Jesus resgata a
identidade de quem a perdeu
958 | Tempo Comum | 1ª
Semana | Marcos 1,21-28
Estamos meditando as palavras e ações de
Jesus durante a semana inaugural da sua missão, conforme o evangelista Marcos.
Depois de proclamar de forma resumida e enfática a que veio – “o tempo de
espera terminou; o reino de Deus está próximo; mudem o modo de pensar; creiam
nessa boa notícia” – ele vai à sinagoga de Cafarnaum e realiza o primeiro sinal
de que o Reino de Deus de fato desabrochou.
Sua pregação provoca encanto e admiração. Seu ensino não é como a
doutrina impositiva dos doutores da lei. Na sinagoga, lugar do ensino sobre a
lei de Deus, ocorre o primeiro confronto de Jesus com os doutores da lei, senhores
do púlpito e de toda a sinagoga. Enquanto Jesus ensina que o Reino de Deus é
graça inclusiva e regeneradora, os doutores repetem que é preciso cumprir a
lei, custe o que custar.
Por isso, com seu ensino Jesus ataca a legitimidade dos doutores da
lei e dos escribas. A sinagoga é o cerne da ordem social do judaísmo. São eles
que falam pela boca daquele possuído por um espírito imundo, profundamente
destruído. São eles que temem perder a influência sobre o povo, e pensam que
Jesus veio “puxar o tapete” deles. Mais adiante, eles dirão que o próprio Jesus
está possuído por um espírito imundo, e o veem um intruso hostil à ordem que
eles defendem.
Prestando atenção ao evangelho de Marcos, percebemos que Jesus
fala pouco e age muito. E a primeira ação pública que ele realiza é calar a voz
daqueles que dizem que Jesus veio para incomodar e destruir. Espírito imundo é
o filho da mentira (que ultimamente recebeu o nome de fake news), e a ação de Jesus não é um gesto típico de um
exorcista, mas um sinal da libertação suscitada pelo Reino de Deus. Nos
evangelhos, a ação de expulsar espíritos maus ou demônios caracteriza a vitória
de Deus sobre as resistências ao seu Reino.
O ministério de compaixão e libertação de
Jesus provoca espanto e admiração. E o povo começa a se perguntar o que isso
significa e qual é a identidade de Jesus. Enquanto isso, as autoridades
religiosas ficam inquietas e indignadas. Elas percebem desde logo que a ação
libertária e solidária de Jesus vai minando desde as bases o sistema ideológico
e social que eles defendem e que mantém seus privilégios.
Sugestões para a meditação
Releia o texto
com a imaginação, acompanhando Jesus na sinagoga de Cafarnaum, seu ensino e as
reações que provoca
Preste
atenção na objeção dos doutores da lei a Jesus, pela boca de uma pessoa
possuída por um espírito imundo
O que
significa a ousadia de Jesus em ensinar com autoridade na própria casa dos
detentores do direito de ensinar?
Você acha
que Jesus veio para destruir a zona de conforto de quem deseja viver sua fé sem
se importar com os pobres?
2 comentários:
Não acho, tenho certeza! O Evangelho social de Jesus é transformador. Quando vc se depara com o chamado do mestre ou vc o segue e passa ser oprimido pelo sistema (comunista, defensor de vagabundo, etc) ou sai pela culatra como o jovem rico.
Mas os fascínoras continuam a distorcer o evangelho inclusivo, porque querem exclusividade
A Igreja está lotada de fariseus que tentam bloquear a ação transformadora do evangelho no povo sofrido da América Latina.
Mas eles serão derrotados e expostos por sua hipocrisia e religiosidade apócrifa
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