Nosso coração está onde está nosso tesouro
1116 | Tempo Comum |
Semana XI | Sexta-feira| Mateus 6,19-23
A parte do
evangelho de Mateus que conhecemos como “sermão da montanha” é uma iniciação dos discípulos à novidade do
Reino de Deus. Depois de dar exemplos de uma nova interpretação da antiga
Lei, e depois de falar criticamente das práticas de piedade (esmola, oração e
jejum), Jesus adverte seus discípulos
sobre os compromissos do coração, sobre a opção fundamental que unifica
todas as ações.
Hoje Jesus adverte os discípulos e demais ouvintes sobre a insensatez e a imprudência da cobiça.
Os “tesouros na terra” são a obsessão de possuir sempre mais, o consumo
desmedido, o sucesso a qualquer custo. Apesar da sua aparência e promessa,
estas são coisas instáveis cuja posse
nunca está garantida, coisas sem valor verdadeiro, sempre sujeitas à
deterioração. Tratar isso como essencial equivale a negligenciar a vontade de
Deus.
Jesus propõe a busca de “tesouros no céu”, que são os valores do Reino de Deus: a
misericórdia, a compaixão, a partilha solidária e a fraternidade como bens
imperdíveis e indestrutíveis. Sobre isso Jesus já falara, de algum modo,
nos trechos anteriores. Trata-se então de ter isso como desejo sincero,
preponderante, profundo e permanente. Em outras palavras: transformar isso em
uma “opção fundamental”, que baseia e orienta tudo.
Jesus ilustra a diferença entre
estes dois projetos com a metáfora do olho. Na cultura do povo do seu tempo, os olhos eram
considerados uma espécie de faróis que projetam para fora a luz que vem de
dentro. Então, se nossos olhos faíscam
cobiça, são faróis que só projetam escuridão doentia, e tornam nossa vida algo
tenebroso. Se nossos olhos estão fixos no reino de Deus, projetam luz
clara, suave e benfazeja.
O foco sincero e profundo no reino de Deus significa: para os ricos, ruptura com a
cobiça, renúncia à acumulação, partilha solidária; para os pobres, confiança
profunda em Deus, que cuida de nós como o faz um pai; cooperação solidária com
os iguais ou mais necessitados; superação da tentação de imitar os ricos e
poderosos. O seguimento de Jesus é uma
aventura bela, mas, igualmente exigente.
Sugestões para a meditação
Quais
são os valores que “brilham aos nossos olhos”, que mobilizam e potencializam
nossas energias e nossas buscas?
Como
entender que a busca da prosperidade a qualquer custo tenha ocupado o lugar da
justiça em muitas pregações?
Que
pedidos ou súplicas costumam ocupar os primeiros lugares nas “listas de
desejos” que diariamente apresentamos a Deus?
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