Não façam as coisas para buscar aplausos!
1114 | Tempo Comum |
Semana XI | Quarta-feira| Mateus 6,1-6.16-18
Nas últimas meditações, vimos refletindo sobre
a proposta inovadora de Jesus frente aos costumes e leis do judaísmo, em seis
exemplos concretos. No evangelho de hoje Jesus
prossegue seu ensino, deslocando a atenção das prescrições legais para as
práticas de piedade: a esmola, a oração e o jejum. É uma nova etapa na
formação dos discípulos. Não faltemos a mais esta lição da nossa formação
permanente!
Nos exemplos anteriores, o tema era a justiça
maior e plena que aquela praticada pelos fariseus, a justiça que antecede e
ultrapassa as prescrições e proibições. Este tema continua na presente seção,
como, de resto, em todo o evangelho de Mateus. Para alguns setores importantes
do judaísmo, tudo se resumia em
aparecer, ser visto e reconhecido, em granjear a fama aos olhos do povo,
inclusive com práticas morais muito minuciosas. Em vista do reconhecimento eles
faziam qualquer coisa, e a isso subordinavam até as práticas religiosas.
Jesus começa sua exortação catequética de hoje
com uma advertência contundente:
“Ficai atentos para não praticar a vossa justiça na frente das pessoas, só para
serdes vistos por elas!” Jesus não é uma espécie de pregador ingênuo e
sonhador, e percebe que esta busca de
evidência e de relevância pode contaminar até aquilo que parece mais piedoso e
religioso, como a partilha mediante a esmola, a intimidade com Deus
mediante a oração, e o jejum como privação de algo bom em vista de algo
superior. A hipocrisia pode contaminá-las e destituí-las de valor evangélico!
Por isso, Jesus
propõe um princípio prático, geral e efetivo para evitar esse risco: evitar a busca do aplauso e da publicidade,
deslocando o foco de nós mesmos e nossas instituições para Deus e o Outro.
É isso que nos faz bons e nos justifica! O resto é teatro e espetáculo para
impressionar as pessoas incautas. O que
vale todas as penas é a aprovação de Deus, que vê o que é discreto e secreto,
aquilo que ninguém vê, aqueles que ninguém quer ver, reconhecer e valorizar.
A
ostentação e a aparência têm pouco a ver com Deus, com sua vontade e com sua ação no
mundo. Muito ao contrário, este tipo de
piedade é capaz de irritar em vez de agradar a Deus. Não podemos usar as
práticas de piedade e o culto solene como estratégias
para seduzir o povo e tentar o próprio Deus. “Fé cega é faca amolada”, e
“quando a promessa é grande o santo desconfia”, ensina nosso povo.
Sugestões para a meditação
Deixe
ressoar em você este ensino inovador de Jesus, que ele mesmo viveu em primeira pessoa:
fazer o bem sem olhar a quem
Como
você e sua comunidade tem vivido as práticas de partilha solidária? Há algo a
ser revisto e melhorado nelas?
E o
que pensamos hoje em relação ao jejum? Vemos sentido? Com que sentido o
praticamos, ou com que argumentos o contestamos?
Nenhum comentário:
Postar um comentário