sábado, 24 de janeiro de 2026

É agora!

Nossa conversão aproxima o Reino de Deus

970 | Tempo Comum | 3ª Semana | Mateus 4,12-23

Jesus começa sua missão depois da prisão de João Batista. Ele traz ainda muito viva a recente experiência do encontro com este profeta à beira do rio Jordão, a consciência de ser filho amado e servo dedicado, assim como a prova das tentações, uma antecipação do confronto duro e exigente que marcaria toda sua missão. Com essas lembranças, Jesus deixa a pequena Nazaré e se muda para para Cafarnaum, às margens do mar.  Mas essa mudança para uma região periférica foi bem pensada!

No passado, a região de Zebulon e Neftali havia assistido a uma violenta deportação dos seus filhos. Para Jesus, é lá que se reacende a luz da esperança e ressurge um canto de alegria. Ele escolhe esta região para habitar. Não muda de Nazaré para cidades importantes como Tiberíades (cidade portuária) ou Séforis (centro cultural). Jesus decide continuar morando na margem, junto à população empobrecida, longe daqueles que colaboram com o império e ao lado daqueles que lhe resistem.

Com a presença de Jesus, a noite da opressão que envolve os povos se transfirgura em noite da libertação, a periferia se converte em centro de renovação, gritos e cantos de alegria substituem o clamor de um povo submergido nas sombras da morte. Tudo brota do alegre e jubiloso anúncio de Jesus: “Convertei-vos, pois o Reino dos Céus está próximo!” A novidade alegre é que o tempo de espera se esgotou! Jesus é o enviado de Deus para desatar o pesado fardo do pecado, jogado às costas do povo!

Jesus não se limita a anunciar a proximidade do Reino de Deus. Ele faz questão de demonstrar seu dinamismo presente mediante ações transformadoras. Ele “percorria toda a Galiléia, ensinando nas sinagogas, anunciando a Boa Nova do Reino e curando toda espécie de doença e enfermidade do povo.” Ele restaura a integridade física dos doentes, possibilita a reinserção social e a plena cidadania dos excluídos, derrota as forças que oprimem o povo e cura um mundo enfermo.

Mas, além de anunciar e demonstrar a irrupção dos tempos sonhados, Jesus age chamando discípulos e associando-os à sua missão. Este chamamento é uma espécie de contestação da pretensa imutabilidade da ordem dominante e uma demonstração da fecundidade da força que vem de Deus. Em torno de Jesus, as pessoas chamadas formam uma espécie de comunidade alternativa, centrada na vivência, no anúncio e no serviço ao Reino de Deus, em salvar as pessoas do mar ameaçador do império.

 

Sugestões para a meditação

Contemple a cena: Jesus surgindo, cheio de entusiasmo e vigor, dirigindo-se ao povo, chamando gente

Qual é a força atual da expressão “Reino de Deus”, e como evitar que seja entendido apenas como o paraíso ou o perdão dos pecados

Os homens e mulheres de hoje acreditam que um outro mundo é possível, e que ele está sendo ensaiado de diversas formas?

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