domingo, 4 de janeiro de 2026

Mudar é preciso

O Reino de Deus está próximo e pede conversão

950 | Tempo do Natal | Mateus 4,12-25

No próximo domingo celebraremos a festa litúrgica do batismo de Jesus, que representa o início da sua missão pública. Por isso, já durante esta semana, a Igreja nos propõe textos dos diversos evangelistas que nos falam dos traços essenciais dessa missão. Hoje, lemos Mateus 4,12-25, que nos apresenta o início e o núcleo fundamental do anúncio de Jesus, omitindo o relato do chamado dos primeiros discípulos (v. 18-22).

A notícia da prisão de João marca esse início da chamada “missão pública de Jesus”. Assim que Jesus é informado da detenção de João, se retira da região da Judeia, onde João Batizava, e vai para a Galileia, mais seguro e longe do controle das autoridades, mas também mais fértil de esperanças e iniciativas de mudanças. A terra e o povo eram conhecidos de Jesus, pois ali ele se criara. Como João, a primeira e principal pregação de Jesus era um chamado imperativo à conversão.

Mateus diz que a Galileia vivia nas trevas, e, com Jesus, uma luz de vida e esperança começa a brilhar. Trevas não tem nada a ver com moralidade ou falta de conhecimento, mas tem tudo a ver com ações e estruturas políticas, sociais, econômicas e religiosas que impedem a vida do povo, que se opõem à vontade de Deus, que desencaminham o povo porque entortam os possíveis caminhos de superação dessa realidade.

A novidade que Jesus traz – a irrupção do Reino de Deus num mundo de opressão – é algo tão luminoso e relevante que, para reconhece-la, acolhê-la e entrar no seu dinamismo, é necessária uma profunda mudança de mentalidade e de atitudes. Afinal, os dominadores sempre repetem suas lições de que nenhuma mudança é possível, de que não adianta esperar, de que “é melhor aceitar que dói menos”.

Mateus registra também que Jesus prega o “Evangelho do Reino”. A expressão “evangelho” era usada pelos reis de plantão para dar notícia do nascimento ou da maioridade de um príncipe, ou ainda para anunciar a ampliação dos seus domínios. A “boa nova do reino” é o contrário: é o fim das relações de dominação e exploração!

Jesus cura todas as doenças, enfermidades e sofrimentos, situações normais na vida, mas que crescem nos tempos difíceis, de tensões sociais e de opressão. Até os casos de paralisia e mudez aumentam nas situações de violência e terror. Com Jesus e o Reino de Deus isso começa a mudar para o povo pobre e oprimido. E isso abre um tempo de graça.

 

Sugestões para a meditação

Releia o texto lentamente, detendo-se nas palavras e nas ações de Jesus e seu impacto sobre a difícil vida do povo galileu

A pregação de Jesus se resume no anúncio de uma boa notícia, e suas ações afirmam a dignidade e restauram a vida dos pobres

Em que consiste hoje o núcleo central da pregação, do ensino e da ação pastoral da Igreja? É parecido com o de Jesus?

Como ressoa para nós, ainda no clima de Natal, mas em meio a rumores de guerras, o anúncio da Boa Nova do Reino de Deus e o apelo contendente à conversão?

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