Jesus não ignora a humilhação dos pobres
1124 | Tempo Comum |
Semana XII | Sábado | Mateus 8,5-17
Depois da primeira etapa do processo de “formação
na ação” que Jesus oferece aos seus discípulos (purificação e cura de um
leproso), entramos na fase narrativa, que descreve
a novidade do Reino de Deus em ação naquilo que Jesus faz. Também nisso ele
forma, educa e orienta seus discípulos missionários. Ontem, vimos como ele
desmascara a ideologia que taxa os leprosos como impuros.
Uma leitura atenta do início do capítulo 8 do evangelho segundo Mateus
ajuda-nos a perceber que Jesus derruba
os muros e atravessa as fronteiras políticas, étnicas, religiosas e sociais,
enfrentando o sofrimento das pessoas rejeitadas, oprimidas, isoladas, doentes,
paralíticas, etc. E faz isso evitando os
centros e deslocando-se para as margens. Usa como meios eficazes a Palavra
e o toque, a compaixão e a misericórdia, sem
recorrer a ações poderosas e capazes de impressionar, seduzir e provocar medo.
São ações que beneficiam os necessitados, e não subjugam ninguém.
Na cena de hoje se
confrontam dois reinos (o império romano e o
Reino de Deus), duas etnias (os
judeus e os pagãos) e duas classes
(um chefe militar e uma mulher sem nome). O
escravo e a sogra de Pedro não têm voz, não contam para nada. Diante desses
dois sujeitos sociais, Jesus faz o que
império romano não faz, e corrige aquilo que a dominação provoca. A
possessão era a expressão da completa destruição da pessoa, e Jesus põe fim a
esse mal que fere tanta gente.
A figura do oficial romano é ambivalente, pois ele faz parte da
estrutura de dominação e de violência do império romano, mas, ao mesmo tempo, é
um pagão, e, como tal, é desprezado pelos judeus. Pela confiança radical na
força libertadora da pessoa e da Palavra de Jesus para curar alguém tratado por
ele como simples propriedade, este
oficial chama a atenção e atrai o elogio de Jesus.
A atitude e as
palavras desse pagão inspiram a vida cristã. Sua fé é exemplo até para os judeus mais piedosos. Em cada celebração
eucarística, repetimos suas palavras, e queremos assimilar sua atitude.
“Senhor, eu não sou digno que entres em minha casa, mas uma palavra tua basta
para curar-me!”
Sugestões para a
meditação
Preste
atenção nos gestos e nas palavras do oficial romano: ele pede em favor de um
escravo, sua propriedade, uma pessoa que talvez ele mesmo tivesse torturado
O
oficial expressa sua fé na força da Palavra e da compaixão de Jesus de Nazaré
por aqueles que não tem voz nem vez
Jesus
se interessa pela sogra de Pedro, vai ao encontro dela no reduto doméstico,
ajuda-a a superar a enfermidade e recoloca-a de pé
Você
deseja que Jesus entre na sua casa e faça as mudanças que o Evangelho pede,
tome você pela mão e faça de você um servidor dos outros?
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