A alegria do
discípulo é acolher a noiva do amigo
955 | Tempo do Natal
| João 3,22-30
Estamos na véspera da festa do Batismo de Jesus, e
chamamos de novo João, o profeta que também batiza, para ajudar-nos a bem
avaliar quem é a pessoa que ele mesmo batizará e que nos seduziu. A cena nos
apresenta Jesus atuando bem perto do lugar onde João desenvolvia sua missão. Os
discípulos de João constatam que Jesus atrai mais seguidores que João, ficam
intrigados com isso e vão comunicar isso a João.
A
atitude dos discípulos de João é um pouco estranha. Parece que eles querem
mudar a missão de João, que é ser sinal e testemunha, preparar o caminho para
aquele que deve chegar. Mas João não veio para ocupar o lugar de ninguém, não
sente inveja do sucesso de ninguém. Ele reconhece que Jesus tem uma missão que
é só dele, que não a deve a ninguém e que recebe do próprio Deus.
João
deixa claro a quem quiser ouvir: ele veio à frente do Messias, mas aquele que
veio depois o ultrapassa. Sua missão de precursor e preparador termina quando
desperta nos seus discípulos o desejo de aderir a Jesus. João Batista sabe muito
bem que ele mesmo é transitório e que caminho de Jesus é definitivo. Ele é
amigo do noivo, e, por isso, sabe que a noiva (a humanidade) não é sua.
A
comparação de João com o amigo da noiva é interessante. Na tradição judaica, ao
amigo mais próximo do noivo cabia a tarefa de preparar a noiva para a cerimônia
de casamento. E sua alegria é ouvir os sinais da aproximação do noivo, sinais
que a noiva não pode perceber. O amigo do noivo prepara tudo para quem vem
depois, e se retira, pois não é ele o protagonista da festa. Trata-se de
estimular a expectativa da noiva.
Jesus
é o noivo esperado, e a noiva é a humanidade. João tem consciência de que deve
preparar os discípulos para que reconheçam e acolham o Messias, que vem selar a
aliança definitiva de Deus com a humanidade. Essa é a meta da sua vida e
missão, por isso o amigo do noivo diminui para que o noivo cresça.
Neste sentido, João é inspiração para todo discípulo
de Jesus: somos amigos de Jesus, e nossa alegria é despertar e formar homens e
mulheres que se encantem com ele e com seu Evangelho, e se tornem discípulos
dele. Nossa missão é preparar a noiva para recebe-lo, acolher e aprimorar suas
expectativas. Precisamos levar a sério que é necessário que Jesus cresça e que
nós diminuamos.
Sugestões para a meditação
Releia o
texto lentamente, acompanhe o movimento dos personagens, escute atentamente as
palavras de cada um
Em que
sentido a atitude de João frente à inquietação dos seus seguidores pode
inspirar nossa missão de líderes cristãos?
Por que
custa tanto aos homens e mulheres das Igrejas e da Sociedade cumprir sua missão
sem querer aparecer?
O que pode
significar para a nossa vida familiar e em nossa comunidade eclesial o
princípio “que ele cresça e eu diminua”?
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