Todos os dias são
propícios para fazer o bem
966 | Tempo Comum | 2ª
Semana | Marcos 3,1-6
No final do evangelho de
ontem, Jesus se declara senhor do sábado e senhor da Casa Comum. Nenhuma lei,
costume ou instituição, nem mesmo o nervoso mercado, pode ser colocada acima ou
contra ele e o Reino de Deus, ao qual ele serve. Para Jesus, o que conta é a
Vida, o Dom e a Gratuidade, e não os deveres e haveres.
O trecho do evangelho de Marcos
que estamos meditando hoje é uma espécie de teatro político: é uma provocação
de Jesus aos defensores da lei e da ordem, uma clara demonstração de que ele é
um deliberado transgressor da lei. É isso que representa a cura do homem de mão
seca, na sinagoga dos judeus, em pleno dia de sábado. Essa ação é um questionamento
do edifício ideológico da lei judaica.
Marcos diz que, na sinagoga,
“havia algumas pessoas espiando”, buscando motivos para acusar e condenar Jesus.
No final (v. 6), essas pessoas são identificadas como sendo fariseus. Jesus
poderia ter evitado o confronto curando o homem num dia comum e num lugar
discreto. Mas, fazendo isso em dia de sábado, ele sublinha a novidade do Reino
de Deus e a caducidade do sistema legal defendido pelos fariseus.
Chamando o homem doente e
pedindo que ele vá para o centro da assembleia, Jesus provoca: no sábado, a lei
permite ou manda fazer o bem e salvar uma vida, ou fazer o mal e condenar? Os
fariseus se calam, não porque não sabem a resposta, mas para evitar se auto
incriminarem. A dureza e da maldade deles irrita Jesus. E fica triste porque
percebe que, com este questionamento, estava selando seu destino.
Estabelecida a diferença de
perspectivas entre Jesus e os defensores do templo, o homem estende a mão e,
sem qualquer gesto de Jesus, fica curado. E os fariseus, que acusam Jesus por
ter feito o bem a um doente em dia de sábado, decidem, no próprio sábado, fazer
um mal absolutamente maior: condenar Jesus à morte.
Jesus pede que estendamos a mão
a ele e sejamos curados. Pede também que nossa mão se estenda para servir a quem
precisa, para lutar com eles. Mas espera também que tenhamos a corajosa
liberdade de enfrentar e desmascarar os sistemas que oprimem os pobres e
invadem nações, sem medo de represálias.
Sugestões para a meditação
Contemple
a cena e as palavras: os personagens; a vigilância acusadora dos fariseus; a
pergunta e os gestos de Jesus
Você
acha que podemos assumir este ensino e esta ação de Jesus como regra para nossa
vida religiosa e social?
Você
já se deu conta alguma vez de ter usado a palavra de Deus e a fé para se omitir
e se desculpar de fazer algo pelos outros?
O que nos impede de
assumir a atitude livre, corajosa e libertadora de Jesus para fazer o bem a
quem mais precisa?
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