O discípulo de Jesus
tem seu centro fora de si
968 | Tempo Comum | 2ª
Semana | Marcos 3,20-21
Chamando um grupo de doze entre os
muitos discípulos e discípulas, Jesus constitui uma pequena comunidade para
prosseguir sua missão, um núcleo visível do Reino de Deus, uma nova família
convocada a viver de modo alternativo e contracorrente. Mas esta passagem da
família de sangue à “família da Boa Nova” e do povo de Israel ao “novo povo de
Deus” não é simples nem tranquila.
Nos episódios anteriores, diante da liberdade
provocadora de Jesus em relação à lei judaica, já se formara um complot que
pedia sua expulsão do judaísmo e sua morte. Por isso, Jesus toma distância da
sinagoga e passa a ensinar e curar em lugares remotos e abertos. E assim acaba
transformando a própria casa, lugar de acolhida e segurança, em espaço de
formação dos discípulos e de libertação das pessoas doentes que tinham
dificuldades de ir ao templo.
Entretanto, essa postura de Jesus acaba
desagradando e preocupando seus próprios familiares, e sua casa, que deveria
ser um espaço de aconchego e segurança, perde o sossego por causa da multidão
de pessoas necessitadas que a ele acorrem, e está em vias de se tornar uma
prisão. Seus parentes querem agarrá-lo e retê-lo em casa, porque lhes parece
que ele estava louco ou tinha ido longe demais.
De fato, era tanta gente que buscava Jesus que
ele e seus discípulos não tinham tempo nem para comer. Com a casa cheia de
discípulos e o povo ao redor da casa, há tempo a família havia perdido o
sossego e a privacidade. Mas o que faz os parentes de Jesus pensar que ele está
doido é a coragem e a “imprudência” com que ele enfrenta e desmonta as
instituições, leis e costumes de Israel. A família pensa que ele enlouqueceu, e
os escribas dirão que ele está possuído por Belzebu.
Na verdade, os
parentes acham que Jesus estava indo longe demais, e que devia desistir da sua
missão de profeta do Reino de Deus. Noutro momento Jesus dirá que nossos
inimigos (aqueles que colocam em risco nossa salvação) podem vir de dentro de
casa, do interior da própria família. O dinamismo libertário do Reino de Deus
enfrenta o sistema de dominação e repressão, e ele tem como uma das suas
expressões a família patriarcal. Por isso, a tensão entre Jesus e sua família.
Sugestões para a meditação
Contemple
a cena: os discípulos apertados em torno de Jesus na sua casa; o povo esperando
atenção; os parentes preocupados
Participe
da cena, especialmente a dificuldade de encontrar tempo para comer e a saída
dos parentes para agarrar Jesus
Se
puder, releia os episódios anteriores, nos quais é narrada a intensa atividade
libertadora de Jesus e os riscos que ele corria
Como
proceder quando a oposição ao nosso engajamento humanitário e cristão vem de
dentro da própria família?
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