Ao rezar, não multipliquemos as palavras
1115 | Tempo Comum |
Semana XI | Quinta-feira| Mateus 6,7-15
Nestes versículos, omitidos no trecho
maior que meditamos ontem, Jesus prossegue sua formação aos discípulos,
deslocando nossa atenção das prescrições
legais para a prática da oração. Não faltemos a esta importante lição da
nossa formação permanente, mantenhamo-nos atentos e sintonizados com aquilo que
é essencial, e não nos deixemos distrair por nada.
Em alguns versículos de ontem, Jesus já chamava
a nossa atenção para a atitude correta na oração. Por mais que tenha também uma
marca comunitária e um caráter público, o
que move a oração cristã não é o desejo de impressionar os outros ou o próprio
Deus, de receber aplausos, de ostentar piedade. No horizonte da novidade de
Jesus e do advento do Reino de Deus, a oração tem marcas e exigências próprias.
Jesus não pretende ensinar aos seus discípulos
e discípulas uma fórmula de oração a ser repetida em todas as ocasiões, mas uma atitude a ser assimilada com
profundidade e um horizonte capaz de inspirar nossa vida de oração. Jesus
sublinha que a nossa oração deve estar focada
no Pai, na vinda do seu Reino e na
sua Vontade (a quem se referem três frases) e nos irmãos, nas relações com eles, nas suas necessidades e nas
ameaças que sofremos (quatro referências).
Para Jesus, o desejo que deve mover nossa oração é, antes de tudo, que o nome de
Deus seja universalmente e concretamente honrado na afirmação da dignidade dos
seus filhos e filhas; que seu Reino venha para demolir as estruturas
injustas e instaurar uma ordem social mais humana e solidária; que sua vontade seja a inspiração de todos
os projetos e ações pessoais, eclesiais e sociais, e seja levada em conta tanto
na terra como o é no céu.
Em segundo lugar, Jesus nos ensina a
apresentar a Deus nossas necessidades
mais pungentes, e não qualquer desejo ou capricho de menor importância: que
não falte a ninguém o pão de cada dia; que tratemos nossas tensões e curemos as
feridas relacionais mediante o perdão, sinal do Ano da Graça; que vençamos a
tentação de desistir diante do desafio de viver como comunidade alternativa no
meio do mundo; que sejamos mais fortes que o maligno, que às vezes se disfarça
de anjo bom; enfim, que nossos desejos
tenham a grandeza do desejo de Deus.
Sugestões para a meditação
Deixe ressoar em você este ensino de Jesus, que ele
viveu em primeira pessoa: colocar-se inteiramente nas mãos do Pai e realizar
plenamente sua vontade
Como você e sua comunidade tem exercitado a oração? Em
que ela está focada nestes tempos de crise política, moral, ambiental, social e
econômica?
Há algo a ser revisto ou ser melhorado na sua forma de
rezar e no conteúdo da sua oração? Há algo a mudar ou melhorar no foco das
nossas celebrações comunitárias, que são basicamente orações coletivas?
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