sábado, 3 de janeiro de 2026

Magos e pagãos

A QUEM ADORAMOS?

Os magos vêm do Oriente, terra que evoca nos judeus a pátria da astrologia e de outras ciências estranhas. São pagãos. Não conhecem as Escrituras Sagradas de Israel, mas conhecem a linguagem das estrelas. Procuram a verdade e põem-se a caminho para a descobrir. Deixam-se guiar pelo mistério, sentem necessidade de adorar.

A sua presença provoca um sobressalto em Jerusalém. Os magos viram brilhar uma nova estrela que os faz pensar que já nasceu o rei dos judeus e vêm adorá-lo. Este rei não é Augusto. Nem Herodes. Onde está? Esta é a sua pergunta.

Herodes fica perturbado. A notícia não lhe traz nenhuma alegria. Ele é quem foi designado por Roma rei dos judeus. É preciso acabar com o recém-nascido: onde está esse estranho rival? Os sumos sacerdotes e letrados conhecem as Escrituras e sabem que deve nascer em Belém, mas não se interessam pela criança nem se põem a caminho para adorá-la.

É isto que Jesus encontrará ao longo da sua vida: hostilidade e rejeição por parte dos representantes do poder político; indiferença e resistência por parte dos dirigentes religiosos. Só os que procuram o reino de Deus e a sua justiça o acolherão.

Os magos prosseguem a sua longa busca. Às vezes, a estrela que os guia desaparece, deixando-os na incerteza. Outras vezes, brilha de novo, enchendo-os de imensa alegria. Finalmente encontram o Menino e, caindo de joelhos, adoram-no. Depois, colocam ao seu serviço as riquezas que têm e os tesouros mais valiosos que possuem. Este Menino pode contar com eles, pois reconhecem-no como seu Rei e Senhor.

Este relato aparentemente ingênuo coloca-nos perguntas decisivas: diante de quem nos ajoelhamos nós? Como se chama o «deus» que adoramos no fundo do nosso ser? Dizemo-nos cristãos, mas vivemos adorando o Menino de Belém? Colocamos aos seus pés as nossas riquezas e o nosso bem-estar? Estamos dispostos a escutar o seu apelo a entrar no reino de Deus e na sua justiça? Nas nossas vidas há sempre alguma estrela que nos guia até Belém.

José Antônio Pagola

Tradução de Antônio Manuel Álvarez Perez

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