Crer é mais que reagir, é tomar a iniciativa
1112 | Tempo Comum |
Semana XI | Segunda | Mateus 5,38-42
No sermão da montanha, que é uma espécie de minicurso de iniciação dos
discípulos ao Evangelho do Reino de Deus, Jesus se apresenta como o
intérprete e consumador da lei e dos
costumes do judaísmo. Hoje nos deteremos no quinto exemplo de releitura da Lei
que Jesus desenvolve, como Mestre que ensina
com autoridade e ousadia. Não domestiquemos a novidade do Evangelho!
A vingança, que nasce no ventre do medo, parece fazer parte da história
das sociedades. O judaísmo quis limitar este princípio ao “olho por olho e
dente por dente”. Isso já representa um avanço diante da violência ilimitada
que a vingança desencadeava. Mas Jesus pede aos seus discípulos e discípulas
muito mais que isso. Ele pede que
quebremos o círculo ou a lógica da violência, que passemos da simples reação
contra a violência sofrida à iniciativa positiva e à gratuidade. “Não
enfrenteis quem é malvado” (com a mesma prática), diz Jesus.
Jesus dá alguns exemplos de como podemos fazer isso na prática.
Num contexto em que o tapa no rosto era um insulto e uma violência física de
uma pessoa superior contra outra pessoa tratada como inferior, oferecer a outra face a quem bate é
expressão inequívoca de dignidade e superioridade, de capacidade de
iniciativa, de uma atitude fundamental de não-violência ativa. Não é sinal de submissão.
Num ambiente no qual era comum um proprietário rico penhorar
judicialmente a túnica de um pobre endividado, entregar também o manto, ou seja, todas as vestes, era uma forma de expor a humanidade nua que
iguala a todos os seres humanos, um jeito de protestar e de desmascarar a
violência dos prepotentes.
Num contexto em que os soldados romanos, que garantiam
com violência a ocupação colonialista, obrigavam o povo nativo a caminhar com
eles e carregar as armas que serviam para intimidá-los, caminhar o dobro do que lhes era imposto significava não entrar no jogo
dos opressores, tomar a iniciativa e ser mais digno que eles. Não há
qualquer sombra de dúvidas! O ensinamento de Jesus não tem nada de submissão, e
tudo de alternativo, de maturidade humana.
Sugestões para a meditação
Deixe
ressoar em você este ensino inovador que Jesus viveu: não pagar com a mesma
moeda, não ser uma pessoa reativa, mas inovadora, revolucionária
Recorde
cenas e acontecimentos da vida de Jesus que demonstram que ele vive isso que
ensina aos seus discípulos
O
que significa hoje oferecer a outra face, dar o manto a quem quer se apropriar
da túnica, andar o dobro daquilo que nos impõem?
Como
poderíamos praticar este ensinamento de Jesus nas relações violentas que
infestam as redes sociais, especialmente quando o assunto é política?
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