Que a fragilidade dos
sinais não nos assustem!
976 | Tempo Comum | 3ª Semana | Marcos 4,35-41
Recorrendo a diversas parábolas, Jesus
havia acabado de desenvolver uma longa catequese sobre o misterioso dinamismo
do Reino de Deus. Diante da rejeição das autoridades religiosas, e frente à
incompreensão dos próprios familiares, Jesus sente necessidade de intervir para
manter a esperança e ativar a paciência. E faz isso em plena travessia do
território conhecido para a “outra margem”.
Parece que a missão de Jesus estava dando poucos frutos. Dominados
por medos e amarrados por preocupações mesquinhas, os discípulos do tempo de
Marcos enfrentam as dificuldades de modo muito diferente de Jesus. Atravessando
o mar revolto da vida no mesmo barco, Jesus permanece confiante e tranquilo,
enquanto que eles se apavoram. Os discípulos têm dificuldade de aceitar o
dinamismo e as exigências e do Reino de Deus. Não conseguem confiar a Deus a
própria vida.
Parece também que a Palavra de Jesus, a Boa Notícia do Reino
encontrou nos próprios discípulos uma terra dura, rasa ou infestada de ervas
daninhas. Eles têm a impressão de que correm o risco de morrer, e não percebem
que o que está morrendo neles é a Boa Notícia do Reino de Deus. Pensam que
Jesus não se importa com eles, e não percebem o tanto que os ama. Eles ainda
precisam percorrer um longo caminho para que uma fé que os sustente. O medo das
perdas ainda se sobrepõe à confiança.
Jesus é acordado por eles, e fala forte, ordenando que silenciem
estas agitações e se cale a voz dissidente do medo que ameaça seus discípulos.
Eles precisam conhecer melhor quem é este profeta da Galileia, esse mestre que
ensina com autoridade e enfrenta as forças e instituições que se opõem ao
querer de Deus. Muitos caminhos e muitas travessias os esperam.
Os discípulos da primeira hora precisam
superar a crônica divergência com Jesus. Precisam descobrir, compreender e
acolher o cerne da sua pregação e missão: o Reino de Deus chegou, e é graça que
liberta; ele pede mudança das pessoas e estruturas; quem o segue precisa dar prioridade
aos pobres e só pode contar com os meios mais frágeis; e este caminho passa
pela cruz, pelo dom de si mesmo. Em que medida também nós ainda precisamos
assimilar essa realidade?
Sugestões para a meditação
Releia o
texto com atenção, relacionando-o com as repetidas crises nas quais o
seguimento de Jesus coloca seus discípulos
Você
consegue perceber a agitação e o medo de muitos católicos na passagem de uma fé
intimista a um engajamento no mundo?
Não ocorre
também a nós pensar que Jesus está longe ou indiferente dos ventos e ondas que
ameaçam a humanidade?
Será que
também nós não necessitamos conhecer melhor quem é esse Jesus em quem dizemos
ter posto nossa confiança?
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