Somos enviados para anunciar
o Reino de Deus
1213 | Tempo Comum | Semana XXV | Quarta | Lucas 9,1-6
Hoje
somos convidados a meditar o episódio do envio
missionário do “grupo dos doze”. Estamos diante da crônica de uma nomeação solene, onde cada nome é citado
com ênfase. Isso acontece pouco antes de Jesus iniciar sua peregrinação a
Jerusalém, e sabemos que, entre o chamado (cf. 5,1-12) e o envio dos
discípulos, Jesus se dedica à formação diligente daqueles que doravante o
precederiam e u representariam.
Lucas não nos apresenta propriamente o conteúdo
doutrinal da missão, nem uma descrição pormenorizada das atividades, mas
nos oferece uma espécie de “estatuto da
missão” e descreve o estilo de vida daqueles que Jesus envia à sua frente.
O foco da missão é claramente pressuposto: o
anúncio do Reino de Deus, mostrando através de ações e sinais (curas e
exorcismos) que Deus chega para nos libertar de todas as escravidões. Jesus
envia seus escolhidos para fazer o mesmo que ele faz.
Quanto ao estilo de vida dos missionários, Jesus
enfatiza alguns poucos elementos: eles
devem ir a todo canto, fronteira ou periferia, sem demora e sem exclusões ou
omissões; não devem levar nada em termos de apoio poderoso e ostensivo, e
confiar plenamente na hospitalidade dos interlocutores; não devem esperar
sucesso ou reconhecimento pela missão realizada; precisam contar com a
incompreensão e a rejeição; por fim, precisam manter-se desapegado e livre de
tudo.
Sem prometer facilidades nem prosperidade a quem é enviado em seu
nome, Jesus assegura, entretanto, a mesma força e o mesmo dinamismo
que sustenta ele mesmo na missão que Pai lhe confiou. Lucas chama este
dinamismo de poder e autoridade. Mas
se trata de força e autoridade que brotam da fidelidade e da coerência de vida,
e têm como finalidade anunciar o Evangelho do Reino de Deus, acolher, curar e
libertar com eficácia, como faz o próprio.
O despojamento que Jesus pede dos seus enviados não significa desprezo pelos bens materiais
ou recursos culturais e tecnológicos, mas reforça a necessidade de
focalizar tudo no anúncio e no testemunho das novas relações suscitadas pelo
reino de Deus. Jesus também deixa claro que
não nos envia para multiplicar louvores e invocações, para simplesmente
purificar o coração, nem para ensinar doutrinas e impor uma certa moral. No
início, na meta e na prática da missão estão o anúncio de um novo tempo, e essa
nova era chamada Reino de Deus, é antecipada pelo testemunho.
Sugestões para a meditação
Coloque sua experiência de vida eclesial e social,
aquilo que você faz, sob a luz desse envio de Jesus
Em que consiste sua prática missionária? Qual é o
conteúdo e quais são os gestos? Eles traduzem uma boa notícia aos pobres e
sofredores?
Como está sua confiança na hospitalidade daqueles a
quem você é enviado em missão?
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