O seguimento de
Jesus deve ser livre e radical
1220 | Tempo Comum |
27ª Semana | Quarta | Lucas 9,57-62
A
caminho rumo de Jerusalém, onde se daria um confronto decisivo com as
autoridades religiosas, Jesus e seus
discípulos não haviam sido bem acolhidos por cidadãos de uma vila da Samaria
(cf. 9,51-56). Chateados, os discípulos
pensam em retaliação, mas Jesus simplesmente procura outro povoado. Pouco a
pouco, os discípulos percebem as exigências e consequências de seguir alguém
como Jesus.
Neste contexto, o
evangelista apresenta três situações
típicas de pessoas que se apresentam como candidatas ao seguimento de Jesus,
três diferentes experiências de encontro com ele. Um discípulo deve sempre
saber que seguir um mestre significa compartilhar seu estilo de vida, seu sonho
e seu destino. E Jesus é figura do
profeta incômodo, e vive uma vida de refugiado, itinerante, sem alianças
que possam-no proteger. E ele faz questão de deixar isso bem claro.
O primeiro exemplo típico de discípulo que Lucas nos
apresenta é o de uma pessoa que parece ter tomado a decisão de seguir Jesus sem
avaliar profundamente e sem pensar muito nas consequências. A ele, Jesus lembra
que a disponibilidade para seguir seus
passos supõe plena consciência e compromisso irrenunciável de partilhar o
destino de uma pessoa perseguida, sem nenhuma proteção ou promessa de
comodidade ou sucesso. “Sem eira nem beira”, diz-se em português.
O segundo exemplo é o de um discípulo que,
tendo sido chamado por Jesus, não percebe a necessidade de ruptura radical com
alguns costumes, e quer adiar a resposta para quando tiver cumprido suas
obrigações familiares. No terceiro
exemplo temos um discípulo que parece ceder à nostalgia, à dúvida e à
incerteza. Quem quer ser discípulo de
Jesus precisa morar no futuro, não no passado; buscar a novidade, não o que
sempre foi; olhar para a frente, não para trás.
Nas condições interpostas por Jesus a
estes três tipos de candidatos a discípulo temos o estatuto do discípulo consciente e maduro. Tendo descoberto o
tesouro do Reino de Deus, o discípulo
deixa tudo para viver novas relações e anunciar essa boa notícia sempre e em
todo lugar. O Reino de Deus é o projeto de Jesus, mas não há muito sentido
em apostar a vida num projeto. É o encontro e a relação com ele que dão sentido
a uma decisão que compromete e muda a vida.
Sugestões para a meditação
Que tipo de vínculos, apegos e medos limitam sua
entrega incondicional à vida nova inaugurada por Jesus e o Reino? O que Jesus
diria sobre eles?
Que iniciativas e passos você poderia dar para se
tornar um discípulo cada vez mais maduro e generoso de Jesus?
O que poderíamos fazer para que nossas comunidades
não se contentam em ser cumpridoras de preceitos e possam romper com práticas que
dificultam o Reino?
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