sábado, 6 de junho de 2026

A primazia da misericórdia

Deus não pede sacrifícios, mas Misericórdia

1104 | Tempo Comum | Semana X | Domingo | Mateus 9,9-13

Depois de curar um paralítico, que contou com o auxílio de pessoas amigas, Jesus não reivindica para si mesmo os créditos do perdão e da cura. Ele passa do perdão (ação interior, cujos frutos não são visíveis) à cura (lado visível da mesma ação). Diante do que viu, o povo fica com medo e glorifica a Deus por ter dado tal poder a Jesus e aos seus discípulos. O medo, uma mistura de surpresa e estupor, é uma reação tipicamente presente nas experiências da divindade.

No texto de hoje, Jesus se encontra com Levi, que é cobrador de impostos, colaborador do império romano e, por isso, também considerado pecador, execrado e banido da convivência social e religiosa pelos judeus. Mas Jesus não se orienta por preconceitos que excluem, pelas aparências e exterioridades. Partindo da base e da periferia social, Jesus chama e congrega pessoas de boa vontade para, com elas, iniciar uma comunidade alternativa.

Levi responde prontamente ao chamado de Jesus, e o segue no seu caminho. Como não exclui ninguém da mesa do Reino, desde que a pessoa entre no dinamismo do Reino de Deus, Jesus se confraterniza com Levi, seus colegas cobradores de impostos e muitas outras pessoas tratadas pelo judaísmo como pecadoras. Pecador é o termo usado para designar quem não vive de acordo com as normas de um grupo.

Essa prática inclusiva e inovadora de Jesus desestabiliza a ordem social, e, por isso, é criticada pelos fariseus e mestres da lei. Esta manifestação da misericórdia de Deus é vista como desconformidade com a vontade de Deus. A justiça de Deus, assim como é entendida e praticada por Jesus, deslegitima as práticas excludentes do judaísmo e dos seus representantes, e também dos seus sucessores até os dias hoje.

Levi tomará parte desta comunidade vivificadora que compartilha os bens e estabelece relações estáveis de acolhida e inclusão, e passa a ser visto como modelo de discípulo e apóstolo. Ele entendeu que Deus quer misericórdia, e não legalismo, que Jesus veio para quem está necessitado, e não para quem se considera justo e satisfeito. E esse deve ser o caminho da Igreja e todos os seus organismos e membros, em todos os tempos e em todos os lugares onde está presente.

 

Sugestões para a meditação

Retome a cena de Mateus trabalhando, sendo interpelado por Jesus, deixando tudo para segui-lo, e confraternizando-se com ele

Participe da cena, da alegria de Mateus e dos outros pecadores, repudie a postura crítica dos fariseus e demais líderes do judaísmo

Contemple a vida de Jesus e, com Mateus, acolha-o em sua vida e aprenda essa lição fundamental: Deus quer misericórdia e não sacrifícios

Como nós e nossas igrejas acolhemos e praticamos esse princípio fundamental que orienta toda a vida e a missão de Jesus?

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