domingo, 21 de junho de 2026

O cisco e o entulho

Crítica sem autocrítica pode ser hipocrisia

1119 | Tempo Comum | Semana XII | Segunda-feira | Mateus 17,1-5

Continuamos na primeira etapa de formação que Jesus oferece a seus discípulos missionários. Ele é realista, e sabe que somos comunidades de homens e mulheres imperfeitos, de pessoas que ainda têm muito caminho pela frente. Quando Jesus nos pede que sejamos perfeitos como o Pai é perfeito, na verdade está pedindo que nos empenhemos e perseveremos no caminho de crescimento, e não propriamente uma perfeição. Hoje ele ilustra o que significa ter coração puro.

Tendo escolhido Jesus como mestre, precisamos desenvolver relações e práticas coerentes com a novidade do Reino de Deus, tanto no âmbito social como no interior da comunidade. Partindo da convicção de que todos somos pecadores e limitados, precisamos conjugar a correção das faltas dos com uma serena e profunda capacidade de autocrítica. A crítica sem autocrítica, sem o cultivo de um olhar e um coração puros, pode virar hipocrisia e descambar para a intolerância e a exclusão.

Jesus não diz que devemos “fechar o olho” diante das faltas que marcam a vida comunitária, mas pede que nosso olhar sobre os outros seja correto. Precisamos equilibrar nossos juízos, evitando criminalizar os outros para declarar-nos inocentes. E não podemos cair na tentação de ocupar o lugar de Deus, a quem compete o julgamento final. Privar os outros de misericórdia é impedir a misericórdia de Deus para conosco mesmos. A balança ou a trena com que medimos os outros serão aplicadas também a nós.

Com o exemplo do cisco no olho do irmão e da trave no nosso próprio olhar, Jesus oferece um critério fundamental: julgar e condenar os outros sem autocrítica é ridículo e hipócrita, e isso é inaceitável para um discípulo missionário. Na revisão de vida, o “eu” vem antes que o “tu” e o “eles”. Se invertemos a prioridade, deixaremos de ser comunidades alternativas, capazes de fecundar a história com a novidade do Reino de Deus, com sementes de justiça, de acolhida e de fraternidade.

 

Sugestões para a meditação

Deixe ressoar em você cada palavra e cada frase dessa lição sobre a correção fraterna na comunidade familiar e cristã

Detenha-se na imagem do cisco e da medida (balança ou régua) que Jesus propõe como metáfora na prática da correção fraterna

Você também tende às vezes a ceder a um julgamento implacável, a uma crítica sem autocrítica, a um olhar condenatório sobre os outros?

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