Jesus é o cordeiro
que resgata nossa liberdade
963 | Tempo Comum | 2ª
Semana | João 1,29-34
Na
cena do evangelho do segundo domingo do tempo comum, João Batista, vendo Jesus
que passa, declara: “Eis o Cordeiro de Deus, aquele que tira o pecado do
mundo.” E os papéis se invertem: quem era discípulo passa a ser mestre; quem
estava atrás, passa à frente; quem veio antes, passa a seguir quem veio depois.
Esta imagem de Jesus Cristo como Cordeiro de Deus
adquiriu um lugar importante na tradição cristã, e é recordada em cada
celebração eucarística. No livro do Apocalipse, a imagem do Cordeiro é aplicada
a Jesus, e aparece frequentemente. Ele é o Cordeiro ferido, mas vitorioso e glorioso.
Quase que espontaneamente, nesta imagem do cordeiro vemos a mansidão e a
docilidade. Mas o cordeiro remete também à páscoa dos judeus, ao cordeiro que
eles comeram no início do êxodo.
João
nos apresenta Jesus como o Cordeiro pascal da tradição judaica, o sinal de
comunhão do povo na memória, no sonho e na luta pela liberdade. Com ele, o povo
hebreu celebrava a história e a utopia libertária, que, com o passar do tempo,
acabou sendo ligada de modo quase exclusivo a uma etnia, uma nação e uma cultura.
Ultimamente, com a privatização da experiência religiosa, a imagem do cordeiro
acabou também refém de uma espiritualidade desencarnada.
Para
João, Jesus é o Cordeiro que tira o pecado do mundo. Este ‘pecado do mundo’ se
condensa na recusa do projeto de Deus e na submissão aos sistemas fechados, que
se colocam a serviço dos interesses privados, e às violências e mentiras que
sua manutenção exige. Somente o dom Espírito pode fazer do ser humano uma
realidade nova, renascida e capaz de amar e dar a vida, como o próprio Jesus. Jesus
é o Homem escolhido e ungido pelo Pai para vencer e erradicar esse pecado e sua
força.
O
Espírito de Deus respousa sobre Jesus, e ele começa sua missão indo ao encontro
das ‘ovelhas perdidas’. Mas ele também abre as portas do Reino de Deus a todas
as pessoas, classes, povos, etnias e crenças. Para Jesus, o cordeiro de Deus, o
mundo não está dividido em “pessoas de bem” e pessoas indesejaveis. Ele
aprendeu com o Pai e ensina aos que o seguem que os últimos são os primeiros.
Dz até que as prostitutas e publicanos são cidadãos do Reino mais importantes
que os demais.
Sugestões para a meditação
Releia o
texto lentamente, detendo-se em cada palavra e em cada gesto, interagindo com
os personagens
Observe com
atenção o impacto que esta apresentação de Jesus tem sobre os discípulos de
João
Que
ressonâncias a imagem do cordeiro de Deus, ferido e de pé, tem para você e para
as comunidades cristãs de hoje?
Qual a
imagem ou a metáfora mais adequada e fiel ao Evangelho para apresentar Jesus
aos homens e mulheres de hoje?
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