palavras de Simeão e de Ana, transparece a vida e a missão do Jesus adulto e dos cristãos

·          Com que palavras e atitudes precisamos hoje apresentar Jesus às pessoas? Em que medida nossa adesão a ele é consequente?

·          Se achar oportuno e for possível, leia as “pistas” (página 3)

 

(4)  Reze com o texto lido e meditado

·          Tome consciência de que este texto é Palavra de Deus

·          Depois de escutar atentamente, agora é sua vez de falar

·          Não mude de assunto, pois sua palavra é sua resposta a Deus

·          Permita que o próprio Deus dirija a sua oração, a sua resposta

·          Não se preocupe com raciocínios e frases bem articuladas

·          Reze com suas palavras e a partir de sua experiência a bela oração do velho Simeão (v. 29-31)

·          Procure perceber o que a Palavra de Deus lhe faz dizer a Deus?

 

(5)   Contemple a vida à luz da Palavra

·          Procure contemplar a realidade do mundo com o olhar de Deus

·          Busque meios para colocar em prática o que Deus lhe fala

·          Perceba o que você precisa mudar a partir dessa meditação

·          Como podemos apresentar e testemunhar lucidamente Jesus e seu Evangelho nos dias de hoje?

·          Responda: O que Deus está pedindo que eu mude ou faça?

 

(6)  Retorne à vida cotidiana

·          Recite o Pai Nosso e a Ave Maria

·          Recite ou cante a invocação: “Jesus, que vens ao nosso encontro com Maria e José, mantém nossa comunidade desperta e em pé!”

·          Assuma um compromisso pessoal de conversão e mudança

·          Ouça e, se possível, assista, a canção Noite Feliz, com André Rieu e orquestra (Aqui: https://www.youtube.com/watch?v=RDpWkBi-cr4)

·          Assuma um compromisso pessoal de conversão e mudança

·          Apague a vela e conclua seu momento de oração

 

Pistas sobre Lucas 2,22-35

O momento alto desta cena não é o cumprimento das leis por Maria e José, mas o encontro, à margem dos dirigentes do templo, com Simeão e Ana, e aquilo que eles anunciam. Na cena “pintada” por Lucas, tudo chama a atenção para o significado do filho que Maria e José apresentam ao povo e ao templo.

Simeão toma o Menino nos braços e, com seu olhar penetrante, é capaz de discernir a presença de Deus na fragilidade humana. É uma salvação que desborda as fronteiras étnicas e religiosas: ela se destina a todos os povos, é luz que ilumina. E Ana também fala do Menino a todas as pessoas que viviam de esperança. Como os pastores representam a acolhida de Jesus pelos excluídos, Simeão e Ana expressam a acolhida pelo resto piedoso e fiel.

No templo, Maria e José observam a alegria consoladora do quem esperou longamente. Poucas coisas estão claras, mas cresce neles a percepção de que o filho que lhes foi confiado é especial para todos os povos. Mas este entusiasmo logo é ofuscado pelas palavras misteriosas que Simeão dirige a Maria. Jesus vai incomodar, pois veio para desmascarar o colocar pedras no caminho dos exploradores.

José e Maria precisam avançar e crescer no escuro da fé. Como Abraão, eles se lançam na estrada sem saber onde chegarão. Ousam acreditar, e isso lhes é creditado como justiça. Abrem-se, pouco a pouco, à novidade que Deus manifestava através do nascimento daquele inesperado filho. Eis o caminho dos/as discípulos/as missionários/as.

O breve cântico de Simeão é uma síntese do credo dos primeiros cristãos: Jesus é Boa Notícia e caminho de libertação para todos os povos; ele é também o paradigma da responsabilidade missionária da Igreja: sair do estreito âmbito dos seus interesses e sua cultura para ser presença consoladora e libertadora para todas as pessoas e povos.

 (Itacir Brassiani msf)

Reflexão do Papa Francisco

“Os processos de pacificação não podem prescindir do diálogo entre os guardiões da memória (os idosos) e aqueles que fazem avançar a história (os jovens), como não é possível prescindir da disponibilidade de um dar espaço ao outro, sem preocupar-se com os seus interesses imediatos. A crise global que vivemos mostra-nos, no encontro e no diálogo entre as gerações, a força motora duma política sã, que não se contenta em administrar o existente com remendos ou soluções rápidas”. (Mensagem para o Ano Novo 2022, nº 2)

Leitura Orante do Evangelho

A Leitura Orante da Palavra de Deus é um exercício para iluminar e para fecundar nossa vida cotidiana com a Palavra de Deus. Pode ser feita individualmente ou em família, em grupo ou em comunidade.

O Papa Bento XVI diz que “ouvir juntos a Palavra de Deus, praticar a Lectio Divina, deixar-se surpreender pela novidade do Evangelho, superar a surdez àquilo que não está de acordo com nossas opiniões ou preconceitos, é um caminho para alcançar a unidade da fé, como resposta à escuta da Palavra”.

Em tempos nos quais o amor ao próximo e a precaução com a saúde impõem restrições à convivência e à movimentação social, a Leitura Orante é um modo de ir além da simples assistência de celebrações virtuais e uma forma evitar que este seja um tempo pesado e estéril.

Os textos propostos aqui são aqueles indicados pela Igreja para a liturgia diária. Pessoas e grupos que desejarem, podem escolher outros textos, desde que tenham uma sequência, seja preparado um roteiro e se evite escolher apenas os textos que agradam mais.

Que a Palavra de Deus encontre em cada um/a de nós um terreno fecundo, e, mesmo nesses tempos inesperadamente difíceis, produza bons e abundantes frutos para a vida do mundo.

Missionários da Sagrada Família

https://misafala.org/ | Passo Fundo/RS

(http://itacir-brassiani.blogspot.com/)