Aprendamos a conjugar urgência e paciência
975 | Tempo Comum | 3ª Semana | Marcos 4,26-34
Na passagem imediatamente anterior, Jesus ensina que, como a semente pode ser esterilizada pelas condições da terra que a recebe, a luz pode ser escondida por falta de compreensão ou de coragem. A Boa Notícia do Reino de Deus precisa brilhar de modo inequívoco na vida cotidiana dos discípulos e discípulas de Jesus, caso contrário, a fé que proclamam com a boca será absolutamente estéril.
Hoje Jesus continua falando do mistério do Reino de Deus, agora com as parábolas do semeador confiante e da pequena semente. Por trás destas parábolas está uma experiência desoladora: o resultado da pregação de Jesus e os sinais do reino de Deus estavam sendo pouco encorajadores; ele fora abandonado pela família, era perseguido pelas autoridades, e precisava andar discreto, longe das cidades.
Com estas duas parábolas, Jesus quer despertar nos discípulos tanto a paciência quanto a esperança. Ele afasta a ilusão de que a transformação provocada pelo reino de Deus possa ser rápida e triunfal. O importante é encontrar o solo correto, lançar as sementes e acreditar que elas têm em si mesmas a força para se desenvolver e derrubar os poderosos.
Jesus também chama à esperança, pois aquilo que hoje pode parecer pequeno e insignificante, como a desprezível e quase invisível semente de mostarda, se transformará em árvore frondosa, capaz de abrigar os povos. O caminho do Reino de Deus, que é caminho pavimentado pela paciência e pela esperança, é o caminho da não violência e da luta pela justiça; a liderança se torna serviço, o sofrimento frutifica em triunfo e a morte desabrocha em vida.
Ensinando isso, Jesus não desaconselha nosso engajamento lúcido e perseverante nas lutas sociais e todas as demais legítimas causas. Ao contrário, ele lembra que a simples agitação ativista não nos livra da areia movediça da injustiça. Precisamos da sábia paciência e da esperança do homem do campo para não destruir com os pés apressados aquilo que fazemos com as mãos operosas.
Sugestões para a meditação
Releia o texto com atenção as duas parábolas, relacionando-as com a parábola do semeador e com as ações libertadoras de Jesus
Será que, com nossa agitação e nosso ativismo eclesial, não corremos o risco de atrapalhar o dinamismo próprio do Reino?
Será que também nós às vezes não demonstramos frustração com os aparentes pequenos frutos do nosso trabalho missionário?
Que atitudes são fundamentais para que nosso engajamento seja uma efetiva colaboração com a dinamismo do Reino de Deus?
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