Decidi seguir-te, e não voltarei atrás!
1126 | Tempo Comum |
Semana XIII | Segunda | Mateus 8,18-22
Depois de apresentar três relatos de curas realizadas
por Jesus – sinais da chegada do Reino de Deus como vida abundante para todos –
Mateus nos apresenta três cenas com
atitudes questionadoras de Jesus, duas das quais meditamos hoje. São uma
espécie de advertência que Jesus dirige
a quem deseja ser seu discípulo sem assumir as exigências que isso
comporta.
Jesus está iniciando a passagem do território dos judeus ao terreno dos pagãos, um espaço
marcado pela presença mais ostensiva dos romanos, e um mestre da lei se
apresenta como candidato ao discipulado, mesmo sem ter sido chamado. Ele vê em Jesus um mestre ou guru
importante, mas apenas um a mais entre tantos mestres. Não passa pela sua
cabeça que Jesus proponha uma ruptura radical com a instituição, e nem leva em
conta que é sempre o mestre quem escolhe seus discípulos.
Jesus responde sublinhando o contraste entre a estabilidade dos mestres da lei e a mobilidade da
comunidade que se reúne ao seu redor. Jesus é um pregador itinerante,
avesso à estabilidade das instituições fechadas. Ela vai contra a corrente,
percorre um caminho que exige ousadia e firmeza, e se situa no limiar entre o mundo de relações desiguais e violentas em
que vivemos e o outro mundo possível.
Em seguida, um daqueles que já seguiam Jesus se
mostra disposto a passar para a outra margem, mas pede um tempo para cuidar do pai até que ele morra. Aparentemente,
seu pedido não é descabido, mas Jesus sublinha que o discipulado não admite adiamentos,
está acima da piedade e dos compromissos com a família e outras instituições. Jesus enfatiza a urgência e a primazia da
busca do Reino de Deus.
Como na versão da cena apresentada por Lucas, Jesus ensina que a adesão à ética do Reino de Deus deve
ser absoluta, e nada pode se antepor à dedicação plena e imediata a ele,
pois os novos céus e a nova terra urgem, a humanidade clama por ele, o mundo
fraterno e justo não pode esperar.
Sugestões para a
meditação
Preste
atenção nas atitudes e nos pedidos do escriba e do discípulo: O que há de
semelhante? O que há de diferente?
Jesus
propõe uma vida quase nômade, itinerante, sem estabilidade, e uma urgência que
não admite postergar as decisões importantes
Os
discípulos têm dificuldade de romper com algo: e você, o que impede sua
dedicação à construção do outro mundo possível?
De
que você ainda precisa se desapegar para ser livre e generoso no seguimento de
Jesus?
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