quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

Purificação não é cura

Jesus é o “sim” de Deus para o pobre suplicante

954 | Tempo do Natal | Lucas 5,12-16

No texto de ontem, Jesus se apresentava sua missão como dar prioridade aos pobres, e destacava que a promessa de Deus em favor dos que sofrem é para aqui e agora. Jesus é a Boa Notícia de Deus para a humanidade, especialmente para os oprimidos e as vítimas. Com ele está em pleno andamento o “ano da graça” no perdão aos pecadores, na acolhida aos marginalizados, na emancipação dos dominados.

No texto de hoje, que vem depois do chamado de Pedro, Jesus já está em plena ação missionária. Ele se depara com uma pessoa “coberta de lepra”. O homem leproso se aproxima de Jesus e se prostra, expressando sua fé e invocando compaixão. É importante perceber que ele não pede que Jesus o cure, mas afirma que, se quiser, Jesus tem o poder de “purificá-lo”. Purificar não é a mesma coisa que curar.

Na visão do povo de Israel, a lepra, mais que uma doença, era considerada uma impureza. Sendo uma impureza, a lepra excluía a pessoa enferma da convivência familiar, social e religiosa. A pessoa leprosa era como se fosse um morto vivo, pois devia se vestir de luto. Por isso, “purificar” uma pessoa leprosa significava declará-la plenamente cidadã e reintegrá-la na convivência familiar e social.

Jesus evita ser confundido com um simples curandeiro. Suas curas e purificações, assim como o perdão concedido aos pecadores, são sinais concretos de que o Reino de Deus está chegando, trazendo vida plena para os pobres. Enquanto os curandeiros gostam de promover espetáculos e visam a fama, Jesus é gratuito e discreto. Seus sinais só se realizam para socorrer pessoas necessitadas.

Jesus responde à declaração de fé do leproso com uma palavra e um gesto. Começa respondendo que deseja sim que ele fique purificado; depois toca no seu corpo enfermo e impuro. Não se trata de palavras misteriosas ou de gestos mágicos, mas de uma afirmação da vontade positiva de Deus em favor da humanidade, de um gesto transgressor das leis que proibiam tocar num leproso.

No fim da cena, Jesus pede que o leproso purificado vá ao templo e ofereça o sacrifício que comprova sua cura e serve de testemunho contra dos sacerdotes. Eles são hábeis em declara a impureza, mas não purificam ninguém. Jesus pede também que ele não anuncie isso aos quatro ventos, e se retira para rezar a sós com o Pai.

 

Sugestões para a meditação

Releia o texto lentamente, acompanhe o movimento dos personagens, escute atentamente as palavras que dizem

Leia no livro do Levítico (13,45-46) a condição de exclusão social das pessoas acometidas de lepra

Note a atitude de confiança orante do leproso, assim como a pronta compaixão de Jesus e a reinserção social do leproso

Quem são hoje as pessoas ou grupos sociais excluídos da convivência e dos bens da sociedade e da Igreja?

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