A indiferença é um obstáculo
à vinda do Reino
951 | Tempo do Natal
| Marcos 6,34-44
Ontem refletimos sobre o início da missão de Jesus,
conforme Mateus. Hoje, Marcos nos apresenta Jesus em plena missão, depois da
volta dos discípulos, que haviam sido enviados por ele para um breve “exercício
de missão”. Para escutar e avaliar a experiência missionária dos aprendizes,
Jesus os convida a um momento de sossego, para um tempo de retiro em pleno
deserto.
O
povo, cansado e abatido, vai atrás de Jesus e congestiona até o deserto. Aquela
gente estropiada vislumbra nele um ensino que desperta a esperança adormecida e
devolve a dignidade roubada. Jesus pensara num momento sossegado para a
formação dos discípulos, mas é interrompido por uma multidão de gente
necessitada de uma palavra de esperança. Mas, em vez de se irritar, ele mostra
sua compaixão!
Marcos
diz que Jesus se dedicou a ensinar a multidão até o entardecer. Anunciou-lhes o
Reino de Deus, o despontar de um horizonte de esperança e de dignidade para os
pobres e excluídos. E retomou a formação aos discípulos, especialmente sobre a
questão do despojamento dos bens, à partilha e à confiança em Deus.
Ensinou-lhes como preparar os caminhos e lançar os fundamentos do Reino de
Deus.
Os
discípulos não conseguem assimilar a lógica de Jesus. Não conseguem imaginar
nada fora do sistema econômico dominante. “Que cada um se vire para sobreviver!
Quem pode mais chora menos!” Assim pensam eles, e ficam assustados e discordam
quando Jesus pede que eles mesmos assumam a responsabilidade de alimentar os
famintos. Ao enviá-los, Jesus pedira que não levassem nem mochila e nem
dinheiro, mas parece que eles haviam levado uma e outra coisa.
O
que então acontece está totalmente fora da “lógica do mercado” e tem pouco a
ver com coisas sobrenaturais. Jesus apela àquilo que cada um possui e à
capacidade organizativa do povo. Ajunta aquilo que alguns escondiam e o faz
chegar a todos! O milagre é o triunfo da “economia do dom” e da partilha, como
diz o Papa Francisco.
Jesus é a Palavra que se fez
carne, o enviado do Pai que que acolhemos na manjedoura. Precisamos aprender
dele a compaixão, ou seja: colocar a necessidade dos outros acima das nossas.
Sempre, em tudo, e de todas as formas, precisamos levar a sério a ordem de
Jesus: “Dai-lhes vós mesmos de comer!”
Sugestões para a meditação
Releia o
texto lentamente, detendo-se nos personagens e nas palavras e nas ações deles,
especialmente de Jesus
Jesus nos
ensina que a evangelização precisa ir além do ensino: se não desemboca na
compaixão concreta, nas ações palpáveis, não é Evangelho
Como se
explica que os cristãos tenhamos tanta dificuldade de superar a lógica do “cada
um para si e deus por todos”?
Será que
não cedemos definitivamente à tentação de pensar apenas nas doutrinas e ritos
corretos, e abandonar as pessoas à própria sorte?
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