Sede de sucesso e prosperidade ou de Justiça?
1216 | Tempo Comum | Semana XXV | Sábado | Lucas 9,43-45
Depois
do diálogo formativo e revelador de Jesus com seus discípulos (9,18-22), Lucas
descreve a transfiguração de Jesus e relata a cura de uma criança epilética
(cf. 9,23-42), passagens omitidas na sequência semanal porque são indicadas
para a solenidade da transfiguração. Nos três versículos de hoje, Jesus volta a falar aos discípulos sobre
seu destino como messias.
Como já vimos anteriormente,
quando o povo manifesta um certo consenso sobre sua identidade profética, Jesus faz questão de insistir no caminho da
paixão na cruz, manifestando sua certeza nada ingênua sobre o futuro. Como
os discípulos nada percebem e têm dificuldades de entender, Jesus pede que eles
“coloquem na cabeça” este seu anúncio. Jesus está, sim, na linha dos profetas,
mas a sua profecia não é exatamente a
mesma dos seus antecessores.
Jesus quer estimular
nos seus discípulos e discípulas a coragem frente às hostilidades que
seguramente enfrentariam, mas aqueles
que o seguem mais de perto continuam obcecados e iludidos com um messianismo
político e poderoso, e não conseguem entender nem aceitar o que Jesus lhes
diz, especialmente as consequências. Não há seguimento sem enfrentamento das
dificuldades, não há fidelidade ao Evangelho sem discernimento das exigências
das circunstâncias!
Com esse anúncio, e com
a sua insistência num messianismo de compaixão e despojamento, Jesus quer
“jogar um balde de água fria” no fogo do entusiasmo popular e nas aspirações
desencontradas dos seus próprios discípulos. Ele baixa a ideia de um messias glorioso para a de um messias
despojado, compassivo e contrário à violência. Os discípulos e discípulas
não entendem e têm medo de perguntar porque resistem a este caminho escolhido
por Jesus, que seria também o caminho deles. A dificuldade deles não é intelectual, mas espiritual.
Não é dificuldade de entender, mas resistência e recusa a aceitar.
Essa dificuldade é claramente ressaltada por Lucas nestes versículos. A ambição de sucesso e de prosperidade
deixa seus discípulos cegos e os aprisiona. Quando, ao se referir a si
mesmo, Jesus troca o substantivo “messias” por “filho do homem” não pretende
outra coisa senão desfazer essa ilusão que alimentam sobre ele, e preveni-los
em relação ao que os esperaria no futuro. Será
que nós assimilamos essa lição?
Sugestões para a meditação
Retome a cena e as orientações de Jesus no
evangelho de hoje, com a avalanche de pregadores e fiéis que tem fome e sede de
prosperidade, e não de justiça
Deixe-se surpreender pelo encontro com Jesus e com
seu ensino e sabedoria, abandonando as expectativas de coisas grandes
Como você acolhe o caminho de despojamento
solidário em favor da humanidade que Jesus viveu e nos propõe?
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