Jesus não veio atormentar os que sofrem
1128 | Tempo Comum |
Semana XIII | Quarta-feira | Mateus 8,28-34
Depois de atravessar o lago de Genesaré e acalmar a
tempestade que rugia no exterior e no interior dos discípulos, Jesus inaugura sua missão em território não
judeu, marcado pela presença do império romano e do seu exército. E o faz não como um passeio turístico ou uma guerra
religiosa ou cultural, mas para curar duas pessoas possuídas por espíritos
impuros, ou demônios. Esse é o primeiro
“exorcismo” que Jesus realiza na versão do Evangelho entregue por Mateus.
Para os povos antigos, a possessão era a completa perda da personalidade, a ponto de as
pessoas não falarem mais por si mesmas, mas manifestarem a vontade e a palavra
da “entidade” que as possuía. Normalmente,
esse era o resultado da forte pressão psíquica sob a qual as pessoas viviam.
Em Israel, tais pessoas eram excluídas
do convívio familiar e social, e viviam fisicamente e socialmente
marginalizadas.
A cena do evangelho de hoje parece uma sátira contada
por Jesus e pelas comunidades para desmoralizar a força econômica, política e
militar do império romano. Nela, Jesus enfrenta
decididamente e vence de forma rotunda as forças que oprimem o povo.
Inicialmente, os dois “possessos” se portam como animais ferozes e se aproximam
de Jesus aos gritos e ameaçando-o. Nas
palavras e perguntas dos espíritos maus ecoa o medo que os opressores tem de
Jesus e sua ação libertadora.
Jesus não responde aos protestos deles, e os “demônios” acabam propondo um acordo: que Jesus permita que eles
deixem os homens e se hospedem nos porcos! Lembremos
que o pelotão local do exército romano tinha o porco no seu brasão! Jesus
não concede nada, simplesmente manda! Com isso, subverte e vence o poder imperial, e o impacto destrutivo da sua ação
abala o povo da aldeia, que sai ao encontro de Jesus pedindo que ele vá
embora da região.
Esta atitude do povo local antecipa a resistência que lhe oporá mais
tarde a elite religiosa do templo! Tanto um como o outro preferem a falsa segurança do exército
romano à perigosa liberdade inaugurada por Jesus. Vivendo o dinamismo do
Reino, Jesus e seus discípulos ameaçam interesses e provocam conflitos!
Sugestões para a
meditação
Observe
como a aldeia, mesmo conhecendo a dominação, prefere ficar com seus pequenos
benefícios que acolher a presença de Jesus
Quais
são as políticas que estão provocando as enfermidades psíquicas que atingem
grande parte do povo brasileiro, e qual é o remédio?
Peça
ao Senhor a graça de confiar plenamente nos frutos da presença de Jesus nos
dramas pessoais, familiares e da humanidade
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