O Reino de Deus está
próximo e pede conversão
950 | Tempo do Natal
| Mateus 4,12-25
No próximo domingo celebraremos a festa litúrgica do
batismo de Jesus, que representa o início da sua missão pública. Por isso, já
durante esta semana, a Igreja nos propõe textos dos diversos evangelistas que
nos falam dos traços essenciais dessa missão. Hoje, lemos Mateus 4,12-25, que
nos apresenta o início e o núcleo fundamental do anúncio de Jesus, omitindo o
relato do chamado dos primeiros discípulos (v. 18-22).
A
notícia da prisão de João marca esse início da chamada “missão pública de
Jesus”. Assim que Jesus é informado da detenção de João, se retira da região da
Judeia, onde João Batizava, e vai para a Galileia, mais seguro e longe do
controle das autoridades, mas também mais fértil de esperanças e iniciativas de
mudanças. A terra e o povo eram conhecidos de Jesus, pois ali ele se criara.
Como João, a primeira e principal pregação de Jesus era um chamado imperativo à
conversão.
Mateus
diz que a Galileia vivia nas trevas, e, com Jesus, uma luz de vida e esperança
começa a brilhar. Trevas não tem nada a ver com moralidade ou falta de
conhecimento, mas tem tudo a ver com ações e estruturas políticas, sociais,
econômicas e religiosas que impedem a vida do povo, que se opõem à vontade de
Deus, que desencaminham o povo porque entortam os possíveis caminhos de
superação dessa realidade.
A
novidade que Jesus traz – a irrupção do Reino de Deus num mundo de opressão – é
algo tão luminoso e relevante que, para reconhece-la, acolhê-la e entrar no seu
dinamismo, é necessária uma profunda mudança de mentalidade e de atitudes.
Afinal, os dominadores sempre repetem suas lições de que nenhuma mudança é
possível, de que não adianta esperar, de que “é melhor aceitar que dói menos”.
Mateus
registra também que Jesus prega o “Evangelho do Reino”. A expressão “evangelho”
era usada pelos reis de plantão para dar notícia do nascimento ou da maioridade
de um príncipe, ou ainda para anunciar a ampliação dos seus domínios. A “boa
nova do reino” é o contrário: é o fim das relações de dominação e exploração!
Jesus cura todas as doenças, enfermidades e
sofrimentos, situações normais na vida, mas que crescem nos tempos difíceis, de
tensões sociais e de opressão. Até os casos de paralisia e mudez aumentam nas
situações de violência e terror. Com Jesus e o Reino de Deus isso começa a
mudar para o povo pobre e oprimido. E isso abre um tempo de graça.
Sugestões para a meditação
Releia o
texto lentamente, detendo-se nas palavras e nas ações de Jesus e seu impacto
sobre a difícil vida do povo galileu
A pregação
de Jesus se resume no anúncio de uma boa notícia, e suas ações afirmam a
dignidade e restauram a vida dos pobres
Em que
consiste hoje o núcleo central da pregação, do ensino e da ação pastoral da
Igreja? É parecido com o de Jesus?
Como ressoa
para nós, ainda no clima de Natal, mas em meio a rumores de guerras, o anúncio
da Boa Nova do Reino de Deus e o apelo contendente à conversão?
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