Onde começa nossa liberdade?
Na carta que escreve aos Gálatas,
o Apóstolo Paulo exorta “É para a liberdade que Cristo nos libertou. Portanto,
fiquem firmes, e não se deixem prender de novo ao jugo da escravidão. Vocês
foram chamados para a liberdade! Mas que a liberdade não sirva de pretexto para
a carne. Por meio do amor, ponham-se a serviço uns dos outros” (5,1.13).
Quem segue Jesus Cristo e o
reconhece como seu “único e suficiente salvador”, não importa a tradição cristã
com a qual se vincula, têm um ponto como firme e seguro: nele e por ele
recebemos a salvação, fomos libertados e justificados, e não por qualquer tipo
de mérito ou conquista pessoal, mas por incondicional e generosa graça de Deus.
O dom que recebemos e chamamos
liberdade também recebe outros nomes, igualmente dignos e significativos:
salvação, redenção, libertação, regeneração, vida nova, vida no Espírito, etc.
Mas vivemos essa nova condição neste mundo, com tudo o que significa viver a
condição humana: em meio a ambivalências, contradições, lutas e buscas.
É por isso que Paulo, depois de
afirmar que Cristo nos libertou para vivermos livres, acrescenta que fomos
“chamados para a liberdade”, para a vida plena, para a salvação. Ou seja: vivemos
essa condição na esperança e na luta contra as forças que desumanizam, separam,
aprisionam e se opõem ao amor e ao serviço aos outros e ao bem comum.
Mas a condição de vocacionados à
liberdade não pode ser pretexto para a indiferença e o egoísmo. A liberdade é
um chamado que nos impulsiona a viver segundo o Espírito, a amar e servir a
todos e sempre. É um dinamismo espiritual que nos torna livres do medo e das
ambições, solidários e criativos para plantar as sementes de “um mundo outro”.
Os medos exercem sobre nós um
poder imobilizador que tende a anular a nossa da nossa liberdade. E o medo da
morte é um dos mais poderosos. Por isso, a raiz da liberdade que recebemos em
Jesus Cristo é o dom e a promessa de vida eterna. Vencido o medo da morte,
renascemos criativos e corajosos para defender a vida, livres para dar a vida.
Estejamos atentos ao engano daquele apelo da loja de armas: “Aqui começa a sua liberdade!” É uma mentira mortal, uma ilusão, uma negação da verdade cristã. Uma arma não nos torna mais livres ou seguros, mas mais agressivos, ameaçadores, e, no limite, violentos. A arma não tem força para regenerar ninguém, mas tem o poder de corromper o que ainda nos resta de confiança, sociabilidade e humanidade.
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