sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

Viver no Espírito

AMAR A VIDA

As pessoas não querem ouvir falar de espiritualidade, porque não sabem o que esta palavra encerra. Ignoram que significa mais do que religiosidade, e que não se identifica com o que tradicionalmente se entende por piedade. «Espiritualidade» quer dizer viver uma relação vital com o Espírito de Deus, e isso só é possível quando se experimenta Deus como fonte de vida em cada experiência humana.

Como expôs Jürgen Moltmann, viver em contato com o Espírito de Deus «não conduz a uma espiritualidade que prescinde dos sentidos, voltada para dentro, inimiga do corpo, afastada do mundo, mas a uma nova vitalidade do amor à vida». Frente ao que está morto, petrificado ou insensível, o Espírito desperta sempre o amor à vida. Por isso, viver espiritualmente é viver contra a morte, afirmar a vida apesar da debilidade, do medo, da doença ou da culpa. Quem vive aberto ao Espírito de Deus vibra com tudo o que faz crescer a vida e revolta-se contra o que lhe faz mal e a mata.

Este amor à vida gera uma alegria diferente, ensina a viver de forma amistosa e aberta, em paz com todos, dando-nos vida uns aos outros, acompanhando-nos na tarefa de tornar a vida mais digna e feliz. A esta energia vital que o Espírito infunde na pessoa, podemos chamar de energia erotizante, pois faz viver de forma jubilosa, atraente e sedutora.

Esta experiência espiritual dilata o coração. Começamos a sentir que as nossas expectativas e desejos mais profundos se misturam com as promessas de Deus. A nossa vida finita e limitada abre-se ao infinito. Então descobrimos também que santificar a vida não é moralizá-la, mas vivê-la a partir do Espírito Santo, ou seja, vê-la e amá-la como Deus a vê e ama: boa, digna e bela, aberta à felicidade eterna.

Esta é, segundo João Batista, a grande missão de Jesus Cristo: «batizar-nos com Espírito Santo», ensinar-nos a viver em contato com o Espírito. Só isso nos pode libertar de uma forma triste e raquítica de entender e viver a fé em Deus.

José Antônio Pagola

Tradução de Antônio Manuel Álvarez Perez


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