sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

Para os justos ou os pecadores?

Jesus abre as portas às pessoas de ‘má fama’

962 | Tempo Comum | 1ª Semana | Marcos 2,13-17

Na cena de ontem, estando em sua própria casa, Jesus deixa claro que, quando reinsere os excluídos na sociedade, faz isso em nome de Deus. Por isso, depois de declarar perdoados os pecados do paralítico, ordena que ele se coloque de pé, tome sua cama e vá para casa. E assim aconteceu, diante da admiração do povo, que nunca tinha visto algo assim: alguém que enfrenta a exclusão e resgata a autonomia.

Depois disso, Jesus sai de novo à beira do mar, acompanhado pelos seus discípulos. E, ali, prossegue seu ensinamento original sobre o Reino de Deus. Caminhando, vê um coletor de impostos e o chama para fazer parte do seu colégio de discípulos. Mais tarde, na casa de Levi – assim se chamava o coletor – senta-se à mesa na qual se misturam discípulos, coletores de impostos e o povão, numa confraternização alegre e profética, sem distinção ou exclusão de ninguém

Jesus vivia cercado de gente anônima, pertencente às classes de baixo, não educada nas academias e que vivia à margem da lei judaica. Eles são identificados como pecadores, e são socialmente marginalizados, como os coletores de impostos, que são judeus que colaboram com os dominadores romanos, e são evitados e penalizados pelo judaísmo. Essa “mistura de gentalha” se reúne na casa de Levi.

Como fizeram os convidados anteriores, Levi atende ao chamado de Jesus e rompe com uma atividade que o fazia colaborador dos invasores e explorador do seu próprio povo. E Jesus vai à sua casa e participa de uma simbólica interação fraterna e solidária com o povão, os diversos tipos de pecadores e os discípulos, sob o olhar escandalizado dos fariseus doutores da lei. Sentar à mesa significa comungar com a vida daqueles que a compartilham.

Jesus responde ao questionamento dos fariseus aos seus discípulos com uma comparação com a qual sublinha, justifica e evidencia sua opção: como são os doentes que precisam de médico, são os pecadores que precisam de acolhida e perdão. “Eu não vim para chamar os justos”, diz Jesus provocativamente. Para Jesus, a Igreja jamais pode colocar barreiras ao povo e aos pecadores. Nada mais distante do sonho de Jesus que uma Igreja exclusiva para pessoas que se consideram justas.

 

Sugestões para a meditação

Observe a alegria dos pecadores e do povão acolhido e valorizado por Jesus, assim como o escândalo dos fariseus

Como você e sua comunidade se sentem diante da defesa dos direitos humanos das pessoas ameaçadas em sua integridade?

Em que medida sua comunidade, e a Igreja como um todo, seguem essa orientação de Jesus na sua ação pastoral?

Que lugar o povo mais simples e as pessoas quebradas pela vida encontram em nossas comunidades cristãs?


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