Conhecemos as Escrituras e a força de Deus?
1100 | Tempo Comum |
9ª Semana | Quarta-feira | Marcos 12,18-27
Depois da armadilha apresentada a Jesus pelos
fariseus e herodianos, são os saduceus
que “pegam em armas”. Trata-se de um grupo social composto pela aristocracia
sacerdotal e leiga, gente que detém o poder econômico, político e religioso, e
que divulga uma ideologia conservadora e pragmática. Em geral, são eles que comandam o templo, e, do ponto
de vista político, são aliados romanos.
Os saduceus não estão interessados em discutir com
Jesus a questão da ressurreição dos mortos, que eles negam. Eles estão interessados na manutenção da posse
dos bens (mediante a descendência) e
das tradições e costumes da família patriarcal. Na história ridícula que
eles imaginam e apresentam a Jesus não
transparece um pingo de preocupação com a figura da mulher, ferida pela esterilidade,
que eles consideram uma maldição. O
problema deles não é teológico, mas econômico.
Chama a atenção a repetida afirmação de Jesus de
que eles estão enganados, que eles não sabem ler nem interpretar as escrituras.
E isso não se refere apenas ao tema específico da ressurreição dos mortos, mas
também à leitura ideológica e
interesseira das escrituras praticada por eles para defender o patriarcalismo e o patrimonialismo. Para Jesus, a
ressurreição, que eles negam, é uma afirmação de novas e possíveis relações
igualitárias. Deus se recusa a perpetuar
as relações desiguais do patriarcado!
Jesus abandona a
questão e o debate suscitado pelos saduceus para recolocar a libertação e o respeito à dignidade das pessoas no centro
da revelação de Deus e da vida de fé. Para Jesus, Deus é um Deus dos vivos, dos humanos, dos iguais, do homem e da mulher
que se unem e formam uma só carne, sem predomínio de um sobre o outro. E
tanto o homem como a mulher são chamados a colaborar com a obra criadora e
libertadora de Deus, cuidando da criação e das gerações humanas, deixando em
segundo plano as questões da propriedade e da herança.
No projeto de Deus não há espaço para o patriarcalismo e para o
patrimonialismo. Aquilo que sempre foi não será, precisa ser
mudado, transformado. Quem se propõe a
seguir Jesus não pode permanecer refém de preocupações unicamente morais ou
espirituais, mas deve, como ele, engajar-se
em todas as legítimas causas proféticas emancipadoras. Não há como conjugar
seguimento de Jesus e defesa da supremacia de quem quer que seja.
Sugestões para a meditação
Situe-se
no interior da cena, diante de Jesus e em meio aos saduceus e seus
indisfarçáveis interesses
Você
consegue perceber hoje, por detrás dos discursos que defendem a família
tradicional e a “pureza” da fé, interesses ideológicos e projetos de violência?
Estaríamos
nós sendo tentados a uma identificação cômoda do Evangelho com o patriarcalismo
e com o capitalismo?
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