Jesus veio para dar
uma boa notícia aos pobres
956 | Tempo do Natal
| Lucas 4,14-22
Ontem refletimos sobre um trecho do evangelho de
Marcos. Hoje, Lucas nos apresenta o lançamento da atuação pública de Jesus. Na
sinagoga de Nazaré, diante dos seus familiares, conhecidos e demais
conterrâneos, Jesus apresenta uma espécie de manifesto apostólico e
missionário, ou seu programa de vida e de missão. Muita gente se reuniu para
ouvir o que tinha a dizer o ilustre filho de Nazaré.
Lucas
nos diz que Jesus já havia feito várias breves incursões missionárias, e sua
fama já havia se espalhado. Mas o evangelista faz questão de apresentar, com
destaque, a pregação inaugural que Jesus faz na sinagoga da sua própria terra.
Três elementos aparecem com ênfase e chamam a nossa atenção: a importância das
Escrituras; a prioridade dos pobres e oprimidos; o sentido de urgência.
Era
costume de Jesus ir à sinagoga, onde o povo se reunia para escutar a Lei e os
Profetas. Mas era também seu costume se apresentar para ler um trecho da
escritura sagrada do seu povo e buscar nela inspiração para seu viver. Por
isso, recebendo o livro do profeta Isaías, ele busca a passagem que dá sentido
e rumo à missão que está a iniciar. Que não passe pela nossa cabeça menosprezar
a Palavra de Deus, pois o próprio Jesus a buscou!
Jesus
entende a Palavra de Deus como uma “boa notícia” que deve chegar como realidade
concreta às pessoas mais vulneráveis e feridas: os pobres, os encarcerados, os
doentes, os oprimidos. Passa longe dele a ideia de que as Escrituras são apenas
uma lei que manda ou proíbe, que impõe culpas e penitências, que limita e fere
a vida. Por isso, Jesus busca no texto de Isaías o que melhor ilumina sua
missão. E a unção do Espírito o coloca a serviço da vida e da dignidade dos
últimos da escala social.
Ungido pelo Espírito de Deus, o
mesmo que pairou sobre ele no batismo e o sustentou no deserto, Jesus não se
resumo a anunciar notícias boas, mas genéricas e imprecisas. Ele sublinha que a
promessa de Deus em favor dos que sofrem é para aqui e agora. Ele mesmo é a Boa
Notícia, o Verbo de Deus em ação. Com ele se inaugura e está em ato o “ano da
graça”: perdão aos pecadores, acolhida aos marginalizados, emancipação aos
dominados. O tempo é agora, e não pode esperar.
Sugestões para a meditação
Releia o
texto lentamente, acompanhe o movimento dos personagens, escute atentamente as
palavras de Jesus
Procure
perceber e compreender o impacto que as palavras e gestos de Jesus tiveram
sobre os seus conterrâneos
Será que
nós – e nossas comunidades eclesiais – poderíamos usar as mesmas palavras de
Jesus para descrever nossa missão?
Você faz
parte das pessoas que se sentem incomodadas pela prioridade que Jesus dá aos pobres
e demais excluídas?
O que Jesus
faria e diria chegando à sua comunidade ou ao seu bairro na situação em que
vivem as pessoas?
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