sábado, 31 de janeiro de 2026

Chamados a ser livres

Onde começa nossa liberdade?

Na carta que escreve aos Gálatas, o Apóstolo Paulo exorta “É para a liberdade que Cristo nos libertou. Portanto, fiquem firmes, e não se deixem prender de novo ao jugo da escravidão. Vocês foram chamados para a liberdade! Mas que a liberdade não sirva de pretexto para a carne. Por meio do amor, ponham-se a serviço uns dos outros” (5,1.13).

Quem segue Jesus Cristo e o reconhece como seu “único e suficiente salvador”, não importa a tradição cristã com a qual se vincula, têm um ponto como firme e seguro: nele e por ele recebemos a salvação, fomos libertados e justificados, e não por qualquer tipo de mérito ou conquista pessoal, mas por incondicional e generosa graça de Deus.

O dom que recebemos e chamamos liberdade também recebe outros nomes, igualmente dignos e significativos: salvação, redenção, libertação, regeneração, vida nova, vida no Espírito, etc. Mas vivemos essa nova condição neste mundo, com tudo o que significa viver a condição humana: em meio a ambivalências, contradições, lutas e buscas.

É por isso que Paulo, depois de afirmar que Cristo nos libertou para vivermos livres, acrescenta que fomos “chamados para a liberdade”, para a vida plena, para a salvação. Ou seja: vivemos essa condição na esperança e na luta contra as forças que desumanizam, separam, aprisionam e se opõem ao amor e ao serviço aos outros e ao bem comum.

Mas a condição de vocacionados à liberdade não pode ser pretexto para a indiferença e o egoísmo. A liberdade é um chamado que nos impulsiona a viver segundo o Espírito, a amar e servir a todos e sempre. É um dinamismo espiritual que nos torna livres do medo e das ambições, solidários e criativos para plantar as sementes de “um mundo outro”.

Os medos exercem sobre nós um poder imobilizador que tende a anular a nossa da nossa liberdade. E o medo da morte é um dos mais poderosos. Por isso, a raiz da liberdade que recebemos em Jesus Cristo é o dom e a promessa de vida eterna. Vencido o medo da morte, renascemos criativos e corajosos para defender a vida, livres para dar a vida.

Estejamos atentos ao engano daquele apelo da loja de armas: “Aqui começa a sua liberdade!” É uma mentira mortal, uma ilusão, uma negação da verdade cristã. Uma arma não nos torna mais livres ou seguros, mas mais agressivos, ameaçadores, e, no limite, violentos. A arma não tem força para regenerar ninguém, mas tem o poder de corromper o que ainda nos resta de confiança, sociabilidade e humanidade.

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