“Nunca vimos um homem
compassivo assim!”
961 | Tempo Comum | 1ª
Semana | Marcos 2,1-12
A cena do evangelho de ontem terminou com
o homem leproso curado e atuando como apóstolo, e Jesus escondendo-se para
despistar os piedosos delatores (“Jesus não podia mais entrar publicamente numa
cidade”). A cena de hoje está na sequência, situada de novo em Cafarnaum, onde
Jesus havia passado a residir com os discípulos. Esta cidade portuária era uma
espécie de centro missionário de Jesus.
Em Cafarnaum, Jesus continua a atividade própria de profeta e
mestre: o ensino sobre o Reino de Deus. Desta vez, porém, ele o faz no espaço
mais livre das casas, e não na sinagoga, espaço controlado pelos doutores da
lei. O povo se reúne, e até o pátio da casa fica apinhado de gente. É a
dificuldade de atravessar a multidão e chegar até a presença de Jesus que leva
um grupo de pessoas a uma ação que é vista por Jesus como uma impressionante
expressão de fé.
Como sempre, a fé abre horizontes e mobiliza as energias na busca
de soluções humanas para os problemas humanos. Um quarteto de homens,
carregando uma maca com um homem paralítico, sobe no telhado da casa, abre um
buraco e baixa a maca com o paralítico bem à frente de Jesus. Aquilo que para
alguns poderia parecer ridículo ou extravagante, é interpretado por Jesus como
límpido sinal de fé, capaz de estimular uma resposta compassiva e imediata.
Vendo a fé e o empenho daquelas pessoas, Jesus declara que os
pecados do paralítico (que, segundo a moral de então, são a causa da paralisia)
não existem mais. É isso que significa dizer que os pecados estão perdoados. Os
doutores da lei, que há mais tempo estão ao encalço de Jesus, consideram isso
uma blasfêmia intolerável. Para eles, somente Deus, e através das lideranças do
templo, poderia perdoar pecados.
Para deixar bem
claro que faz tudo de acordo com a vontade de Deus e reinsere os excluídos na
sociedade em nome dele, Jesus ordena que o homem perdoado se coloque de pé,
tome sua cama e vá para casa. E assim acontece, diante dos olhos esbugalhados
dos doutores da lei e da admiração do povo, que nunca tinha visto algo assim:
alguém que, por amor e afirmação da dignidade, levanta o manto da exclusão e ajuda
as pessoas a caminharem com autonomia.
Sugestões para a meditação
Perceba o
ódio e a violência que alimenta a postura falsamente piedosa dos doutores da
lei, incapazes de ver a dor humana
Quais são
as pessoas que você e sua família estão ajudando a chegar a Jesus e seu
Evangelho para serem libertadas
Você que
superou totalmente a ideia de que as doenças e sofrimentos são castigo de Deus
por algum pecado cometido?
Como os
cristãos podemos atuar para desfazer o falso vínculo entre sofrimento ou doença
e as culpas ou pecados pessoais?
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