segunda-feira, 28 de setembro de 2026

Festa dos Arcanjos

Os Anjos simbolizam a proximidade de Deus

1219 | Arcanjos Miguel, Rafael e Gabriel | João 1,47-51

Celebramos hoje a festa dos Arcanjos Miguel, Gabriel e Rafael. Segundo a doutrina católica, os anjos e arcanjos são servidores e comunicadores de Deus. Santo Agostinho nos ensina que o substantivo “anjo” designa mais uma tarefa ou uma missão do que um ser ou uma natureza. Na liturgia eles estão juntos, têm tarefas complementares e não tem o protagonismo que algumas devoções atuais veiculam.

Na língua hebraica, o substantivo mal’ak (que traduzimos por anjo) designa o mensageiro de Javé, uma entidade que fala e age em seu nome. Mas as escrituras não distinguem claramente esse mensageiro do próprio Javé. A bíblia oscila entre a ideia de anjo como personalização da presença e da ação divina e como um ser autônomo. Em todos os casos, mesmo fazendo parte da doutrina da Igreja católica, os anjos e arcanjos não fazem parte da nossa profissão de fé (Credo Apostólico).

A cena e a Palavra do evangelho hoje estão no contexto do encontro de Jesus com os primeiros discípulos. Natanael, membro típico do povo de Israel, experimenta a escolhida e o amor de Jesus, apesar de sua ideologia milenarista. Sua profissão de fé e sua adesão a Jesus estão no horizonte da fé nacionalista do seu povo, e oferece o contexto adequado para a primeira autodeclararão de Jesus.

Apresentando-se como templo, casa ou comunicação de Deus com a humanidade, Jesus nos reporta à imagem da escada que Jacó viu em sonho, uma escada que ligava a terra ao céu (cf. Gn 28,11-17) e que o levou a reconhecer a presença de Javé naquele lugar aparentemente vazio de Deus. Recorrendo a essa passagem, Jesus fala de si como o Anjo do Pai, como o “lugar” ou a mediação da presença divina, como comunicação ou a relação permanente de Deus com a humanidade.

Acenando à imagem dos anjos que descem e sobem sobre o “Filho do Homem”, Jesus dá a entender que nele habita a glória ou o amor cuidadoso e fiel de Deus, e se apresenta como acesso contínuo e permanente a Deus. Jesus não está interessado em provar a existência de anjos, mas em mostrar que ele é essa presença e cuidado que os anjos querem significar. Nele encontramos Deus e Deus vem até nós.

 

Sugestões para a meditação

Que papel você atribui aos anjos no seguimento de Jesus Cristo e na construção do seu Reino, e o que você pede ou espera deles?

O que significa para nós hoje crer que Jesus é o “anjo” de Deus, o humano no qual Deus habita e se comunica de modo pleno e permanente com a Humanidade?

Como viver o encontro com Jesus e seu Evangelho como um caminho para superar nossas visões limitadas de Deus?

Que iniciativas poderíamos tomar para “preparar espaços para Jesus”, mas sem afastá-lo do caminho que o leva à Cruz?

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