quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Evangelho dominical

NADA DISSO ENTRE NÓS


A caminho de Jerusalém, Jesus adverte os Seus discípulos do destino doloroso que O espera e aos que sigam os Seus passos. A inconsciência dos que o acompanham é incrível. Todavia hoje continua a repetir-se.
Tiago e João, os filhos de Zebedeu, afastam-se do grupo e aproximam-se sozinhos de Jesus. Não necessitam dos outros. Querem ficar com os lugares mais privilegiados e ser os primeiros no projeto de Jesus, tal como eles o imaginam. A sua petição não é uma súplica mas uma ridícula ambição: «Queremos que faças o que te vamos a pedir». Querem que Jesus os coloque acima dos outros.
Jesus parece surpreendido. «Não sabeis o que pedis». Não entenderam nada. Com grande paciência convida-os para a se perguntar se são capazes de partilhar o Seu destino doloroso. Quando se apercebem do que se passa, os outros dez discípulos enchem-se de indignação contra Tiago e João. Também eles têm as mesmas aspirações. A ambição os divide e eles se confrontam. A procura de honras e protagonismos rompe sempre a comunhão da comunidade cristã. Também hoje. Que pode ser mais contrário a Jesus e ao Seu projeto de servir a libertação das pessoas?
O fato é tão grave que Jesus «reúne-os» para deixar claro qual é a atitude que deve caracterizar sempre os Seus seguidores. Conhecem bem como atuam os romanos, «chefes dos povos» e «grandes» da terra: tiranizam as pessoas, submetem-nas e fazem sentir a todos o peso do seu poder. Pois bem, «vós não fareis nada disso».
Entre os Seus seguidores, tudo tem de ser diferente: «O que queira ser grande, seja servidor; e o que queira ser o primeiro, seja escravo de todos». A grandeza não se mede pelo poder que se tem, o cargo que se ocupa ou os títulos que se ostentam. Quem ambiciona estas coisas, na Igreja de Jesus, não se faz maior mas mais insignificante e ridículo. Na realidade, é um estorvo para quem quer promover o estilo de vida pretendido pelo Crucificado. Falta-lhe um traço básico para ser seguidor de Jesus.
Na Igreja todos temos de ser servidores. Temos de nos colocar na comunidade cristã, não de cima para baixo, desde a superioridade, o poder ou o protagonismo interesseiro, mas desde baixo desde a disponibilidade, o serviço e a ajuda aos outros. O nosso exemplo é Jesus. Não viveu nunca «para ser servido, mas para servir». Este é o melhor e mais admirável resumo do que Ele foi: servir.
José Antonio Pagola

VIGÉSIMO-NONO DOMINGO DO TEMPO COMUM (ANO B – 18.10.2015)

Nossa missão é anunciar um Servo, e não um Senhor!

Os episódios narrados no capítulo 10 do evangelho de Marcos sublinham um aspecto fundamental da vida cristã: a missão de anunciar e testemunhar Jesus Cristo deve ser sempre precedida e permanentemente sustentada pela atitude de discípulo e aprendiz. O Evangelho não é uma espécie de produto que precisa de publicidade, e a missão não se identifica com a simples expansão da Igreja. Evangelizar é, antes de tudo, fazer do Evangelho a regra fundamental do nosso viver, pautar nossa vida pelas opções de Jesus Cristo, pela atitude de serviço. E esta lição precisa ser sempre retomada.
No trecho do Evangelho que meditamos neste domingo, Marcos continua narrando a subida de Jesus para Jerusalém. Apesar da catequese particular e paciente de Jesus, os discípulos continuam resistentes e espantados frente a um messias humano, pobre e servidor. Nem mesmo o tríplice anúncio da prisão, condenação, tortura e morte consegue abrir a mente deles. “Os discípulos estavam espantados, e aqueles que iam atrás estavam com medo” (Mc 10,32). Um Deus despojado de poder não encontra lugar na ideologia deles. Eles não conseguem abandonar a idéia de que, apesar de tudo, Jesus seria vitorioso. A rejeição e o serviço seriam apenas uma etapa breve e passageira...
Mas o pior é que os discípulos alimentam a ambição de partilhar com Jesus as honras e benesses de uma esperada e fantasiosa vitória. “Quando estiveres na glória, deixa-nos sentar um à tua direita e outro à tua esquerda.” A indignação dos outros dez discípulos contra os irmãos Tiago e João revela que todos eles têm a mesma ambição. Eles não conseguem ver a caminhada a Jerusalém senão como uma marcha de subida ao poder. Não imaginam que à esquerda e à direita do mestre crucificado estariam dois ativistas rebeldes que sequer participavam do grupo dos discípulos...
O pedido explícito dos filhos de Zebedeu e a ambição oculta de todos os demais discípulos aborrecem Jesus. Ele tem a impressão de estar fracassando na sua missão de ensinar e educar. Por isso, Jesus fala com uma certa amargura: “Vocês não sabem o que estão pedindo. Por acaso vocês podem beber o cálice que eu vou beber? Podem ser batizados com o batismo que eu vou ser batizado?”  Mas nem mesmo este questionamento, que coloca os discípulos cara a cara com o martírio, é capaz de tirá-los do sonho de poder: eles respondem mentindo. E a Jesus só lhe resta falar com ironia...
Quando Jesus ensina que, em oposição ao que costumeiramente vemos e cremos, quem quiser ser grande deve tornar-se o servo, e quem quiser ser o primeiro deve ocupar o último lugar, não está falando de um certo sentimento de humildade, bem ao gosto dos prepotentes. O que ele pede é que nos situemos ao lado dos últimos e aceitemos ser considerados um nada, como as crianças e escravos, sem perturbarmo-nos com isso. A autêntica humildade é o reconhecimento da verdade sobre nós mesmos, pois quem se considera superior ou inferior aos outros sem sê-lo tem uma falsa imagem de si...
Mas ser como criança e assumir a postura de servo não tem nada a ver com ingenuidade, imaturidade ou auto-desprezo. O que Jesus propõe como valor é a sinceridade, a confiança radical, a liberdade frente às preocupações, a capacidade de maravilhar-se e alegrar-se com as surpresas da vida, a aceitação alegre da minoridade. A figura do Servo realizada radicalmente por Jesus tem pouco da passividade do cordeiro e muito de ativa profecia e de corajoso martírio. Ocupar o último lugar rima com a proclamação da dignidade dos pequenos e dos últimos e soa como incômoda profecia.
Fixemos nosso olhar em Jesus de Nazaré. Ele não desconhece nossos limites e a falência dos nossos intentos e, por isso, humano que é, se compadece das nossas fraquezas (cf. Hb 4,14-16). Sendo profeta do Reino e Servo dos últimos, Ele não guarda sua própria vida como um bem precioso, mas a esbanja inteiramente para pagar nossa liberdade. E é aqui que se esconde o segredo da sua fecundidade: como diz o profeta Isaías, é porque entrega sua vida e carrega os crimes dos outros que ele prolonga sua existência, e seu rosto adquire o brilho glorioso de uma verdade que liberta.
Jesus ne Nazaré, Servo perseguido,  Irmão amado e amável! Que teu amor esteja sobre nós, como em ti está nossa esperança. Tu és digno de crédito, porque vens ao nosso encontro em nossa humana carne. Assim, podemos aproximarmo-nos de ti com plena confiança. Mesmo conhecendo o barro do qual somos feitos e os sonhos humanos que nos tiram o sono, envia-nos como teus missionários. Ajuda-nos a proclamar com a vida e com a palavra a dignidade de todo humano ser e a nobreza de quem se faz servidor. E que nada nem ninguém nos roube o brilho dessa glória. Assim seja! Amém!

Itacir Brassiani msf
(Profeta Isaías 53,10-11 * Salmo 32 (33) * Carta aos Hebreus 4,14-16 * Evangelho de São Marcos 10,35-45)

Ambiçao x Serviço

Quem tem olhos não quer enxergar (Mc 10,35-45)


ABRIR OS OLHOS PARA VER
Esta reflexão traz a discussão dos discípulos pelo primeiro lugar. Pelo jeito, os discípulos continuavam cegos! Enquanto Jesus insistia no serviço e na doação, eles teimavam em pedir os primeiros lugares no Reino, um à direita e outro à esquerda do trono. Sinal de que a ideologia dominante da época tinha penetrado profundamente na mentalidade dos discípulos. Apesar da convivência de vários anos com Jesus, eles não tinham renovado sua maneira de ver as coisas. Eles olhavam para Jesus com o olhar antigo. Queriam uma retribuição pelo fato de seguir a Jesus. Vamos conversar  sobre isto.
COMENTANDO
1.   Marcos 10,35-37: O pedido pelo primeiro lugar
Os discípulos não só não entendem, mas continuam com suas ambições pessoais. Tiago e João pedem um lugar na glória do Reino, um à direita e outro à esquerda de Jesus. Querem passar na frente de Pedro! Não entenderam a proposta de Jesus. Estavam preocupados só com os próprios interesses. Isto reflete a briga e as tensões que existiam nas comunidades no tempo de Marcos, e que existem até hoje nas nossas comunidades.
2.   Marcos 10,38-40: A resposta de Jesus
Jesus reage com firmeza: "Vocês não sabem o que estão pedindo!" E pergunta se eles são capazes de beber do cálice que ele, Jesus vai beber e se estão dispostos a receber o batismo que ele vai receber. É o cálice do sofrimento, o batismo de sangue! Jesus quer saber se eles, em vez do lugar de honra, aceitam entregar a vida até a morte.
Os dois respondem: "Podemos!" Parece uma resposta da boca para fora, pois, poucos dias depois, abandonaram Jesus e o deixaram sozinho na hora do sofrimento (Mc 14,50). Eles não têm muita consciência crítica, nem percebem sua realidade pessoal. Quanto ao lugar de honra no Reino ao lado de Jesus, quem o dá é o Pai. O que ele, Jesus, tem para oferecer é o cálice e o batismo, o sofrimento e a cruz.
3.   Marcos 10,41-44: Entre vocês não seja assim
Neste final da sua instrução sobre a cruz, Jesus fala, novamente, sobre o exercício do poder (cf. Mc 9,33-35). Naquele tempo, os que detinham o poder, não prestavam contas ao povo. Agiam conforme bem entendiam (cf. Mc 6,17-29). O Império Romano controlava o mundo e o mantinha submisso pela força das armas, e, assim, através de tributos, taxas e impostos, conseguia concentrar a riqueza dos povos na mão de poucos lá em Roma. A sociedade era caracterizada pelo exercício repressivo e abusivo do poder. Jesus tem outra proposta. Ele diz: "Entre vocês não deve ser assim! Quem quiser ser o maior, seja o servidor de todos!" Ele traz ensinamentos contra os privilégios e contra a rivalidade. Inverte o sistema e insiste no serviço como remédio contra a ambição pessoal.
4.   Marcos 10,45: O resumo da vida de Jesus
Jesus define a sua missão e a sua vida: "Não vim para ser servido, mas para servir!" Veio para dar sua vida em resgate para muitos. Ele é o Messias Servidor, anunciado pelo profeta Isaías (cf. Is 42,1-9; 49,1-6; 50,4-9; 52,13-53,12). Aprendeu da mãe que disse: "Eis aqui a serva do Senhor!" (Lc 1,38). Proposta totalmente nova para a sociedade daquele tempo.
ALARGANDO
A fé é uma força que transforma as pessoas
A Boa Nova do Reino anunciada por Jesus era como um fertilizante. Fazia crescer a semente da vida que estava escondida no povo, escondida como fogo em brasa debaixo das cinzas das observâncias sem vida. Jesus soprou nas cinzas e o fogo acendeu, o Reino desabrochou e o povo se alegrou. A condição era sempre a mesma: crer em Jesus.
Mas quando o medo toma conta, a fé desaparece e a esperança se apaga. Na hora da tempestade, Jesus reclamou da falta de fé dos discípulos (Mc 4,40). Eles não acreditavam, pois tinham medo (Mc 4,41). Por falta de fé dos moradores de Nazaré, Jesus não pôde fazer aí nenhum milagre (Mc 6,6). Aquele povo não quis acreditar, porque Jesus não era como eles queriam que ele fosse (Mc 6,2-3). Foi ainda a falta de fé que impediu os discípulos de expulsar "um espírito mudo" que maltratava um menino doente (Mc 9,17). Jesus os criticou: "Ó gente sem fé!" (Mc 9,19). E indicou o caminho para reanimar a fé: "Essa espécie de demônios não pode ser expulsa a não ser pela oração" (Mc 9,29).
Jesus estimulava as pessoas a ter fé nele e, por conseguinte, a criar confiança em si mesmas (Mc 5,34.36; 7,25-29; 9,23-29; 10,52; 12,34.41-44). Ao longo das páginas do Evangelho de Marcos, a fé em Jesus e na sua palavra aparece como uma força que transforma as pessoas. Ela faz receber o perdão dos pecados (Mc 2,5), enfrenta e vence a tempestade (Mc 4,40), faz renascer as pessoas e aciona nelas o poder de se curar e de se purificar (Mc 5,34). A fé consegue vencer a própria morte, pois a menina de 12 anos ressuscitou graças à fé de Jairo, seu pai, na palavra de Jesus (Mc 5,36). A fé faz o cego Bartimeu enxergar de novo: "Tua fé te salvou!" (Mc 10,52). Se você disser à montanha: "Atire-se ao mar!", ela vai cair no mar, contanto que você não duvide no coração (Mc 11,23-24). "Para quem tem fé tudo é possível!" (Mc 9,23). "Tende fé em Deus!" (Mc 11,22). Pelas suas conversas e ações, Jesus despertava no povo uma força adormecida que o próprio povo não conhecia. Assim, Jairo (Mc 5,36), a mulher do fluxo de sangue (Mc 5,34), o pai do menino epilético (Mc 9,23-24), o cego Bartimeu (Mc 10,52) e tantas outras pessoas, pela fé em Jesus, fizeram nascer vida nova em si mesmas e nos outros.
Mercede Lopes e Carlos Mesters 

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

VIGÉSIMO-OITAVO DOMINGO DO TEMPO COMUM (ANO B – 11.10.2015)

Partilhar os bens para seguir Jesus com mais liberdade.

A fé é uma caminhada, como o é também nossa eterna luta por um mundo melhor. É uma caminhada a pé e, por isso, quanto menos bagagem, melhor. A estrada do seguimento de Jesus, um caminho que conduz à realização mais profunda que um ser humano pode desejar, tem seu preço. Mas o caminho que nos leva ao Reino de Deus tem seu próprio pedágio, e quem assume sua missão no mundo precisa evitar a omissão e jamais pedir demissão. Longe de nos afastar das dores, tensões e buscas da história, a fé nos leva ao seu próprio coração. E isso supõe lucidez, coragem e generosidade.
O personagem anônimo apresentado pelo evangelho de hoje é paradigmático. Aparentemente não lhe falta fervor religioso: corre ao encontro de Jesus, ajoelha-se respeitosamente diante dele, chama-o de bom mestre... Mas Jesus começa jogando um pouco de água fria no fervor superficial e no orgulho oculto daquele homem. “Só Deus é bom, e ninguém mais.” Depois, remete ao conhecido caminho dos mandamentos: cita cinco sinais que proíbem passagens perigosas e uma que mostra a direção obrigatória. O candidato a discípulo responde, muito seguro de si: “Mestre, desde jovem tenho observado todas essas coisas.” Refratário às estradas, ele sempre frequentara os genuflexórios...
Para este homem piedoso e rico, a fé não é um caminho a ser percorrido, mas um porto seguro e já alcançado, uma aquisição garantida pela moeda da piedade superficial e das leis mesquinhas, centrada nos próprios méritos e indiferente à sorte dos outros. Nem mesmo a referência que Jesus faz ao mandamento de não roubar consegue inquietá-lo. É a típica pessoa de consciência absolutamente tranquila, imperturbável. Seu único desejo é ser reconhecido e aplaudido como bom e irreprensível. Mas Jesus entra como um terremoto no tranquilo status deste postulante à santidade.
O amor de Jesus por este homem que parece tão correto e piedoso não o impede de perceber uma grande lacuna: “Falta só uma coisa para você fazer: vá, venda tudo, dê o dinheiro aos pobres, e você terá um tesouro no céu. Depois, venha e siga-me.” Para Jesus, as práticas de piedade e o cumprimento dos mandamentos não atingem sua meta enquanto não nos abrem à partilha e à solidariedade e não nos colocam livres e nus no caminho da cruz. Em outras palavras, a questão que Jesus coloca é a seguinte: qual é teu verdadeiro tesouro? Em que puseste tua confiança?
A reação do homem aparentemente exemplar revela o que ele considerava realmente importante: o reconhecimento público como alguém perfeito e superior ao comuns dos mortais; o capital que ele havia acumulado e que lhe conferia um poder nada desprezível numa Palestina espoliada. Pedindo que ele venda seus bens, Jesus não está propondo a pobreza como tal, como se lhe agradasse um estilo de vida pauperístico. Ele pede que os bens cumpram sua finalidade legítima: atender solidariamente as necessidades das pessoas humanas, e nada mais.
Diante das palavras de Jesus, o homem fica abatido e vai embora cheio de tristeza, porque é muito rico. Seu desejo de uma vida humanamente madura e profunda não é tão forte quanto seu amor pelos bens que acumula. Essa atitude faz Jesus murmurar desconsolado: “Como é difícil para os ricos entrar no Reino de Deus!” E acrescenta, para escândalo dos discípulos: “É mais fácil passar um camelo pelo buraco de uma agulha, do que um rico entrar no Reino de Deus!” E não adianta querer superar este escândalo diminuindo o tamanho do camelo ou aumentando as dimensões do buraco da agulha...
Apego às riquezas e seguimento de Jesus Cristo não se conjugam. Quando colocamos nossa segurança nas bens, parece-nos difícil empreender travessias. A casa das nossas honras e conquistas nos parece mais segura, e acabamos pensando que os pobres devem sair da miséria com suas próprias forças e meios, cumpir suas obrigações e deixar de exigir direitos. Vender os bens e dar o dinheiro aos pobres é apenas uma etapa, e prepara a opção decisiva: seguir Jesus no enfrentamento das armas ideológicas da morte, na missão de em tudo e sempre amar e servir. “Depois, venha e siga-me...”
Jesus de Nazaré, missionário enviado pelo Pai para nos conduzir à vida plena! Dá-nos uma mente sábia, que aprecie mais a vida que os bens e valorize mais a liberdade que os prêmios das loterias e cargos políticos. Desperta em nossas comunidades a capacidade de ler responsavelmente a história, de identificar nela os problemas, aspirações e esperanças dos pobres e oprimidios. Suscita e sustenta na tua Igreja a coragem e a liberdade feminina de Teresa de Avila, o testemunho martirial de João Bosco Penido Burnier e o sonho missionário do Pe. Berthier. Assim seja! Amém!

Itacir Brassiani msf
(Livro da Sabedoria 7,7-11 * Salmo 89 (90) * Carta aos Hebreus 4,12-13 * Evangelho de S. Marcos 10,17-30)

O evangelho dominical

UMA COISA NOS FALTA

O episódio é narrado com intensidade especial. Jesus põe-se a caminho para Jerusalém, mas antes que se afaste daquele lugar, vem um desconhecido chega correndo e «cai de joelhos» ante Ele para retê-Lo. Necessita urgentemente de Jesus.
Não é um doente que pede a cura. Não é um leproso que, desde o chão, implora compaixão. A sua petição é de outra ordem. O que ele procura naquele mestre bom é luz para orientar a sua vida: «Que farei para herdar a vida eterna?». Não é uma questão teórica, mas existencial. Não fala em geral; quer saber que tem de fazer pessoalmente.
Antes de mais nada, Jesus recorda-lhe que «não há nada que seja melhor que Deus». Antes de considerarmos o que temos de «fazer», temos de saber que vivemos ante um Deus Bom como ninguém: na Sua bondade insondável temos de apoiar a nossa vida. Depois, recorda-lhe «os mandamentos» desse Deus Bom. Segundo a tradição bíblica, esse é o caminho para a vida eterna.
A resposta do homem é admirável. Tudo isso ele cumpriu desde pequeno, mas sente dentro de si uma aspiração mais profunda. Está à procura de algo mais. «Jesus olha-o com carinho». O Seu olhar expressa a a relação pessoal e intensa que quer estabelecer com ele.
Jesus entende muito bem a sua insatisfação: «uma coisa te falta». Seguindo essa lógica de «fazer» o que se manda, «obter» a vida eterna, mesmo que se viva de forma íntegra, não ficará plenamente satisfeito. No ser humano há uma aspiração mais profunda.
Por isso, Jesus convida-o a orientar a sua vida segundo uma lógica nova. Em primeiro lugar é não viver agarrado aos seus bens («vende o que tens»). O segundo, é ajudar os pobres («dá-lhes o teu dinheiro»). Por último, «vem e segue-me». Os dois poderão percorrer juntos o caminho para o reino de Deus (!).
O homem levanta-se e afasta-se de Jesus. Esquece o Seu olhar carinhoso e parte triste. Sabe que nunca poderá conhecer a alegria e a liberdade de quem segue Jesus. Marco explica-nos que «era muito rico».
Não é esta a nossa experiência de cristãos satisfeitos dos países ricos? Não vivemos presos pelo bem-estar material? Não lhe falta à nossa religião o amor prático aos pobres? Não nos falta a alegria e liberdade dos seguidores de Jesus?
José Antonio Pagola

domingo, 4 de outubro de 2015

A tragédia do século?

OS REFUGIADOS

Na rota dos ventos está definido
Quem invade será invadido.
São levas de imigrantes.
Refugiados, antes de mais nada.
Maré humana advinda de terra arrasada.

Trazem o passaporte para a morte
nas embarcações do desespero.
Trágica maratona, êxodo por mares,desfiladeiros.
A Europa é uma bóia.

Quem não lhe alcança integra o cardume
da legião de náufragos do mar Mediterrâneo.
Eles trazem nas mãos o Corão, o idioma
e seus sucedâneos.

E são crianças, mulheres e velhos
encurralados entre fronteiras exatas.
E corpos que chegam às praias ou são descobertos
entre entulhos, sucatas.

Por cadeias televisivas discursam estadistas, ministros.
Enquanto um novo século retira suas máscaras
e revela ao mundo seu rosto sinistro.

Luiz Coronel

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Deus uniu mesmo?!

O que Deus uniu, o homem não deve separar (Mc 10, 2-16)

Durante a caminhada d’Ele rumo a Jerusalém, onde o poder central religioso-político vai condená-Lo à morte, no intuito de acabar não somente com a pessoa d’Ele, mas com o seu projeto, Jesus, no texto de hoje, entra primeiro em controvérsia com os fariseus, os guardiães da prática fiel da Lei. Esses, que gozavam de muito prestígio diante da população mais simples, se outorgavam o direito de serem os únicos intérpretes autênticos da vontade de Deus, através da sua interpretação da Lei. Por isso entram em conflito com Jesus, não na busca de conhecer melhor a vontade do Pai, mas, como ressalta o texto “para tentá-lo” (v. 2). O campo de batalha escolhido era o debate sobre o divórcio. O texto de referência para eles era Dt 24, 1-4, onde não se trata da legitimidade do divórcio, mas, dos critérios para que possa acontecer.
O Evangelho de Mateus, no capítulo 19, deixa mais claro do que Marcos o sentido do debate (veja Mt 19, 1-9). O pano de fundo eram os critérios necessários para que um homem pudesse divorciar a sua mulher (nem se cogitava a mulher pudesse divorciar o marido, pois a mulher era considerada “objeto” que pertencia ao homem!). No tempo de Jesus havia duas tendências, simbolizadas pelas escolas rabínicas dos grandes fariseus Hillel e Shammai. Uma escola, mais laxista (Hillel), ensinava que se podia divorciar a mulher por qualquer motivo, mesmo dos mais banais. A escola mais rigorosa - do Shammai - só permitia o divórcio por motivos muito sérios. Por isso, em Mateus a pergunta se define melhor: “é permitido divorciar a mulher por qualquer motivo que seja?” (Mt 19, 4).
Em ambos os evangelhos, Jesus se recusa a entrar no debate de casuística que cercava a questão e se limita a reafirmar o projeto do Pai para o casamento: “Portanto, o que Deus uniu o homem não deve separar”. Jesus reafirma com toda firmeza o ideal do casamento cristão - uma união permanente, baseada no amor, e fortalecida pela graça do sacramento. Seria inútil buscar nesse trecho uma teologia mais desenvolvida do casamento, muito menos orientações pastorais para os problemas práticos de casamentos malsucedidos, pois, isso não foi a intenção do autor. Marcos simplesmente reafirma o princípio de que “o que Deus uniu, o homem não deve separar”. Deixa em aberto a questão de quando é que Deus realmente uniu o casal! Será que, só porque passaram por uma cerimônia validamente celebrada na igreja, um casal é necessariamente unido por Deus? Os problemas reais são muito mais complexos, angustiantes e difíceis de serem solucionados.
O trecho continua com a questão das crianças. A questão aqui não é a criança como símbolo da inocência, mas de dependência. As crianças e os que se assemelham com elas vivem essa situação de dependência, de “sem-poder”. Quem quer entrar no Reino de Deus terá que abrogar-se de todo poder dominador, tornando-se como criança.
Recusando-se a aceitar a situação em que a mulher era simples objeto de posse do homem e assim passível de ser divorciada, e propondo o fraco e dependente como modelo em uma sociedade que valorizava o prepotente, Jesus mostra que os valores do Reino de Deus estão na contramão dos valores da sociedade do seu tempo - e de hoje. Propõe uma igualdade de dignidade entre homem e mulher, uma fidelidade e compromisso permanentes, e a busca de uma vida de serviço e não de dominação! Realmente, uma proposta no contra fluxo da sociedade pós-moderna que nega o permanente, perpetua o machismo e admira o poderoso e dominador! O texto de hoje nos convida para que entremos “com Jesus na contramão” e para que criemos uma sociedade baseada em outros valores do que os que estão hoje em vigor, às vezes até no seio das próprias igrejas.
Thomas Hughes

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

O Evangelho dominical

ACOLHER OS PEQUENOS


O episódio parece insignificante. No entanto, contém um fundo de grande importância para os seguidores de Jesus. Segundo o relato de Marcos, alguns procuram aproximar de Jesus umas crianças que estão por perto. O único que pretendem é que aquele homem de Deus lhes possa tocar para comunicar-lhes algo da Sua força e da Sua vida. Ao que parece, era uma crença popular.
Os discípulos aborrecem-se e procuram impedir. Pretendem levantar um muro em torno de Jesus. Atribuem-se o poder de decidir quem pode chegar até Jesus e quem não pode. Interpõem-se entre Ele e os mais pequenos, frágeis e necessitados daquela sociedade. Em vez de facilitar o seu acesso a Jesus, obstaculizam-no.
Esqueceram-se já do gesto de Jesus que, uns dias antes, colocara no centro do grupo uma criança para que aprendessem bem que são os pequenos os que hão de ser o centro de atenção e cuidado dos Seus discípulos. Esqueceram-se de como o abraçara diante de todos, convidando-os a acolher em Seu nome e com o Seu mesmo carinho.
Jesus indigna-se. Aquele comportamento dos Seus discípulos é intolerável. Aborrecido, dá-lhes duas ordens: «Deixai que as crianças se aproximem de Mim. Não o impeçam». Quem os ensinou a actuar de uma forma tão contrária ao Seu Espírito? São, precisamente, os pequenos, débeis e indefesos, os primeiros que hão de ter aberto o acesso a Jesus.
A razão é muito profunda pois obedece aos desígnios do Pai: «Dos que são como eles é o reino de Deus». No reino de Deus e no grupo de Jesus, os que incomodam não são os pequenos, mas os grandes e poderosos, os que querem dominar e ser os primeiros.
O centro da Sua comunidade não pode estar ocupado por pessoas fortes e poderosas que se impõem aos outros desde cima. Na Sua comunidade necessita-se de homens e mulheres que procuram o último lugar para acolher, servir, abraçar e abençoar os mais frágeis e necessitados.
O reino de Deus não se difunde com a imposição dos grandes mas através da acolhida e da defesa dos pequenos. Onde estes se convertem no centro da atenção e cuidado, aí está chegando o reino de Deus, a sociedade humana que quer o Pai.
José Antonio Pagola

quarta-feira, 30 de setembro de 2015

VIGÉSIMO-SÉTIMO DOMINGO DO TEMPO COMUM (ANO B – 04.10.2015)

“E que nada no mundo separe um casal sonhador!...”

Não é bom que a pessoa humana viva sozinha: isso está inscrito no mais profundo do nosso ser. E uma das formas de evitar o isolamento e de promover a socialização é o matrimônio. Antes de ser um sacramento ou uma instituição, o matrimônio é uma realidade antropológica: duas pessoas, geralmente homem e mulher, sentem-se atraídos um pelo outro e selam uniões que recebem diversos nomes, conforme a linguagem e a cultura que as batiza, mas diferem amplamente em relação às obrigações recíprocas que estabelecem.
A história concreta deste dinamismo que se torna vínculo é, porém, como uma rosa com espinhos abundantes. Muito antes e para além da dolorosa tragédia da separação, conhecemos o exercício violento da dominação do mais forte sobre o mais fraco, a violência física e moral, a exploração despudorada e ilimitada do corpo do outro, a dependência costurada com os fios nada dourados da ameaça. As separações que, infelizmente, crescem em número com o passar do tempo, são apenas uma das faces da falência que pode se abater sobre as relações matrimoniais.
Quando os fariseus, com o ardiloso objetivo de questionar a prática libertária de Jesus, perguntam  se a lei permite que um homem se divorcie da sua mulher, querem fundamentalmente garantir os direitos de uma das partes: a parte masculina, a mais forte. Todos sabiam o que dizia a tradição: “Quando um homem se casa com uma mulher e consuma o matrimônio, se depois ele não gostar mais dela, por ter visto nela alguma coisa inconveniente, escreva para ela um documento de divórcio e o entregue a ela, deixando-a sair de casa em liberdade” (Dt 24,1).
Jesus sabe perfeitamente que a lei de Moisés é androcêntrica e patriarcal. Para abandonar a mulher bastava não gostar mais dela, ou encontrar nela algo de inconveniente. Por isso, Jesus situa a lei no seu contexto original: diante da fraqueza e da maldade dos homens, Moisés tentou ao menos dar um salvo-conduto à mulher abandonada pelo marido. “Foi por causa da dureza do coração de vocês que Moisés escreveu esse mandamento.” Mas este não é o projeto original e atual de Deus, para quem  “eles já não são dois, mas uma só carne”. Portanto, “o que Deus uniu, o homem não deve separar.”
Entretanto, Jesus reconhece que as separações são um fato, muitas vezes doloroso e trágico, no qual as responsabilidades e os direitos precisam ser divididos igualmente por ambas as partes. É correto repetir, que nada e ninguém deve separar aqueles que Deus uniu mediante o amor, mas é preciso também reconhecer que nunca deveríamos marcar com o selo da lei ou do sacramento decisões imaturas e baseadas em tudo menos no amor. Movidos por um comodismo irresponsável, podemos criar facilidades que colocam as pessoas numa gaiola cujas chaves estão nas nossas mãos...
Não seria tempo de superar o moralismo mórbido que pensa que a falência de um matrimônio sempre se deve à maldade culpável de alguém, de admitir que existem casamentos que não têm caráter sacramental nenhum, que são como cadáveres que esperam autópsia e sepultura? Não seria urgente desmascarar o legalismo virulento que isola e cristaliza uma frase de Jesus como lei imutável e relativiza o restante da vida e da prática do mesmo Jesus? Quando Paulo diz que Jesus não se envergonha de nos reconhecer como irmãos e irmãs, está se referendo apenas aos ‘bem-casados’?
Depois de responder aos fariseus e de aprofundar com os discípulos a questão do casamento e do divórcio, algumas crianças são apresentadas a Jesus. A dominação e as barreiras impostas às crianças irritam-no. Quando determina que ninguém impeça que as crianças se aproximem dele, Jesus está enfatizando que Deus não despreza nem violenta os mais fracos, como alguns o fazem, inclusive em nome de frias doutrinas e leis pouco cristãs. Como antes havia defendido as mulheres diante do direito que pendia para o lado dos homens, agora acolhe e abençoa as primeiras vítimas dos relacionamentos fracassados. “Deixem que as crianças venham a mim, e não as impeçam de fazê-lo!...”
Jesus de Nazaré, irmão das vítimas e defensor dignidade de todo ser humano: também hoje, mulheres e crianças são dominadas, desprezadas e violentadas. Ajuda-nos a descobri-las como chave que dá acesso ao teu Reino, a entender que ninguém se torna cidadão do teu Reino a partir do centro ou de cima, mas desde baixo e da periferia, acompanhando aqueles que não contam. Que as crianças aprendam isso enquando sorvem o leite no seio da mãe e são carregadas nos ombros de um pai. Confirma e sustenta nossas comunidades e famílias cristãs nesta bela e irrenunciável missão. Assim seja! Amém!

Itacir Brassiani msf
(Livro do Gênesis 2,18-24 * Salmo 127 (128) * Carta aos Hebreus 2,9-11 * Evangelho de São Marcos 10,2-16)

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Formadores MSF em Roma

Como formar bons e atualizados missionarios?
O Encontro/Curso dos Formadores da Congregação prossegue, aqui em Roma.  Aqui vão mais algumas informações, obviamente com o filtro e os limites da minha percepção.
Na sexta-feira, o nosso estimado Pe. Egon nos brindou com duas belíssimas e profundas reflexões: “O perfil de um irmão entre os irmãos: a vida comunitária na congregação dos missionários da Sagrada Família”; “Como desenvolver no Missionário da Sagrada Família o perfil de um homem simples e humilde”. Quem conhece o Pe. Egon sabe da simplicidade e sensatez com que expõe suas provocações... Depois de cada reflexão, trazendo sempre aspectos das Constituições e palavras do Pe. Berthier, ele nos propôs questões para a reflexão em grupos.
No sábado pela manhã, tocou a mim a tarefa de apresentar mais uma vez as Linhas para a Formação da Congregação, aprovadas em 2011. Privilegiei a genealogia da elaboração do documento, seus elementos dinamizadores e iluminadores, e o conteúdo de cada uma das partes. Nos trabalhos em grupo foi possível perceber como, depois de quatro anos, essas linhas ainda são pouco conhecidas e menos ainda levadas em conta na prática e no planejamento da formação nas diversas Províncias. Na parte da tarde, o Pe. Agustino Purnama, responsável pela formação e coordenador do grupo de reflexão para a formação, encaminhou um trabalho pessoal e em grupo sobre a nossa experiência como formadores.
O domingo foi um dia de folga nos estudos. Depois da celebração e do café da manhã, todos se deslocaram a Roma. Inicialmente, aqueles que quiseram, fizeram um breve passeio pela cidade. Às 14:00, saborearam, na Casa Geral, um suculento churrasco “italo-gaúcho”, preparado pelos coirmãos Julio César, Lotário e Patrice. Entretanto, o Volimar, o Marcelo, o Iranjunio, o Thiago preferiram uma peregrinação a Assis. Eu os acompanhei como guia... Saímos de Roma, de trem, às 8:00 e chegamos de volta às 21:00. A inspiração do Irmão Universal compensou o cansaço.
Hoje, dia em que celebramos 120 anos da fundação da Congrergação, iniciamos com uma bela celebração de ação de graças. Os trabalhos do dia foram confiados a mim. Na parte da manhã, procurei responder à seguinte questão, apresentada pela Comissão de Formação: Como desenvolver nos formandos a atitude de peregrinos na fé, de pessoas em constante busca de Deus? Abordei a questão numa perspectiva teológica (a primazia de Deus e do seu reino; o dom recebido deve se tornar dom partilhado; a conversão ao evangelho do Reino; a vida pessoal a serviço de Deus e do povo de Deus) e numa perspectiva pedagógica (escuta e meditação da Palavra de Deus; discernimento dos sinais dos tempos; oração pessoal e comunitária; acompanhamento espiritual; revisão pessoal e comunitária de vida). Seguiu-se trabalho em grupos e partilha no plenário.
Na parte da tarde, a questão era outra: Como ajudar os formandos a se tornarem próximos e servidores daqueles que estão longe? Segui o mesmo esquema, divindo a resposta em aspectos teológico-espirituais (encarnação e compaixão; testemunho de vida fraterna; diálogo, anúncio e serviço; formar a única família do Pai) e sugestões prático-pedagógicas (formar comunidades apostólicas na e para a missão;  sintonia com a história e discernimento dos seus sinais; experiências e laboratórios pastorais; inserção nos ministérios prioritários). Esta reflexão também foi seguida de um trabalho em grupos e de plenário.
É claro que o almoço foi especialmente festivo... À noite, depois da janta, simples e nobre, tivemos um Conveniat, com apresentações artísticas de todos os países dos quais viemos. Um encontro não se faz somente com estudos, e a congregacionalidade é exercitada e cultivada em momentos como estes, nos quais celebramos nossa história e nos damos tempo para conviver. Mas isso não me impede de registrar uma observação muito pessoal: é grande e geral a dificuldade de passar da doutrina e dos princípios gerais para as práticas e intervenções pedagógicas, das velhas práticas de piedade a práticas inovadoras e transformadoras.

Itacir msf