Quem pratica o
Evangelho é da família de Jesus
1212 | Tempo Comum | Semana XXV | Terça | Lucas 8,19-21
Os três versículos
de hoje estão inseridos numa seção literária maior, na qual Jesus sublinha a importância de ouvir
corretamente o Evangelho do Reino. Noutros textos ele sublinha que escutar
a Palavra de Deus implica em guardá-la, praticá-la, fazê-la frutificar na vida
(cf. 6,46-49; 11,27-28). Esta palavra de
Deus compreende o conjunto do antigo testamento, assim como a vida e o
ensinamento de Jesus. Maria já fora apresentada pelo evangelista como a ouvinte
e servidora da Palavra de Deus.
No breve texto de hoje, Lucas nos
informa que Jesus está ensinando seus
discípulos e o povo, e que sua mãe e seus irmãos se aproximam dele, mas não
conseguem chegar perto por causa da multidão. Podemos imaginar que também eles,
especialmente a mãe, querem ouvi-lo e aprender como acolher a novidade
revolucionária do Reino de Deus. Então, um mensageiro avisa Jesus da chegada
dos seus familiares.
“Tua mãe e teus irmãos estão aí
fora e querem te ver”, diz o mensageiro a Jesus. Sem ressentimento em relação a
ninguém, e mostrando profundo apreço àqueles que o circundam e escutam, Jesus dá uma resposta um pouco estranha,
com aparência de desprezo à sua própria mãe. Ele afirma claramente que seus
irmãos e sua mãe são as pessoas que ouvem a Palavra de Deus e a põem em
prática. É a escuta e a prática do
Evangelho do Reino que cria e sustenta a relação com ele.
Os
discípulos são sua grande e nova família, e
a escuta e a prática da Palavra de Deus é o dinamismo que a congrega. Para
Jesus, as exigências dessa Palavra são claras: relacionamento fraterno e
igualitário; perdão recíproco; prioridade aos pequenos e pobres; superação dos
estreitos laços de sangue, de nação e de etnia; tratamento dos últimos como
primeiros. Não é possível ser discípulo
e ignorar ou menosprezar estes imperativos.
Jesus
não se deixa prender por laços de sangue, nem cai na tentação de formar guetos
ou seitas fechadas. Ele propõe uma
mudança profunda e total nas relações humanas, sociais, espirituais e
políticas, e nem as relações familiares ficam de fora. Também a família
deve entrar na lógica do reino de Deus. É claro que podemos imaginar, sem
perder o foco, que Maria e os parentes que a acompanham se agregarão, pouco a
pouco, ao círculo daqueles que “ouvem a palavra de Deus e a põem em prática”.
Mas, não esqueçamos: os laços de sangue
não estão acima do vínculo de fé.
Sugestões para a meditação
Retome a breve cena, procurando interagir com a mãe
e os irmãos de Jesus; o mensageiro; a atitude e a palavra de Jesus; os discípulos
que o circundam
Como você vive concretamente a relação entre os
vínculos familiares e os vínculos com Jesus e com a comunidade?
Como está a escuta e a prática – sua, da sua
família e da sua comunidade – da Palavra de Deus, especialmente neste mês?
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