sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

Batismo de Jesus

O ESPÍRITO BOM DE DEUS

Jesus não é um homem vazio nem disperso interiormente. Não atua por aquelas aldeias da Galileia de forma arbitrária nem movido por qualquer interesse. Os evangelhos deixam claro desde o início que Jesus vive e atua movido pelo Espírito de Deus.

Não querem que se confunda Jesus de Nazaré com qualquer doutor da lei, preocupado em introduzir mais ordem no comportamento de Israel. Não querem que se identifique com um falso profeta, disposto a buscar um equilíbrio entre a religião do templo e o poder de Roma.

Os evangelistas querem, além disso, que ninguém equipare Jesus ao Batista. Que ninguém o veja como um simples discípulo e colaborador daquele grande profeta do deserto. Jesus é o Filho amado de Deus. Sobre ele desce o Espírito de Deus. Só ele pode batizar com o Espírito Santo.

Segundo toda a tradição bíblica, o Espírito de Deus é o alento de Deus, que cria e sustenta toda a vida. A força que Deus possui para renovar e transformar os viventes. A sua energia amorosa que sempre procura o melhor para seus filhos e filhas.

Por isso Jesus se sente enviado não para condenar, destruir ou amaldiçoar, mas para curar, construir e abençoar. O Espírito de Deus conduz Jesus a potenciar e melhorar a vida. Cheio desse Espírito bom de Deus, dedica-se a libertar as pessoas de espíritos malignos, que não fazem mais do que causar dano, escravizar e desumanizar.

As primeiras gerações cristãs tinham muito claro o que tinha sido Jesus. Assim resumiam a lembrança que deixou gravada em seus seguidores: «Ungido por Deus com o Espírito Santo… passou pela vida fazendo o bem e curando todos os oprimidos pelo diabo, porque Deus estava com ele» (Atos dos Apóstolos 10,38).

Que espírito nos anima hoje, os seguidores de Jesus? Qual é a paixão que move a sua Igreja? Qual é a mística que faz viver e atuar as nossas comunidades? O que estamos a colocar no mundo? Se o Espírito de Jesus está em nós, viveremos curando os oprimidos, deprimidos ou reprimidos pelo mal.

José Antônio Pagola

Tradução de Antônio Manuel Álvarez Perez

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