quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

Um buraco no telhado

“Nunca vimos um homem compassivo assim!”

961 | Tempo Comum | 1ª Semana | Marcos 2,1-12

A cena do evangelho de ontem terminou com o homem leproso curado e atuando como apóstolo, e Jesus escondendo-se para despistar os piedosos delatores (“Jesus não podia mais entrar publicamente numa cidade”). A cena de hoje está na sequência, situada de novo em Cafarnaum, onde Jesus havia passado a residir com os discípulos. Esta cidade portuária era uma espécie de centro missionário de Jesus.

Em Cafarnaum, Jesus continua a atividade própria de profeta e mestre: o ensino sobre o Reino de Deus. Desta vez, porém, ele o faz no espaço mais livre das casas, e não na sinagoga, espaço controlado pelos doutores da lei. O povo se reúne, e até o pátio da casa fica apinhado de gente. É a dificuldade de atravessar a multidão e chegar até a presença de Jesus que leva um grupo de pessoas a uma ação que é vista por Jesus como uma impressionante expressão de fé.

Como sempre, a fé abre horizontes e mobiliza as energias na busca de soluções humanas para os problemas humanos. Um quarteto de homens, carregando uma maca com um homem paralítico, sobe no telhado da casa, abre um buraco e baixa a maca com o paralítico bem à frente de Jesus. Aquilo que para alguns poderia parecer ridículo ou extravagante, é interpretado por Jesus como límpido sinal de fé, capaz de estimular uma resposta compassiva e imediata.

Vendo a fé e o empenho daquelas pessoas, Jesus declara que os pecados do paralítico (que, segundo a moral de então, são a causa da paralisia) não existem mais. É isso que significa dizer que os pecados estão perdoados. Os doutores da lei, que há mais tempo estão ao encalço de Jesus, consideram isso uma blasfêmia intolerável. Para eles, somente Deus, e através das lideranças do templo, poderia perdoar pecados.

Para deixar bem claro que faz tudo de acordo com a vontade de Deus e reinsere os excluídos na sociedade em nome dele, Jesus ordena que o homem perdoado se coloque de pé, tome sua cama e vá para casa. E assim acontece, diante dos olhos esbugalhados dos doutores da lei e da admiração do povo, que nunca tinha visto algo assim: alguém que, por amor e afirmação da dignidade, levanta o manto da exclusão e ajuda as pessoas a caminharem com autonomia.

 

Sugestões para a meditação

Perceba o ódio e a violência que alimenta a postura falsamente piedosa dos doutores da lei, incapazes de ver a dor humana

Quais são as pessoas que você e sua família estão ajudando a chegar a Jesus e seu Evangelho para serem libertadas

Você que superou totalmente a ideia de que as doenças e sofrimentos são castigo de Deus por algum pecado cometido?

Como os cristãos podemos atuar para desfazer o falso vínculo entre sofrimento ou doença e as culpas ou pecados pessoais?

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