segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

Pão em todas as mesas

A indiferença é um obstáculo à vinda do Reino

951 | Tempo do Natal | Marcos 6,34-44

Ontem refletimos sobre o início da missão de Jesus, conforme Mateus. Hoje, Marcos nos apresenta Jesus em plena missão, depois da volta dos discípulos, que haviam sido enviados por ele para um breve “exercício de missão”. Para escutar e avaliar a experiência missionária dos aprendizes, Jesus os convida a um momento de sossego, para um tempo de retiro em pleno deserto.

O povo, cansado e abatido, vai atrás de Jesus e congestiona até o deserto. Aquela gente estropiada vislumbra nele um ensino que desperta a esperança adormecida e devolve a dignidade roubada. Jesus pensara num momento sossegado para a formação dos discípulos, mas é interrompido por uma multidão de gente necessitada de uma palavra de esperança. Mas, em vez de se irritar, ele mostra sua compaixão!

Marcos diz que Jesus se dedicou a ensinar a multidão até o entardecer. Anunciou-lhes o Reino de Deus, o despontar de um horizonte de esperança e de dignidade para os pobres e excluídos. E retomou a formação aos discípulos, especialmente sobre a questão do despojamento dos bens, à partilha e à confiança em Deus. Ensinou-lhes como preparar os caminhos e lançar os fundamentos do Reino de Deus.

Os discípulos não conseguem assimilar a lógica de Jesus. Não conseguem imaginar nada fora do sistema econômico dominante. “Que cada um se vire para sobreviver! Quem pode mais chora menos!” Assim pensam eles, e ficam assustados e discordam quando Jesus pede que eles mesmos assumam a responsabilidade de alimentar os famintos. Ao enviá-los, Jesus pedira que não levassem nem mochila e nem dinheiro, mas parece que eles haviam levado uma e outra coisa.

O que então acontece está totalmente fora da “lógica do mercado” e tem pouco a ver com coisas sobrenaturais. Jesus apela àquilo que cada um possui e à capacidade organizativa do povo. Ajunta aquilo que alguns escondiam e o faz chegar a todos! O milagre é o triunfo da “economia do dom” e da partilha, como diz o Papa Francisco.

Jesus é a Palavra que se fez carne, o enviado do Pai que que acolhemos na manjedoura. Precisamos aprender dele a compaixão, ou seja: colocar a necessidade dos outros acima das nossas. Sempre, em tudo, e de todas as formas, precisamos levar a sério a ordem de Jesus: “Dai-lhes vós mesmos de comer!”

 

Sugestões para a meditação

Releia o texto lentamente, detendo-se nos personagens e nas palavras e nas ações deles, especialmente de Jesus

Jesus nos ensina que a evangelização precisa ir além do ensino: se não desemboca na compaixão concreta, nas ações palpáveis, não é Evangelho

Como se explica que os cristãos tenhamos tanta dificuldade de superar a lógica do “cada um para si e deus por todos”?

Será que não cedemos definitivamente à tentação de pensar apenas nas doutrinas e ritos corretos, e abandonar as pessoas à própria sorte?

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