terça-feira, 27 de janeiro de 2026

Terrenos & sementes

É preciso confiar na força na bondade da terra

973 | Tempo Comum | 3ª Semana | Marcos 4,1-20

Marcos nos apresenta duas catequeses ou sermões mais extensos de Jesus: o capítulo 4 (em linguagem parabólica); e o capítulo 13 (em linguagem apocalíptica). Muda a linguagem, mas o tema é o mesmo: as tensões e dificuldades inerentes à missão de Jesus e, por tabela, dos discípulos e discípulas. E o apelo de Jesus também é também o mesmo nos dois discursos: escutar, entender e vigiar.

A crescente polarização entre o “pessoal do templo” e o “pessoal de Jesus” leva Jesus a se retirar de cena para refletir sobre sua missão e intensificar a formação dos seus discípulos e discípulas. Recorrendo às parábolas que têm como fundo a experiência da vida no campo, Jesus quer suscitar nos seus seguidores a esperança diante das desigualdades. É uma espécie de sermão sobre a paciência e a perseverança que devem marcar a vida dos seus futuros missionários.

Contra o realismo cínico daqueles que dizem que nada mudará, que não adianta sonhar e tentar (a falsa sabedoria do senso comum), Jesus apresenta duas parábolas de sementes: a primeira convoca à paciência perseverante e revolucionária; e a segunda incita à esperança apesar das desigualdades e dominações que infestam e ferem a vida dos pobres. Jesus insiste que é preciso escutar e entender as lições dessas duas parábolas.

A parábola do semeador e a explicação que se segue estão no contexto do intenso conflito ideológico entre o ensino e a prática de Jesus e o ensino e a prática dos doutores da lei. Elas refletem os obstáculos enfrentados pela missão de Jesus, mais tarde, pelos seus discípulos. Não são narrativas terrenas com sentidos celestes, mas demonstrações do dinamismo do Reino de Deus nas coisas mundanas, históricas.

Os três tipos de terra inaptos à semente do Reino chamam a atenção para três tipos deficiente de discipulado: o tipo daqueles que se afastam imediatamente depois de escutar o anúncio do Reino de Deus, ancorados num falso bom senso; o tipo daqueles que se entusiasmam e se alegram, mas não compreendem nem acolhem com profundidade a mensagem do Reino de Deus; o tipo daqueles que aderem à dinâmica do Reino, mas desistem sufocados pelas riquezas e outras ambições. Mas há esperança, porque há também aqueles (25%!) que ouvem, entendem, perseveram e dão abundantes frutos. Portanto, vale a pena se a alma não for pequena!

 

Sugestões para a meditação

Releia o texto com a imaginação, prestando atenção na parábola, na reação dos discípulos, no questionamento e explicação de Jesus

Em que medida nossa forma de seguir Jesus também apresenta as deficiências dos três primeiros tipos de terreno?

Você também não é tentado a pensar que nada vale a pena, que nada muda, que tudo está perdido, que só resta salvar a alma?


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