sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

Ondas que assustam

Que a fragilidade dos sinais não nos assustem!  

976 | Tempo Comum | 3ª Semana | Marcos 4,35-41

Recorrendo a diversas parábolas, Jesus havia acabado de desenvolver uma longa catequese sobre o misterioso dinamismo do Reino de Deus. Diante da rejeição das autoridades religiosas, e frente à incompreensão dos próprios familiares, Jesus sente necessidade de intervir para manter a esperança e ativar a paciência. E faz isso em plena travessia do território conhecido para a “outra margem”.

Parece que a missão de Jesus estava dando poucos frutos. Dominados por medos e amarrados por preocupações mesquinhas, os discípulos do tempo de Marcos enfrentam as dificuldades de modo muito diferente de Jesus. Atravessando o mar revolto da vida no mesmo barco, Jesus permanece confiante e tranquilo, enquanto que eles se apavoram. Os discípulos têm dificuldade de aceitar o dinamismo e as exigências e do Reino de Deus. Não conseguem confiar a Deus a própria vida.

Parece também que a Palavra de Jesus, a Boa Notícia do Reino encontrou nos próprios discípulos uma terra dura, rasa ou infestada de ervas daninhas. Eles têm a impressão de que correm o risco de morrer, e não percebem que o que está morrendo neles é a Boa Notícia do Reino de Deus. Pensam que Jesus não se importa com eles, e não percebem o tanto que os ama. Eles ainda precisam percorrer um longo caminho para que uma fé que os sustente. O medo das perdas ainda se sobrepõe à confiança.

Jesus é acordado por eles, e fala forte, ordenando que silenciem estas agitações e se cale a voz dissidente do medo que ameaça seus discípulos. Eles precisam conhecer melhor quem é este profeta da Galileia, esse mestre que ensina com autoridade e enfrenta as forças e instituições que se opõem ao querer de Deus. Muitos caminhos e muitas travessias os esperam.

Os discípulos da primeira hora precisam superar a crônica divergência com Jesus. Precisam descobrir, compreender e acolher o cerne da sua pregação e missão: o Reino de Deus chegou, e é graça que liberta; ele pede mudança das pessoas e estruturas; quem o segue precisa dar prioridade aos pobres e só pode contar com os meios mais frágeis; e este caminho passa pela cruz, pelo dom de si mesmo. Em que medida também nós ainda precisamos assimilar essa realidade?

 

Sugestões para a meditação

Releia o texto com atenção, relacionando-o com as repetidas crises nas quais o seguimento de Jesus coloca seus discípulos

Você consegue perceber a agitação e o medo de muitos católicos na passagem de uma fé intimista a um engajamento no mundo?

Não ocorre também a nós pensar que Jesus está longe ou indiferente dos ventos e ondas que ameaçam a humanidade?

Será que também nós não necessitamos conhecer melhor quem é esse Jesus em quem dizemos ter posto nossa confiança?


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