Jesus revela e cumpre o sentido profundo da Lei
1107 | Tempo Comum |
Semana X | Quarta-feira | Mateus 5,17-19
Os evangelhos não deixam dúvidas: aos olhos de grande parte dos seus
contemporâneos, Jesus era um anarquista que estimulava à desobediência da lei
religiosa e civil. A liberdade recebida e vivida por aqueles que se fizeram
seus discípulos também causou preocupações, até por causa do exagero de alguns.
Daí a pergunta: Jesus teria vindo da parte de Deus para abolir a Lei?
Estamos na primeira grande “aula” no processo
de formação dos discípulos, que conhecemos como “sermão da montanha”. É claro
que a indicação das características das pessoas que são os “bem-aventurados”,
os santos, as pessoas que agradam a Deus, causou
desconcerto. A intervenção de Jesus que refletimos hoje procura esclarecer colocar as coisas no seu
devido lugar.
As citações diretas das escrituras que podemos
ler nos capítulos anteriores já poderiam ter eliminado as dúvidas: tudo na vida de Jesus ocorre “para que se
cumpra a Lei”. Mas então, se fosse apenas isso, Jesus seria apenas um
profeta judeu como todos os outros, ou um simples reformador dos costumes? Nele
só haveria continuidade, sem nenhuma espécie de ruptura em relação ao judaísmo?
Para responder a estas interrogações, Jesus começa com uma advertência: “Não
pensem que eu vim abolir a Lei e os Profetas!” Tanto a Lei como os Profetas, continuam como uma espécie de “pedagogos”
até que o Reino de Deus seja consumado, até que passe este velho sistema
social, cultural e religioso (“o céu e a terra”). “Eu vim para cumprir plenamente” tanto a Lei como a Profecia, diz
Jesus. A prática dos escribas e fariseus era parcial e imperfeita.
Com expressão “em verdade, em verdade”
Jesus enfatiza sua autoridade e se apresenta como o cumpridor do sentido
profético da Lei, até então escondido aos judeus. Ele é a “chave” que abre o
sentido das escrituras, que devem ser lidas e revistas a partir daquilo que
ele viveu e ensinou. Desobedecendo (ou ultrapassando) as leis para atender as
necessidades das pessoas vulneráveis, Jesus se mostra um profeta, e manifesta o verdadeiro sentido e o objetivo
último da lei.
Sugestões para a meditação
Você
não tem a impressão de que, com seu ensino e sua prática, Jesus estimula uma
postura desobediente e anárquica frente às leis?
Você
não acha que, por outro lado, muitas pregações e práticas de hoje prendem Jesus
à simples e inflexível obediência às leis e costumes?
O
que significa para nós, hoje, levar a sério que Jesus cumpre e revela
plenamente as escrituras anteriores a ele?
Quais
as implicações de assumir “o olhar, o agir e o sentir” de Jesus como chaves
para a leitura das Escrituras Sagradas?
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