O Evangelho não é
remendo para pano velho
964 | Tempo Comum | 2ª
Semana | Marcos 2,18-22
A passagem que meditamos no último sábado apresentava
o questionamento dos fariseus diante do fato de Jesus e seus discípulos se
sentarem à mesa lado a lado com pecadores de diversos tipos. O texto de hoje
continua com o tema da refeição, mas o questionamento dos críticos de plantão é
sobre o jejum.
Eles
observam os discípulos de Jesus e perguntam por que eles não jejuam, enquanto que
os fariseus e os discípulos de João praticam esta regra de piedade. Na verdade,
a lei de Moisés obrigava o fiel a jejuar apenas uma vez por ano (na festa da
expiação), mas o grupo dos fariseus praticava o jejum voluntariamente duas
vezes por semana. Eram bem vistos por isso, mas queriam impor a todos.
Na
discussão sobre o jejum, o que está em questão é o caminho prático que nos leva
à santidade, à pureza, a estar de bem com Deus: a penitência, expressa no jejum,
ou o Reino de Deus, que se mostra na alegria da fraternidade? Como no episódio
de sábado (cf. Mc 2,13-17), o questionamento se dirige ao comportamento dos
discípulos, mas a intenção é atingir o mestre.
Para
Jesus, o problema não é o jejum em si mesmo, mas o lugar que lhe dão os
fariseus na prática da fé. E também o lugar dele no tempo especial que eles
vivem: a chegada do Reino de Deus. Ninguém jejua numa festa de casamento, mas
come, bebe e participa da alegria dos noivos. E este é o tempo dos discípulos.
Jesus é o noivo que, em nome de Deus, assina a aliança de compromisso com a
humanidade.
Para
Jesus, o jejum exagerado que os fariseus praticam e ensinam não passa de um
belo remendo de pano novo numa roupa velha. E o seguimento de Jesus na
perspectiva solidária do Reino de Deus não cabe no velho barril daquela piedade
social sofisticada e mortificadora. Repetir essas práticas é como que colocar
em risco a liberdade do Reino de Deus.
Jesus não veio pedir para que multipliquemos
promessas, novenas e ave-marias, nem para implorar ofertas e jaculatórias. Ele
também não pede acendamos mais e mais velas ou veneremos as autoridades. O que
Jesus Cristo e seu Evangelho nos pede é que participemos na solidária e
inclusiva caravana da vida nova.
Sugestões para a meditação
De onde vem
a dificuldade de viver a alegria do Reino de Deus e a insistência de nossas
Igrejas com as penitências e jejuns?
O que
precisamos fazer, nós e nossas comunidades eclesiais, para não remendar velhas
práticas e ideologias com o Evangelho?
Como
poderíamos expressar e celebrar a alegria pela aliança de Deus com a
humanidade, que produz vida abundante para todos?
Como poderíamos evitar que a novidade da vida de
Jesus e seu Evangelho seja sequestrada por morais arcaicas e rígidas?
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