terça-feira, 9 de junho de 2026

A lei e os profetas

Jesus revela e cumpre o sentido profundo da Lei

1107 | Tempo Comum | Semana X | Quarta-feira | Mateus 5,17-19

Os evangelhos não deixam dúvidas: aos olhos de grande parte dos seus contemporâneos, Jesus era um anarquista que estimulava à desobediência da lei religiosa e civil. A liberdade recebida e vivida por aqueles que se fizeram seus discípulos também causou preocupações, até por causa do exagero de alguns. Daí a pergunta: Jesus teria vindo da parte de Deus para abolir a Lei?

Estamos na primeira grande “aula” no processo de formação dos discípulos, que conhecemos como “sermão da montanha”. É claro que a indicação das características das pessoas que são os “bem-aventurados”, os santos, as pessoas que agradam a Deus, causou desconcerto. A intervenção de Jesus que refletimos hoje procura esclarecer colocar as coisas no seu devido lugar.

As citações diretas das escrituras que podemos ler nos capítulos anteriores já poderiam ter eliminado as dúvidas: tudo na vida de Jesus ocorre “para que se cumpra a Lei”. Mas então, se fosse apenas isso, Jesus seria apenas um profeta judeu como todos os outros, ou um simples reformador dos costumes? Nele só haveria continuidade, sem nenhuma espécie de ruptura em relação ao judaísmo?

Para responder a estas interrogações, Jesus começa com uma advertência: “Não pensem que eu vim abolir a Lei e os Profetas!” Tanto a Lei como os Profetas, continuam como uma espécie de “pedagogos” até que o Reino de Deus seja consumado, até que passe este velho sistema social, cultural e religioso (“o céu e a terra”). “Eu vim para cumprir plenamente” tanto a Lei como a Profecia, diz Jesus. A prática dos escribas e fariseus era parcial e imperfeita.

Com expressão “em verdade, em verdade” Jesus enfatiza sua autoridade e se apresenta como o cumpridor do sentido profético da Lei, até então escondido aos judeus. Ele é  a “chave” que abre o sentido das escrituras, que devem ser lidas e revistas a partir daquilo que ele viveu e ensinou. Desobedecendo (ou ultrapassando) as leis para atender as necessidades das pessoas vulneráveis, Jesus se mostra um profeta, e manifesta o verdadeiro sentido e o objetivo último da lei.

 

Sugestões para a meditação

Você não tem a impressão de que, com seu ensino e sua prática, Jesus estimula uma postura desobediente e anárquica frente às leis?

Você não acha que, por outro lado, muitas pregações e práticas de hoje prendem Jesus à simples e inflexível obediência às leis e costumes?

O que significa para nós, hoje, levar a sério que Jesus cumpre e revela plenamente as escrituras anteriores a ele?

Quais as implicações de assumir “o olhar, o agir e o sentir” de Jesus como chaves para a leitura das Escrituras Sagradas?

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