sábado, 10 de janeiro de 2026

Nas águas do Jordão

Jesus é nosso irmão maior e filho amado do Pai

956 | Batismo de Jesus | Mateus 3,13-17

Os doutores da lei ensinavam que os incontáveis pecados do povo ignorante suscitavam a ira de Deus. Por isso, Deus havia fechado o céu e bloqueado sua comunicação com a humanidade. E a lei e os costumes judaicos diziam que só o templo e seus agentes poderiam lavar culpas e perdoar pecados, aplacando a ira divina e reestabelecendo a paz com os fiéis. Fora do templo e suas taxas não poderia haver salvação!

João Batista contraria estas prescrições e práticas. Ele proclama que Deus não cobra nada para perdoar. E anuncia que a água abundante do rio Jordão lava as culpas que pesam sobre as costas dos mais pobres. Como os magos mostraram no natal, João recorda que os caminhos da graça de Deus n­ão passam por Jerusalém, nem pelo templo.

Uma multidão de gente vergada sob o peso de uma pesada canga de leis e condenações acorre a João. Gente humilde e humilhada, pobre e empobrecida, ignorante e ignorada, com fome de tudo: de pão, de justiça, de graça, de acolhida, de cidadania. Muitos habitantes de Jerusalém, da Judéia e da região, cansados de penar e sedentos de um Deus diferente, saem à procura do Profeta de hábitos simples e palavras exigentes.

Jesus deixa a Galileia e vai à procura de João Batista em meio a essa gente, na mesma fila, com os mesmos sentimentos. Ele também deseja endireitar caminhos, nivelar colinas, mudar as coisas. Ele quer deslocar o centro para a periferia e a periferia para o centro. Jesus sabe que do templo não poder vir nada de novo e nada de bom. Seu batismo é participação solidaria nas tentativas, buscas e sonhos do seu povo.

João percebe que está em curso uma inversão revolucionária. Mas também ouve da bca de Jesus que a justiça não pode ser realizada parcialmente. A encarnação de Deus deve atingir a humanidade em sua dimensão mais profunda. Com seu batismo, Jesus Cristo manifesta ao mundo a compaixão de Deus, assumindo o lugar dos últimos.

É por isso que a voz do Pai diz que este filho é quem lhe agrada e dá prazer. Deus é compaix­ão e complacência! E isso porque Jesus passa pelo mundo fazendo o bem, mostrando que Deus não discrimina pessoas e povos, e o faz assumindo o papel de Servo. Ele revela a paternidade de Deus recriando os vínculos de fraternidade, começando pelas vítimas. Bem diferente do porta-voz do rei, que anunciava suas más notícias quebrando canas e apagando velas.

 

Sugestões para a meditação

Releia o texto lentamente, detendo-se nos sinais e nos personagens, naquilo que falam e fazem, nas atitudes que revelam

Qual seria a razão da resistência de João Batista quando vê Jesus em meio aos pecadores, buscando seu batismo?

Qual é o significado do cumprimento pleno da justiça no tempo de Jesus e em nosso tempo?

Será que o batismo continua despertando nos cristãos a consciência de serem filhos de Deus e irmãos sem distinção ou discriminação?


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