Nossa conversão
aproxima o Reino de Deus
970 | Tempo Comum | 3ª
Semana | Mateus 4,12-23
Jesus começa sua missão depois da prisão de João Batista. Ele traz ainda
muito viva a recente experiência do encontro com este profeta à beira do rio
Jordão, a consciência de ser filho amado e servo dedicado, assim como a prova
das tentações, uma antecipação do confronto duro e exigente que marcaria toda
sua missão. Com essas lembranças, Jesus deixa a pequena Nazaré e se muda para
para Cafarnaum, às margens do mar. Mas
essa mudança para uma região periférica foi bem pensada!
No passado, a região de Zebulon e Neftali havia assistido a uma violenta
deportação dos seus filhos. Para Jesus, é lá que se reacende a luz da esperança
e ressurge um canto de alegria. Ele escolhe esta região para habitar. Não muda
de Nazaré para cidades importantes como Tiberíades (cidade portuária) ou Séforis
(centro cultural). Jesus decide continuar morando na margem, junto à população
empobrecida, longe daqueles que colaboram com o império e ao lado daqueles que
lhe resistem.
Com a presença de Jesus, a noite da opressão que envolve os povos se
transfirgura em noite da libertação, a periferia se converte em centro de
renovação, gritos e cantos de alegria substituem o clamor de um povo submergido
nas sombras da morte. Tudo brota do alegre e jubiloso anúncio de Jesus:
“Convertei-vos, pois o Reino dos Céus está próximo!” A novidade alegre é que o
tempo de espera se esgotou! Jesus é o enviado de Deus para desatar o pesado
fardo do pecado, jogado às costas do povo!
Jesus não se limita a anunciar a proximidade do Reino de Deus. Ele faz
questão de demonstrar seu dinamismo presente mediante ações transformadoras.
Ele “percorria toda a Galiléia, ensinando nas sinagogas, anunciando a Boa Nova
do Reino e curando toda espécie de doença e enfermidade do povo.” Ele restaura
a integridade física dos doentes, possibilita a reinserção social e a plena
cidadania dos excluídos, derrota as forças que oprimem o povo e cura um mundo
enfermo.
Mas, além de anunciar e demonstrar a irrupção dos
tempos sonhados, Jesus age chamando discípulos e associando-os à sua missão.
Este chamamento é uma espécie de contestação da pretensa imutabilidade da ordem
dominante e uma demonstração da fecundidade da força que vem de Deus. Em torno
de Jesus, as pessoas chamadas formam uma espécie de comunidade alternativa,
centrada na vivência, no anúncio e no serviço ao Reino de Deus, em salvar as
pessoas do mar ameaçador do império.
Sugestões para a meditação
Contemple
a cena: Jesus surgindo, cheio de entusiasmo e vigor, dirigindo-se ao povo,
chamando gente
Qual
é a força atual da expressão “Reino de Deus”, e como evitar que seja entendido
apenas como o paraíso ou o perdão dos pecados
Os
homens e mulheres de hoje acreditam que um outro mundo é possível, e que ele
está sendo ensaiado de diversas formas?
Nenhum comentário:
Postar um comentário