sábado, 26 de setembro de 2026

Sim ou não?

Que nossa fé seja firme, duradoura e amorosa

1217 | Tempo Comum | Semana XXVI | Domingo | Mateus 21,28-32

Jesus está em Jerusalém, no espaço do templo, e discute enfaticamente com a elite religiosa e social (chefes dos sacerdotes e anciãos). Esta é a primeira de três parábolas que Jesus dirige à elite religiosa que o persegue, nas imediações do templo, destino de todas as romarias populares, em Jerusalém. Ele começa com uma pergunta, convocando os interlocutores a tomarem posição, e é Jesus mesmo quem propõe uma interpretação da parábola.

A ênfase da parábola está claramente colocada na figura do pai e na prática concreta da sua vontade. Os dois filhos mencionados na parábola são personagens que correspondem, por um lado, aos pecadores, que aceitam a pregação de João Batista e de Jesus e se tornam discípulos, e, por outro lado, à elite religiosa, que se fecha tanto a João como a Jesus. Ambos são chamados a trabalhar na vinha. Um se nega, mas depois vai; o outro responde sim, e depois não faz nada.

A interpretação de Jesus não deixa dúvidas. Convocados a emitir um juízo sobre a atitude contrastante dos personagens, os sacerdotes e anciãos se autocondenam. A sentença de Jesus é clara e provocadora: os cobradores de impostos e as prostitutas (dois grupos sociais catalogados pelos judeus piedosos entre os piores pecadores) precedem (no presente!) a elite religiosa no Reino de Deus, porque aceitaram o caminho da justiça e da conversão pregado por João. A elite, em vez disso, não acreditou em João, e, nem mesmo vendo o testemunho deles, mudou de atitude.

Nossa adesão à vontade do Pai deve ser firme e duradoura, e precisa ser demonstrada em ações concretas. Trata-se de um “caminho de justiça”, ou seja, de ação coerente com a pauta de justiça, solidariedade e transformação do Reino de Deus. E jamais podemos esquecer que a lógica de Deus não coincide necessariamente com a nossa. Os pensamentos de Deus costumam não coincidir com os nossos, dizem os profetas.

Como no texto que refletimos no último domingo, a ação de Deus em relação ao ser humano não se orienta pelo mérito, mas pela necessidade. Ele não dá a cada pessoa aquilo que ela merece, mas aquilo que ela necessita. A prática e o anúncio de Jesus questionam de forma radical a ideologia da meritocracia, que atribui o sucesso econômico unicamente ao mérito individual e cobre as vítimas e vulneráveis com os andrajos da incompetência e da culpa.

 

Sugestões para a meditação

Retome a cena e as orientações de Jesus no evangelho de hoje, com a avalanche de pregadores e fiéis que tem fome e sede de prosperidade, e não de justiça

Deixe-se surpreender pelo encontro com Jesus e com seu ensino e sabedoria, abandonando as expectativas de coisas grandes

Como você acolhe o caminho de despojamento solidário em favor da humanidade que Jesus viveu e nos propõe?

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